A Banda Musical Lanhelense voltou a dar mais calor a esta quadra natalícia que agora termina com os Reis, proporcionando um excelente concerto de Ano Novo, no passado dia 1, na Igreja Matriz de Caminha, perante uma considerável assistência.
Esta banda do concelho de Caminha já nos habituou a interpretações musicais inesquecíveis, evidenciando de novo o bom momento que está a travessar sob a batuta do maestro galego César Nuñez Peres e que vai entrar na quarta temporada à frente da direcção musical da filarmónica que já ultrapassou os 150 anos de existência.
Dois meses a preparar o concerto
No final da actuação que contou com a participação da soprano Tânia Esteves e do guitarrista Joaquim Ribeiro - ambos naturais de Vila Praia de Âncora e ex-estudantes da Academia de Música Fernandes Fão -, César Peres salientou que a preparação deste concerto esteve desde logo no horizonta da Banda, assim que terminou a época de festas e a participação no Festival de Bandas, a 23 Setembro, em Vila Nova de Cerveira, e após cumprirem um mês de férias.
A partir de Novembro iniciaram-se os ensaios, tendo como apostas músicas novas, "com uma primeira parte mais filarmónica (música mais contemporânea) e a segunda com temas de Natal e de Ano Novo à base de Strauss e polkas", referenciando ainda César Nuñez a inclusão da soprano e da guitarra clássica, permitindo interpretar música flamenga.
Estas inovações vieram ao encontro daquilo que se propôs ao assumir a direcção musical da Banda Lanhelense, em que a inovação do reportório seria importante. Reafirmou-nos este caminho em conjunto com todos os elementos da banda.
Ficou contente com a resposta dada pelo público ao trocarem a partir de 2017 o Cineteatro Valadares pela Igreja Matriz, um espaço muito mais amplo, igualmente possuidor de uma excelente acústica, e que "encheu", vincou.
Escolheram um reportório com peças "de todo o mundo", apenas lamentando que não exista no concelho de Caminha um "espaço (auditório) bom para estes espectáculos.
Se a Banda de Lanhelas sempre se revelou como um alfobre de jovens e bons músicos com provas dadas em várias filarmónicas e orquestras, tanto em Portugal como estrangeiro, o exemplo desta jovialidade está espelhada presentemente na pessoa que assumiu há alguns meses a presidência da direcção.
Maria Amélia Barros, aos 23 anos, é a nova presidente.
Natural de Vilar de Mouros, formada em engenharia química e a trabalhar em investigação na FEUPorto, toca na Banda (saxofone) há oito anos e já pertencia à Direcção anterior. Após a saída de José Ramalhosa de presidente (passou para o cargo de presidente da Assembleia Geral e ficou a orientar as escolas de música), "houve que encontrar uma nova direcção", tendo-se reunido os elementos que já constavam da anterior, "escolheram-me, e eu aceitei", contou-nos resolutamente.
Reconheceu ser um cargo "um bocado complicado porque há muita coisa para resolver e muita coisa para fazer ao longo da semana, mas conto com a ajuda de todos".
"Uma pessoa cresce com o cargo que aceita"
Sublinhou a presença de mulheres nesta Banda e agora representadas pela primeira vez na presidência da direcção.
Admitiu alguma dificuldade em preparar o concerto com a inclusão dos solistas, mas "tudo saiu bem".
Preparando o futuro, assume ser necessário "organizar concertos diferentes, mas dentro do que fazemos".
Contente com o cargo que assumiu, pela responsabilidade inerente, precisou, por outro lado que "uma pessoa cresce com o cargo que aceita".