Foi dia de festa em Vila Praia de Âncora no passado dia 7, com a inauguração do Cineteatro dos Bombeiros Voluntários, encerrado e em acentuado estado de degradação havia já 20 anos.
Miguel Alves, presidente do Município caminhense, tinha apontado para inícios deste ano, em que a Associação Humanitária completava um século de existência, a reabertura desta sala de espectáculos, agora reabilitada com uma traça fiel ao antigo cinema ancorense.
Ministra quis estar presente
O Dia 1 de Janeiro é a data oficial da fundação da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Vila Praia de Âncora, mas a inauguração da sala de espectáculos recaiu no dia 7, atendendo a que a ministra da Administração Interna, Constança Sousa, fez questão de estar presente nas comemorações do centenário. Por razões de agenda da governante, foi escolhido esse sábado para abrir as portas do cineteatro, pelas quais entraram algumas centenas de ancorenses. Muitos, regressando a um espaço de lazer e cultura que lhes diz muito, outros, mais novos, fazendo-o pela primeira vez.
Após a cerimónia de entrega de crachás, medalhas e divisas aos bombeiros da corporação realizada em frente ao quartel-sede, e que contou com a presença da Fanfarra dos Bombeiros Voluntários de Vila Nova de Famalicão, acto este presenciado por muito público e durante o qual foi guardado um minuto de silêncio em memória do ex-Presidente da República Mário Soares falecido alguns minutos antes, teve lugar a visita ao interior do cinema, no decorrer da qual foi prestada homenagem póstuma ao Comandante Francisco Presa, através do descerramento de uma placa à entrada do edifício.
O Orfeão de Vila Praia de Âncora abriu o acto oficial, interpretando três peças, incluindo uma dedicada a Vila Praia de Âncora, da autoria de Francisco Sampaio, ex-presidente da direcção, seguindo-se uma introdução ao Centenário por parte de Graça Meira.
Medalhas por ocasião dos 100 Anos
A Corporação ancorense foi agraciada com diversas distinções pela passagem do seu centenário, como foi o caso da oferta da Medalha de Mérito da Protecção e Socorro no Grau Ouro, colocada pela ministra no estandarte dos Bombeiros de Vila Praia de Âncora.
A Liga dos Bombeiros Portugueses entregou também à corporação a Medalha Fénix de Honra, uma distinção habitual para as corporações que cumprem 100 Anos, a par da entrega de um galhardete, e de ter concedido o Crachat de Ouro a Manuel Rei, Comandante do Corpo Activo desta associação.
No decurso desta cerimónia, usaram da palavra a ministra Constança Sousa, a presidente da direcção Laurinda Araújo, José Presa, presidente da Assembleia Geral, Miguel Alves, presidente do Município caminhense, os presidentes da Federação Distrital e da Liga dos Bombeiros Portugueses, Jaime Soares.
"Instituição com passado, presente e futuro"
Constança Sousa, na sua intervenção, sublinhou que "todos estamos agradecidos a esta missão humanitária, à qual nunca poderemos pagar", apesar de "termos feito enormes esforços para apoiar os Bombeiros".
Aproveitando esta ocasião e dirigindo-se ao presidente da Câmara, a ministra desafiou-o, bem como às juntas de freguesia, a criar "uma prevenção civil preventiva".
Constança Sousa foi agraciada com uma peça de artesanato local (um palmito), oferecida por Laurinda Araújo.
"Bombeiros presentes em 98% dos sinistros e incidentes"
Uma das passagens mais aplaudidas no decorrer das intervenções das individualidades, foi quando Jaime Soares, presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, dirigindo-se a Miguel Alves, o definiu como presidente da Câmara Municipal de Vila Praia de Âncora.
Este lapso foi recebido com fartos aplausos dos presentes, o que levou Jaime Soares a justificar o equívoco, dizendo em tom humorado que "eu sou tão apaixonado por esta terra que já a transformei em município".
O responsável pela Liga aproveitou a presença em Vila Praia de Âncora da ministra para pedir a criação de uma equipa de intervenção permanente na corporação, cujos "homens e mulheres sabem o que fazem", tal como as demais 435 associações humanitárias de Bombeiros Voluntários do país.
Referiu ainda a necessidade de renovar os parques de viaturas "obsoletas" e deu alguns dados sobre a relevância destes homens e mulheres no apoio a "sinistros e incidentes": fazem-no em 98% dos casos, e a sua presença é permanente em 95% da estrutura do INEM.
"Não há missões impossíveis"
A presença da ministra da Administração Interna em Vila Praia de Âncora foi reconhecida por José Presa, presidente da Assembleia Geral, como o sinal inequívoco da "importância deste dia".
Evocou todos os fundadores da associação, agradeceu a todos quantos passaram por esta Casa e destacou que "não há missões impossíveis" para os Bombeiros que, registe-se, preenchiam as partes laterais da plateia do cineteatro, a par dos que compunham a guarda de honra ao Estandarte, presente durante toda a cerimónia no palco.
"Devemos respeito, dedicação e colaboração" a estes homens, frisou José Presa, não esquecendo quem contribuiu para que esta inauguração fosse possível, destacando Paulo Barreto e a sua oferta de 100 telas cuja venda reverteu a favor dos Bombeiros, bem como o apoio da Junta de Freguesia e Câmara Municipal.
"100 Anos - Uma honra"
"Estou a viver um dos momentos mais gratificantes da minha existência", admitiu Laurinda Araújo, presidente da Direcção, nesta cerimónia comemorativa de "100 Anos de profícua actividade e de glória", encarando por isso o futuro "com esperança e optimismo", nomeadamente, porque "Vila Praia de Âncora pode continuar a orgulhar-se do seu cineteatro".
Laurinda Araújo acentuou que "chegou o momento de ser devolvido (o antigo cinema) a Vila Praia de Âncora sem ostentações", mantendo a sua traça original, graças ao apoio da Câmara Municipal e Junta de Freguesia.
"Em vez de palavras, prefiro obras", sublinhou a presidente, após o que se dirigiu a seu pai Armando Araújo ("O Velhinho", assim é conhecido este antigo Bombeiro), presente na inauguração, recordando que fora ele que a incentivara a vir para a presidência da Associação Humanitária, com uma finalidade bem definida: recuperar o antigo cineteatro.
"É muito mais do que protecção e socorro"
O presidente da Federação Distrital dos Bombeiros, após pedir igualmente uma equipa de intervenção permanente para esta corporação, a exemplo do que tinha feito Jaime Soares, apelou aos jovens para que se alistem nos Bombeiros, e teve palavras de apreço relativamente à gestão da direcção da associação ancorense, a qual representa "muito mais do que protecção e socorro", vincou.
"Trouxeram os Bombeiros para o seu próprio futuro"
Miguel Alves, presidente do município caminhense, na sua alocução, saudou "todos os que souberam honrar a sua terra", conseguindo manter a chama da associação mais antiga de Vila Praia de Âncora, agradecendo "a cada um de vós, presentes e ausentes", sublinhou, "por estes 100 Anos de exemplo máximo de cidadania".
O autarca teve palavras de elogio em relação ao "empenho" manifestado pela presidente da Direcção na resolução dos inúmeros problemas com que os Bombeiros se debatiam, nomeadamente, o do cineteatro.
Recordou que se tinham conhecido há quatro anos atrás, era já Laurinda Araújo presidente dos Bombeiros, e, ele, Miguel Alves, pretendia ser presidente da Câmara. Ambos tinham o mesmo desiderato: "Reabrir o Cineteatro". Apenas existia um problema: Laurinda Araújo já era dirigente e Miguel Alves apenas queria ser presidente.
Consumada a eleição do actual autarca, logo tentaram pôr mãos à obra, mas, acentuou, "deparamo-nos com uma situação terrível", porque os Bombeiros estiveram "à beira de fechar portas". "Foi graças ao empenho de Laurinda Araújo que tudo se resolveu", conseguindo "trazer os Bombeiros para o seu próprio futuro".
Mensagem: "Veio inaugurar uma sala fechada"
Recordou o auxílio concedido pelo Executivo camarário a esta Associação de modo a permitir que "ultrapassassem a crise" e a reabrir o Cineteatro, cujo funcionamento será objecto de protocolo de colaboração, consubstanciado já na aquisição de uma máquina de projecção (haverá projecções, ao fim de semana, de quinze em quinze dias) e numa programação cultural regular.
Miguel Alves, após realçar que "os Bombeiros são o último reduto quando tudo o mais falha", cumprimentou a Junta de Freguesia pelo apoio concedido à Associação e na concretização da escultura aos Bombeiros inaugurada nessa manhã, assim como teve palavras de apreço em relação ao vereador Guilherme Lagido, responsável pela protecção civil. A propósito, sublinhou que a Câmara se tinha proposto a uma candidatura no montante de cinco milhões de euros, tendo como objectivo "defender a floresta".
A terminar, Miguel Alves deixou o seguinte vaticínio: "Por mais 100 ANOS, por 1000 GERAÇÕES DESTA TERRRA".
Manuel Amial enviou-nos um artigo pessoal sobre estas comemorações.