A quadra natalícia e o início do novo ano continuaram a revelar deficiências graves no apoio aos utentes do Serviço Nacional de Saúde, no Centro de Saúde de Caminha (já patentes nos meses anteriores, refira-se), no seguimento das situações irregulares de funcionamento referidas pelo C@2000 por duas vezes: Jornal 804 e 808 .
Continua a verificar-se a ausência de médico entre as 20 e 24 horas, de Segunda a Sexta, bem como nos turnos de fim-de-semana ou feriados, a par da dificuldade dos utentes em conseguir consulta aberta durante o dia.
Houve noites em que que mais de trinta pessoas se viram obrigadas a recorrer a outros apoios médicos, devido à inexistência de qualquer clínico de serviço no Centro de Saúde. Sem contar com aquelas que já nem sequer se deslocam até esta unidade de saúde, sem antes telefonarem, inteirando-se se há médico.
No notícia da edição 808, referimos o que nos disse o responsável clínico da Unidade Local de Saúde do Alto Minho (vulgo, Hospital de Viana do Castelo).
A situação não melhorou, levando-nos a confrontar o presidente da Câmara Municipal de Caminha sobre esta preocupante situação, referindo-nos Miguel Alves ter já oficiado o coordenador do Centro de Saúde de Caminha, de modo a agendar uma reunião, atendendo a que "não se compreende a ausência sistemática de médicos na Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados de Caminha", o que leva os utentes a recorrer aos serviços de urgência de Viana do Castelo, "com os transtornos e custos que isso acarreta para a população" e para o próprio Hospital de Viana do Castelo.
Num ofício remetido no mês passado à coordenadora do Centro de Saúde de Caminha, a Câmara de Caminha solicita "a correcção desta ausência de médicos de família que permita um correcto acesso aos cuidados de saúde da população do concelho a quem nos visita, cumprindo assim os objectivos e obrigações definidos no SNS e Constituição da República".
Segundo nos revelou, está prevista para o próximo dia 19 uma reunião com a responsável pelo Centro de Saúde de Caminha, a fim de tentar colmatar esta falha grave nos serviços de saúde deste concelho, embora a situação se estenda a outros pontos do país.
E para que não venha depois alguém propalar que "em Caminha, acaba tudo", dizemos nós.
"Caminha não pode ficar sem esse serviço"
Miguel Gonçalves, presidente da Junta de Freguesia de Caminha e Vilarelho, admitiu dificuldades em fazer cumprir o serviço de urgências no Centro de Saúde de Caminha, no decorrer de uma assembleia de freguesia, na qual o delegado social-democrata Severino Sousa se queixou pelo facto deste serviço ter estado praticamente fechado durante uma semana.
O presidente da Junta frisou, no entanto, que "Caminha não pode ficar sem esse serviço", apesar de este problema "não ser novo", o que o já o tinha levado há alguns anos atrás a reunir com o coordenador do Centro de Saúde, quando alguns médicos, a partir de determinada idade, deixaram de integrar a lista de urgências.