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Vilar de Mouros

Apresentado álbum com 104 peças
da antiga Fábrica de Louça

Grande exposição da cerâmica caminhense em 2017

O Grupo de Estudo e Preservação do Património Vilarmourense vem caprichando na qualidade das suas publicações (Cadernos do Património Vilarmourense), quer em termos de conteúdo, quer em termos gráficos, fotografia e impressão, agora espelhada com a publicação de uma monografia-catálogo dedicado à "Fábrica de Louça de Vilar de Mouros" (1855-1920).

É a quinta edição do GEPPAV (secção autónoma do Centro de Instrução e Recreio Vilarmourense), apresentada no passado Domingo no Hotel Prazer da Natureza, instalado no antigo Parque de Campismo Natural de Vilar de Mouros.

Recolha e contraste

A par da componente histórica da antiga fábrica, com origem na disponibilidade do terreno no lugar de Chelo, propriedade de Domingos Luís de Chelo, e com o empenho dos irmãos José Maria e Bento José Alvarinhas, ex-operários da Fábrica de Faiança de Viana do Castelo, este livro revela o trabalho de investigação realizado através da "recolha de centenas de cacos" existentes junto ao antigo forno, através dos quais foi possível à investigadora Patrício Moscoso, ligada ao Museu de Olaria de Barcelos contrastar a origem verdadeira de muitas peças, algumas vezes erradamente atribuídas à Fábrica de Vilar de Mouros.

Paulo Torres Bento, um dos componentes do GEPPAV - a par de Basílio Barrocas, Plácido Souto e Joaquim Aldeia -, sublinhou durante a apresentação do livro co-editado com a Câmara Municipal de Caminha e o apoio da Junta de Freguesia de Vilar de Mouros e Direcção Regional de Cultura do Norte, que a louça desta aldeia era "muito desconhecida", o que dava azo a "falsas atribuições", até porque a maioria das peças não eram assinadas.

Este historiador - falando depois de o ter feito Basílio Barrocas, presidente do CIRV, o qual agradeceu os apoios das diversas entidades e a presença de todos - vincou que após a criação do GEPPAV em Janeiro de 2004, "esta iniciativa esteve desde logo no seu horizonte", apenas não tendo avançado com ela de imediato, porque "ainda não nos sentíamos preparados" para o levar por diante, o que sucedeu agora, 165 anos após a fundação desta fábrica erradamente designada até ao presente como de Além da Ponte.

Paulo Bento explicou o trabalho desenvolvido nos últimos tempos, nomeadamente a recuperação de tudo o que se encontrava guardado, em termos de cacos e peças, e procura de documentação que permitiu reconstituir a história e famílias ligadas a esta oficina artesanal (nomeadamente a família Cruz).

Foram efectuadas várias visitas a museus, na tentativa de encontrar pistas para identificar com o máximo rigor a origem das peças que se encontravam dispersas por diversos museus e colecções particulares, sem identificação. Contudo, tal tentativa não resultou, vendo-se obrigados a recorrer aos conhecimentos técnicos de uma especialista (Patrícia Moscoso).

A recolha dos cacos deixados junto ao forno da fábrica permitiu a sua análise técnica por parte da doutora Patrícia Moscoso, comparando-os com as peças inteiras e chegando à conclusão de quais - com um máximo de segurança - tinham origem na oficina vilarmourense.

104 peças publicadas

Estas 104 peças de louça, recolhidas entre diversos proprietários (16) e coleccionadores desta olaria, encontram-se espelhadas neste álbum publicado com o contributo do trabalho fotográfico de António Garrido, e do grafismo de Carlos da Torre.

Paulo Torres Bento crê que a partir de agora, poderão ser descobertas muitas outras, cuja origem era uma interrogação .

"Investimento financeiro superior ao normal"

Entusiasmados com este trabalho, o GEPPAV não descarta a hipótese de o prosseguir com mais estudos e publicação de outra obra de toda a faiança do concelho, nomeadamente, das duas outras fábricas existentes na vila de Caminha (Cabana e Retorta), embora isso exija um esforço financeiro considerável, e saindo um pouco do âmbito da freguesia, frisou.

Este repto foi lançado à Câmara, entidade que custeou a obra agora editada e que irá vender metade da edição.

Exposição

Paulo Bento apontou ainda para o ano de 2017, a organização de uma grande exposição da faiança do concelho de Caminha, desde que todos contribuam, incluindo os investigadores, salientou.

Esta informação mereceu uma anotação da parte de Patrício Moscoso, tendo opinado que se poderia desde já avançar unicamente com uma exposição sobre a faiança vilarmourense, tendo como base o catálogo existente, embora esta hipótese só se possa concretizar se houver disponibilidade da parte dos proprietários e museus.

"É uma forma de conhecer as terras"

Outra das oradoras, Isabel Fernandes directora do Museu Alberto de Sampaio, em Guimarães, reputada especialista em cerâmica e orientadora do trabalho da sua colega Patrícia Moscoso, aproveitou a oportunidade para enfatizar o desempenho do GEPPAV e fazer votos para que todas as terras possuam grupos similares de recuperação do património, pois, dessa forma, conhecer-se-ia muito melhor a história das freguesias.

Após louvar o apoio concedido pelo Município, Patrícia Moscoso acentuou ainda a importância do catálogo que permitiu divulgar uma fábrica praticamente desconhecida e desfazer muitas "incertezas quanto à origem de muitas peças", embora ainda se desconheça com precisão a funcionalidade de algumas delas, acrescentou.

Pediu uma ampla divulgação deste excelente trabalho, agora dado à estampa, garantindo que ele "terá muita saída", nomeadamente, junto dos apreciadores e coleccionadores de faiança.

Saliente-se que todo este projecto foi supervisionado por Isabel Fernandes, tendo competido a Patrícia Moscoso o trabalho mais pormenorizado de comparação dos fragmentos de louça com as peças em bom estado de conservação colocadas à disposição do GEPPAV, de modo a garantir a sua fidelidade original.

Patrícia Moscoso referiu-se às duas fases de produção de fábrica, sendo que na primeira (1855-1880), a louça era muito semelhante à de Viana do Castelo, surgindo na segunda o "azul mais característico de Vilar de Mouros", por influência de Domingos Alvarinhas.

Esta estudiosa adiantou que "há ainda muito a fazer" nesta área e não hesitou em assegurar que a cerâmica de Vilar de Mouros merece "mais destaque e divulgação", no âmbito da panorâmica nacional.

"Estamos mais ricos culturalmente, a partir de hoje"

No decorrer da apresentação do livro que orgulha Vilar de Mouros, seguramente, Carlos Alves, presidente da Junta de Freguesia, após agradecer o trabalho do GEPPAV - "a quem uma vez mais, muito devemos" - afirmou que "estamos mais ricos culturalmente, a partir de hoje".

Carlos Alves não hesitou em definir esta última publicação do GEPPAV "a mais importante de todas "as que até ao presente tinham sido editadas", o que ("esta riqueza ímpar") não deixará de surpreender os vilarmourenses.

O autarca, após referir que a junta de freguesia tinha contribuído com um modesto "apoio", saudou quem participou na elaboração da obra, tal como enalteceu outros apoios concedidos, designadamente o da câmara municipal.

"Há uma dinâmica fortíssima, actualmente"

A série de intervenções culminou com o presidente a Câmara Miguel Alves a realçar "o novo tempo" que se vive hoje em Caminha no panorama cultural, quer na promoção de eventos propriamente ditos, quer "no investimento na verdadeira cultura", de cujo exemplo é este álbum.

Disse ser importante apostar neste tipo de obras, numa altura em que se assiste "actualmente, a uma dinâmica fortíssima" nesta área, e que gostaria de encontrar uma "solução para o Arquivo Municipal", onde os investigadores pudessem estudar em melhores condições o material aí recolhido.

Referindo-se à cerâmica vilarmourense propriamente dita, referiu que descobriu a sua importância quando se deslocou a casa do Floriano e esposa, em que pela primeira vez lhe falaram na faiança vilarmourense.

Aproveitou o acto para recordar a navegabilidade do rio Coura, o transporte da argila que era desembarcada no cais das Telheiras, de modo a ser trabalhada juntamente com a terra das Barreiras, e assim moldar a cozer as peças feitas pelos artesãos vilarmourenses.

Recordou que a Galiza/Espanha era a grande cliente da cerâmica produzida nesta freguesia, cujas encomendas terão diminuído e contribuído para o encerramento da fábrica.

Fotoreportagem: António Garrido


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