A segunda parte da reunião da Assembleia Municipal deste mês de Dezembro foi fértil em episódios caricatos protagonizados pelos eleitos do PSD.
A par da bronca com as senhas de presença dos deputados municipais (ver artigo próprio), passando pelas indicações de voto dadas num sentido por Taxa Araújo, líder da bancada da oposição social-democrata (com excepção das referidas senhas de presença), acabando por votar noutra direcção, o esquecimento de votar as propostas em apreciação por parte de alguns deputados, o caso de Dem foi deveras comprometedor para esta força política.
"Contra as discriminações"
Da ordem de trabalhos contavam uma série de contratos interadministrativos a celebrar entre a câmara e diversas juntas de freguesia, respeitantes a transportes escolares.
O presidente da Mesa da Assembleia Municipal sugeriu que estas propostas fossem votadas conjuntamente, mas o PSD opôs-se, pretendendo que fossem apreciadas isoladamente.
Taxa Araújo apreciou cada uma delas e insurgiu-se contra os valores que a Câmara pretendia transferir para as juntas, chegando a dizer que o Executivo perseguia as freguesias do PSD, dando como exemplos Venade, Dem e Argas, insistindo que estas recebiam menos dinheiro do que as demais.
"Iremos votar contra as discriminações", prometeu.
Funcionária da Junta com "compensação especial"
A resposta às apreciações do eleito pelo PSD não se fez esperar por parte do Executivo municipal.
Miguel Alves refutou a acusação "infundada" de Taxa Araújo, sublinhando que "tenho uma atenção especial com as juntas da oposição", mesmo que isso possa gerar algum desconforto nas demais, admitiu e, em contraste com o que sucedia no passado, vincou.
Em relação aos dinheiros a transferir para a freguesia de Venade/Azevedo, Miguel Alves assegurou que iriam receber a mesma importância do ano anterior.
No que respeitava às Argas, a Junta tinha deixado de prestar esse serviço.
No caso de Dem, o presidente da Câmara denunciou que a funcionária da Junta que fazia o serviço de transportes, ainda recebia outro ordenado da parte da Câmara (chamou-lhe uma "compensação especial"), situação herdada do Executivo camarário social-democrata anterior e que houve necessidade de pôr termo.
Miguel Alves adiantou ainda que "por aqui me fico" para que não haja problemas para a Junta de Freguesia de Dem e para a própria funcionária.
O presidente do Executivo referiu ainda que as avaliações destas verbas respeitantes aos transportes tinham sido feitas pelos próprios funcionários camarários - apontando como exemplo o nome de Paulo Marinho -, pelo que não via qualquer motivo para que a oposição falasse em discriminação.
Taxa Araújo, apesar das explicações - e do incómodo do representante da Junta de Freguesia de Dem nesta reunião, perante a situação criada -, insistiu em votar contra.
Junta de Dem não acompanhou sentido de voto de Taxa Araújo
Voto que não foi seguido pelo autarca de Dem, tendo optado por se associar ao voto favorável à proposta camarária da maioria da assembleia.
E esta posição favorável de Clemente Pires, motivou o seu colega de Caminha/Vilarelho a seguir-lhe o exemplo, tendo pedido a palavra Miguel Gonçalves para dizer que também iria votar a proposta, depois de ter visto o autarca deense a fazer o mesmo.
Deputada socialista elogiou apoios à educação

No decorrer da discussão destas e outras propostas relacionadas com o ensino, a deputada municipal socialista Fernanda Viana elogiou os apoios camarários ao sector do ensino e famílias - ao invés do que fez o Governo anterior, sublinhou.
Referiu que a Câmara tinha aumentado as verbas nestas áreas, passando de 260.000€ para 350.000€ e aproveitou a oportunidade para dar as boas-vindas ao novo vereador Rui Fernandes, assegurando que "podemos contar com um grande profissional" e que sabe bem o que se passa no concelho.