A longa reunião da Assembleia Municipal da passada semana permitiu aos três grupos parlamentares, realizar diversas intervenções, através de diferentes deputados municipais.
Taxa Araújo (PSD), como vem sendo habitual, foi um dos eleitos que mais interveio como líder do grupo parlamentar dos sociais-democratas.
"O que fez Miguel Alves em dois anos e três meses?"
Aproveitou para realizar um balanço desta metade do mandato e manifestou o seu inconformismo por aquilo que considerou a impossibilidade do actual Executivo em "cortar o cordão umbilical com o passado".
O PSD não gosta que a actual maioria evoque a gestão dos sociais-democratas nesses doze anos (2001-2013), entendendo que Miguel Alves apenas pretende "falar mal do passado para distrair o presente".
Voltou a insistir na auditoria feita às contas logo após a tomada de posse do Executivo socialista, dizendo que tinham escolhido "amigos" para realizar esse trabalho, o qual terá ditado, contudo, que a Câmara dispunha de 2,4 milhões de euros em depósitos bancários, situação que o PS vem rebatendo, dizendo que parte dessa verba (600.000€) correspondia a contas caucionadas, a par de existir uma dívida de 10 milhões de euros.
Taxa Araújo referiu que 2015 tinha sido fechado com um prejuízo de 1,7 milhões e euros e que o actual Executivo não prestava "nem uma palavra de esclarecimento aos caminhenses", a par de ser uma equipa "totalmente dividida e em perda total", não lhe restando outra solução que seja "agarrar-se à obra herdada pelo PSD, para passar a mensagem de que a obra é sua".
PSD não gosta de votações
Este deputado "laranja" assegurou que o actual Executivo não tem dinheiro (500.000€) para levar a cabo a obra de requalificação do Mercado Municipal de Caminha, embora termine hoje o período destinado aos munícipes para que se pronunciem sobre um dos quatro projectos seleccionados.
Foi mais além nas críticas à opção do mercado, assegurando que os projectos não eram tarefa para alunos recém-licenciados (a Câmara escolheu alunos a realizar mestrado, da Escola Superior Gallaecia), e considerou a "forma aparentemente democrática" para que os munícipes se pronunciassem, como um meio de a Câmara se demitir da sua responsabilidade.
A "ideia"
Mais adiante, o deputado municipal ancorense disse duvidar que o presidente da Câmara tivesse qualquer ideia para o concelho e acusou-o de fazer fracassar "em tudo o que Miguel Alves toca", dando como exemplos aquilo que considerou uma coincidência de datas do Sonicblast Moledo (12/13/Ago/16) com o Festival de Vilar de Mouros (26-28/Ago/16), o ter "arrebentado" com a Festa da Sardinha e a Feira Medieval e de ter prometido um Sunset de "50 mil a 100 mil pessoas" para o Terreiro de Caminha, aquando do Rali, e de apenas terem comparecido "4 pessoas".
Taxa Araújo acusou ainda o autarca socialista de estar mais interessado no que se passa na Comissão Política Nacional do Partido Socialista em Lisboa - "local para onde passa a vida a correr", disse -, nas passadas legislativas e nas próximas eleições presidenciais, do que "no que se passa no concelho de Caminha".
Este político social-democrata abordou ainda a situação da equipa camarária, dizendo que os vereadores têm que se demitir porque não lhes são dadas condições para exercerem os seus mandatos" ou não lhes terem proporcionadas condições para "cumprirem as promessas eleitorais".
"Agora fazem-se obras e não maquetas de obras"

As alusões às deslocações de Miguel Alves a Lisboa levaram o autarca a garantir que "farei o combate político por Caminha em toda a parte" e com todos os governos.
É reconhecida a expectativa gerada no concelho pela investidura do novo Governo, com cujos membros Miguel Alves possui relacionamentos privilegiados - o que poderá preocupar o PSD em termos eleitorais autárquicos -, a par das nomeações de caminhenses como adjuntos de ministros, da ascensão de Miguel Alves na hierarquia do PS (é o quarto político com o cargo mais importante na estrutura interna do partido), sem contar com a presença de Tiago Brandão Rodrigues no Ministério da Educação.
Contudo, Miguel Alves recordou que sempre pautou a sua actuação de presidente de Câmara com a mesma lisura de procedimentos com os membros do anterior Governo PPD/CDS, sendo exemplo disso as obras já terminadas (Mosteiro de S. João d'Arga, ecovia Moledo-Stº Isidoro, defesa do litoral de Moledo e Âncora/Vila Praia de Âncora) ou em curso (ecovia Seixas/Lanhelas, Biblioteca Municipal).
Apesar destes argumentos, o PSD não os aceita, nem acredita, como foi o caso de Júlia Paula, deputada municipal, retorquindo que o PS queria que o PSD tivesse feito tudo e "o PS fazia o quê?", interrogou-se.
Insistiu igualmente que os socialistas não têm obra e que todos ficaremos a saber "no futuro, as trapalhadas do PS", assegurou.