"A Loja do Cidadão vem dar mais independência a Vila Praia de Âncora e reconhece a nossa freguesia", admitiu Carlos Castro, presidente da Junta de Freguesia, ao comentar a abertura destes serviços no Centro Coordenador de Transportes, após o delegado socialista Filipe Fernandes ter manifestado o seu contentamento pela celebração do protocolo entre o Município de Caminha e o Governo, destinado a albergar este espaço que vai permitir "poupar tempo às pessoas".
Esta novidade na vila mereceu igualmente encómios da parte de José Presa, presidente da Assembleia de Freguesia (AF).
"Ponto central"

A possibilidade de criação de um albergue para peregrinos do Caminho de Santiago em Vila Praia de Âncora, sugerida por Filipe Fernandes, mereceu alguns comentários nesta reunião, no período destinado a discutir qualquer assunto relacionado com a freguesia.
Em defesa da sua proposta, Filipe Fernandes frisou que Vila Praia de Âncora era um ponto central entre Viana do Castelo e Vila Nova de Cerveira, atendendo a que o local de acolhimento existente em Caminha, em instalações da Santa Casa da Misericórdia, revelava algumas fragilidades.
A Juta de Freguesia não colocou de parte tal hipótese, sempre e quando fosse a Câmara Municipal a criar esse equipamento.
Da mesma opinião não comungou o delegado social-democrata Manuel Marques (regressado à Assembleia de Freguesia, após deixar o lugar na vereação), e muito menos que "se diga mal da actividade" deste serviço da Misericórdia (da qual é mesário). Acrescentou que um albergue em Vila Praia de Âncora ficaria muito perto do de Caminha.
Patronato com défice mensal de 5.000€

Embora a actividade do Jardim de Infância do Patronato tivesse sido considerada "prioritária", no decorrer de uma reunião ocorrida em Março com a Segurança Social e Câmara Municipal, a continuação dos apoios a receber desse organismo do Estado dependeria da avaliação que iria ser feita, explicou Carlos Castro, presidente da Junta, devido ao défice mensal de 5.000€.

O autarca aguarda pela resposta que vier a ser dada pelo Estado, respondeu ao delegado João Araújo que o interpelara sobre um caso que preocupa a vila.
Travessa do Teatro sem evolução
A reabertura da passagem de nível da Travessa do Teatro continua a ser uma das reivindicações dos ancorenses, sendo exemplo disso a chamada de atenção feita igualmente pelo social-democrata João Araújo, após recordar que tinha sido prometido abri-la durante a última campanha eleitoral.
A Câmara de Caminha não tem dinheiro para esta obra, admitiu Carlos Castro, estando a aguardar pela electrificação da Linha do Minho para que se consiga pôr ponto final neste conflito Refer-população ancorense.(*)
Rio Âncora e assoreamento do Portinho

A obra em curso na margem do rio Âncora e no canal alternativo mereceram alguns comentários nesta sessão pública, após Filipe Fernandes ter sublinhado que os trabalhos decorrem bem, dentro do prazo estabelecido (120 dias), prevendo a sua conclusão antes deste verão.

O fim dos trabalhos mereceu igualmente pedidos de esclarecimento de João Araújo e José Presa, levando o presidente do Executivo local a acrescentar que a 2ª fase da obra estaria concluída antes da época balnear. Disse que a consolidação da Duna dos Caldeirões seria feita com recurso à colocação de estacaria e depósito de areia, e comungou das críticas feitas à estreiteza do canal/desvio do rio Âncora, embora os técnicos da Agência Portuguesa do Ambiente lhe garantam que terá de ser feito dessa forma. Aproveitou para informar que os passadiços deverão ser recuperados e as infestantes cortadas.
Docapesca não responde

O assoreamento constante do Portinho mantém-se como um dos problemas diários da vila, designadamente, da sua classe piscatória. Manuel Marques e José Presa pediram informações à Junta acerca desta deficiência existente desde as obras de remodelação da infra-estrutura portuária.
Carlos Castro admitiu ter falado com o presidente da Associação de Pescadores, o qual lamenta a falta de resposta da Docapesca baseando-se na falta de dinheiro para levar por diante o desassoreamento. Prometeu pedir uma reunião com os responsáveis deste organismo que veio assumir as competências do extinto Instituto Portuário e Transportes Marítimos, a fim de fazer o ponto da situação.
A recolocação dos tanques de lavar na zona do Portinho mereceu uma chamada de atenção da parte de Filipe Fernandes e João Araújo, mas, a Docapesca vem protelando uma promessa avançada há meses pelo ex-IPTM. Agora é mais complicado resolver este processo, após a passagem de competências para a Docapesca, esclareceu Carlos Castro, embora lhe tenham prometido que os construiriam ainda este ano.
Casas de banho públicas a norte do Portinho durante a época balnear continua a merecer atenção dos delegados, prevendo-se uma solução provisória nesse período de grande afluência de turistas. Igualmente deverá ser encontrado um novo ponto para a localização da viatura do Instituto de Socorros a Náufragos, de modo a retirá-la da meia-lua da Av. Ramos Pereira, situação a ser estudada com o vereador Guilherme Lagido.
Bandeira Azul no dia seguinte
Esta reunião da AF teve lugar na véspera da divulgação da atribuição da Bandeira Azul à praia de Vila Praia de Âncora.
Ainda desconhecedores dessa decisão da Comissão da Bandeira Azul, os delegados e membros da Junta especularam sobre as possibilidades e expectativas existentes, confirmadas algumas horas depois da conclusão da reunião.
Cemitério é prioridade
A Junta de Freguesia continua a conceder prioridade à ampliação do cemitério.
A propósito de uma intervenção de Filipe Fernandes sobre a existência de entulho por detrás do cemitério, Carlos Castro assegurou que o mesmo seria removido logo que sejam realizadas as obras do seu alargamento.
O grupo do PSD aproveitou esta sessão para felicitar todos os que se envolveram na concretização da Mesa da Páscoa, através do delegado "laranja" Tiago Castro, o qual pediu ainda à Junta que citasse as obras realizadas nos últimos tempos na freguesia.
As ruas Outeiro Negro, António Ramos e tanque de Retorta representaram um investimento de 69.000€ em 2014, recordou o presidente da Junta. Com o apoio da Câmara, foram ainda intervencionadas as ruas da Lomba (rede de águas nova e colocação de marcos de incêndio), pavimentação das ruas Padre Lima, Vales e Lourenço da Rocha, tendo sido já adjudicada a obra da Rua de Vilarinho.
100.000€ para Vila Praia de Âncora
Perante a colaboração existente com o Município caminhense na condução de obras e eventos na freguesia (Carlos Castro ainda desconhece o programa de verão), o delegado Filipe Fernandes pediu explicações à Junta sobre a sua abstenção na aprovação das contas camarárias de 2014, no decorrer da última Assembleia Municipal, atendendo ainda a que tinham sido transferidos 100.000€ para Vila Praia de Âncora.
Luís Matias, tesoureiro da Junta, representando a autarquia ancorense na AM, justificou a abstenção devido à confusão gerada com os documentos enviados para a oposição, pretendendo com essa tomada de posição (abstenção) demarcar-se de qualquer uma das bancadas em confronto.
A questão dos 100.000€ levou a que fosse pedido à Junta que esclarecesse qual a verba realmente efectivamente recebida até final de Março. Carlos Castro disse que só tinham recebido 33.000€, aplicados nas obras da rede viária e tanque da Retorta mas, desde final de 2013, tinham sido transferidos 99.000€.
Este assunto mereceria alguma discussão, com Manuel Marques a referir que nos mandatos do PSD tinham sido canalizadas mais verbas para V.P.Âncora, embora lhe parecesse razoável o que tinha sido contemplado no ano passado, atendendo ao período de crise que se vive actualmente. Recordou ainda que nos mandatos de Valdemar Patrício, as verbas destinadas a esta freguesia tinham sido significativas, dando como exemplo a atribuição de 40.000 contos para obras no cemitério.
"Clareza…
Chamados a aprovar as contas da Junta relativas a 2014, Manuel Marques elogiou a "clareza e pormenor do relatório" que as acompanhava, bem como o saldo positivo de 64.000€, o qual permitiu afrontar com algum conforto as despesas que surgem habitualmente no início de cada ano.
Marques deu ainda relevo às iniciativas de carácter social e escolar, concretizadas no ano anterior e à "boa execução" evidenciada.
"…e confusão"
Já Filipe Fernandes não comungou da clareza da prestação das contas, devido a "alguma confusão" nos documentos remetidos à oposição, o que mereceu diversos esclarecimentos, incluindo os do presidente da AF.
(*) Na próxima cimeira luso-espanhola do mês de Junho, está previsto celebrar definitivamente o acordo que permita concretizar a electrificação e modernização da linha ferroviária desde o Porto até Vigo.