Uma ementa medieval pôs à prova os 27 alunos finalistas dos dois cursos técnicos de restauração (restauração/cozinha e pastelaria e restaurante/bar) do polo de Vila Praia de Âncora da Escola Tecnológica Artística e Profissional.
No final de três anos de aprendizagem, e de modo a concluírem com êxito o último conjunto de horas (cerca de mil) que integraram este ano lectivo 2004/05, através do qual obterão igualmente a equivalência ao 12º ano de escolaridade, durante uma semana preparam uma prova prática a submeter à apreciação de um júri que avaliou os seus conhecimentos e capacidade para se lançarem na vida profissional.
Destes 27 alunos, 10 são naturais ou residem no concelho de Caminha, sendo orientados por quatro professores na área técnica de restauração.
Grande procura
Presentemente, existem sete turmas a funcionar no polo ancorense, assistindo-se a uma grande procura dos cursos de cozinha por parte dos jovens, eventualmente espicaçados pelos programas televisivos da actualidade.
Após aprovação nesta prova de aptidão profissional, seguem para estágios curriculares não remunerados, em Portugal ou no estrangeiro, sendo grande a percentagem (mais de 80%), daqueles que no final conseguem um emprego.
"Fiquei fascinada"
Fernanda Ribeiro, natural de Riba d'Âncora mas a residir em Vila Praia de Âncora, terminou o seu curso de Técnico de Restauração Variante/Restaurante-Bar, no qual se inscreveu há três anos atrás, depois de ter tentado outros dois "com os quais não me identifiquei", disse ao C@2000. "Acabei por ficar fascinada" com a qualidade do ensino ministrado nesta escola profissional, confessou.
Foi aconselhada a tentar a ETAP por ter duas vertentes, prática e teórica, e "por já ter exercido em part-time" esta profissão.
Uma irmã é cozinheira e desde os 15 anos que está ligada a este ramo que abraçou agora com mais entusiasmo.
Menu medieval
A opção pelo tema do menu medieval teve como base os alunos de cozinha, apostados numa experiência desde o Medieval até ao Contemporâneo, tendo adaptado as carnes utilizadas nessa época remota e adequando os nomes à imaginação de cada um, embora algumas já existam, como foi o caso do lombo de porco com castanhas.
Fernanda Ribeiro referiu que no que concerne ao curso a que pertence, as técnicas principais utilizadas disseram respeito às de um técnico de restaurante-bar, apostados na preparação dos queijos, ser chefe de sala ou de turma. Adaptaram-se à escolha dos colegas de cozinha (menu medieval) e, dessa forma, "fugir um pouco à regra do que costumava ser feito nos anos anteriores", criando dessa forma "um serviço diferente e mais agradável".
Como organizadora desta ementa e serviço, preparou durante os últimos sete dias os convites, escolheu os materiais a serem utilizados na confecção dos pratos apresentados. No dia da prova, desde as nove horas da manhã até ao fim da tarde, a azáfama foi grande "de modo a deixar tudo pronto".
Admitiu que "o serviço correu bem, dentro das normas que tinha estabelecido", baseado num plano prévio, acreditando que tenha agradado aos convidados que pontuaram o trabalho de todos.
Estágio em Sanxenxo
Já tem o estágio definido, após a conclusão das aulas.
Vai para um restaurante galego ("Trintão"), em Sanxenxo, onde já trabalhou em 2014 e na Páscoa deste ano. O dono ficou triste quando lhe disse que após o curso iria estagiar para Lisboa. Contudo, como não possuía alojamento nesta cidade, optou por realizar o estágio em Sanxenxo, mantendo-se num local que já conhecia, juntamente com uma colega.
Não crê que consiga trabalho fixo neste restaura nte, devido às dificuldades de clientela na época baixa, mas, espera consegui-lo noutro ponto de Espanha, ou Lisboa, porque, "aqui, não temos muitas oportunidades", lamentou.
Parte com "muitas saudades" da ETAP, onde "aprendi muito".
"Gostei muito de estar qui", repisou.