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Semanário - Director: Luís Almeida

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O reforço da margem esquerda da foz do rio Âncora, a dragagem do canal do ferry-boat, as ecovias e o lobo na Serra d'Arga preocupam ambientalistas

Bióloga reforça direcção

A realização de uma assembleia geral da Corema a fim de eleger os corpos gerentes para 2015/16, permitiu uma troca de opiniões entre sócios e directores, sobre alguns temas de actualidade no concelho de Caminha.

Após terem sido referidas as acções levadas a cabo no último biénio e aprovado um programa mínimo de acção para os próximos dois anos, os associados debateram alguns assuntos que têm vindo a ser seguidos com atenção por esta associação de defesa do património.

A obra em curso de sustentação da margem esquerda do rio Âncora, junto ao campo de jogos, levada a cabo pela Polis/Ministério do Ambiente/Agência Portuguesa do Ambiente, merece contestação da Corema.

"De bioengenharia não tem nada"

José Gualdino, presidente da associação, respondendo a Abílio Cerqueira - um dos sócios mais interventivos na assembleia, admitiu que essa obra, de "bioengenharia", nada tinha, assistindo-se a um emparedamento da margem, temendo que, futuramente, suceda o mesmo na outra.


Referiu que falara com o vereador do Ambiente da Câmara de Caminha, Guilherme Lagido, sobre o enrocamento (mais do que um enrocamento da margem, trata-se de mero lançamento de pedra), o qual defendera uma "solução mais naturalista, com recurso a estacaria" para repor e regularizar a margem fustigada pelos temporais de Inverno de 2013/14 mas, dissera-lhe o vice-presidente: "fiquei isolado" na reunião mantida com a Polis e APA, perante o silêncio dos responsáveis pelas Florestas e ICNF.

José Gualdino referiu que pretendiam replantar esta margem com a colaboração da escola, mas a falta de verbas obstaculizou tal acção.

Problema do ferry é eterno

Abordando também a colocação dos tubos geotêxteis à frente do cordão dunar de Moledo, como forma de o defender, José Gualdino disse ser impossível comprovar a sua eficiência, porque o Inverno deste ano não foi de molde a testar a sua capacidade de resistência à ondulação.

Analisando a situação decorrente das dragagens no canal do ferry-boat, no rio Minho, José Gualdino explicou que tinham sido chamados pelo vereador do Ambiente, sendo então informados que se tratava de uma pequena intervenção, relativa à qual não colocaram reticências. Realçou, no entanto, que já em 1992, quando o projecto do ferry-boat se iniciou, tinham apresentado uma queixa em Bruxelas - sem consequências -, devido aos problemas que o canal transversal poderia acarretar. Após referir que 2/3 dos inertes extraídos do leito do canal ficam em suspensão, admitiu que o problema da sua manutenção se manterá no futuro, devido à inexistência de condições naturais.

Não artificialização das ecovias

A instalação de ecovias na margem do rio Minho foi outro dos pontos discutidos, prevalecendo a ideia de que nos já trilhos existentes, não se deveria construir tapetes artificiais (vermelhos !), nada condizentes com a vegetação envolvente e que se degradam ao fim de alguns anos, obrigando a despesas extras para a sua reabilitação (embora a Polis ainda não tenha decidido sobre quem recairá a responsabilidade dessa manutenção). Foi ideia assente nesta assembleia que com uma simples limpeza dos caminhos, para que os passeios a pé ou de bicicleta se realizem com segurança, se resolveria a questão de ecovia em muito dos seus troços.

O aterro executado na margem do Rego da Torre, em Lanhelas, em zona do domínio público marítimo, foi outro caso criticado nesta reunião.

Cães de guarda para proteger rebanhos do lobo

A Corema propôs a criação de um grupo de trabalho que estude as intervenções a levar por diante na Serra d'Arga e que evitem o ataque dos rebanhos pelos lobos. A distribuição de cães de guarda pelos pastores e criadores de gado seria uma das soluções, frisou José Gualdino, caso contrário, "será uma luta perdida".

Este ambientalista adiantou que aguardam por uma posição do Instituto da Conservação da Natureza e Florestas, porque as pessoas "já não acreditam nas entidades oficiais", nomeadamente, devido aos atrasos nos pagamentos das indemnizações dos animais abatidos pelo lobo.

Bióloga centrada nos temas ecológicos

Após a eleição dos corpos gerentes para o próximo biénio, falamos com Ana Cristina Lages, uma lanhelense licenciada em bilogia e geologia pela Universidade do Minho, em cuja faculdade se encontra presentemente a completar o mestrado em ecologia, e que pela primeira vez vai assumir responsabilidades directivas nesta associação ambientalista com sede na sua terra.

Após ter sido convidada para integrar a direcção, decidiu aceitar "porque é a minha área e é de todo o meu interesse fazer parte de uma associação deste nível, principalmente sendo da minha terra".

Embora nos últimos tempos não tenha acompanhado com regularidade os projectos desenvolvidos pela Corema, "agora que estou aqui mais perto, pretendo fazê-lo", nomeadamente na área da ecologia, aquele que domina melhor por inerência da formação universitária adquirida, apontando tudo o que se relaciona com a zona fluvial e avi-fauna.

Espera que o seu exemplo como responsável pela Corema, venha a ser seguido por outros jovens, porque, infelizmente, "no concelho de Caminha, ainda não há muitas pessoas sensibilizadas para esta área", designadamente, a juventude.

Novo site

Durante todo este mês, a Corema vai criar um novo site, com e a respectiva página de Face-book, que permita divulgar atempadamente a suas actividades e servir de ligação entre os seus sócios.

Documentário sobre a camarinha

No final da reunião foi exibido um documentário de uma professora universitária da Andaluzia com a qual esta associação tem colaborado, sobre a camarinha (corema album).


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