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CINEASTA MANUEL DE OLIVEIRA VISITOU EXPOSIÇÃO DO ARQUITECTO QUE PROJECTOU A SUA CASA
Com 94 anos, o decano e o mais galardoado dos realizadores portugueses de cinema a nível internacional, Manuel de Oliveira, não deixou de reconhecer a importância da obra daquele que projectou a sua casa na cidade do Porto (1939), e marcou presença ao fim da tarde do passado dia 19, na Oficina Fontes, em Vilar de Mouros, onde decorre uma exposição do arqº José Porto.
Visivelmente interessado em tudo o que constituiu o espólio espelhado nesta mostra que continua a registar significativa afluência de público, Manuel de Oliveira procedeu a um "flash-back" junto dos desenhos referentes à sua casa da Rua da Vilarinha, na Invicta, e que agora se encontra em processo de classificação pelo IPPAR, recordando pormenores dos interiores da habitação, as ideias e sugestões adiantadas nessa época pelo arquitecto vilarmourense.
Junto a um dos placardes exibindo pormenores da vida e obra do arquitecto, Manuel de Oliveira comentou as fotografias dos "décors" do filme Aniki-Bóbó (realizado por si) da autoria de José Porto, outra das suas facetas igualmente reveladas nos cenários idealizados para as representações teatrais do Centro de Instrução e Recreio Vilarmourense.
Manuel de Oliveira escusou-se aprestar quaisquer declarações ao C@2000, antes preferindo o recato de um regresso ao passado muito próximo, como o foram a moradia -que já não é sua- e as filmagens que já constituem património dos primórdios do cinema português.
Só por esta presença -além de tudo o mais-, Vilar de Mouros voltou a ser uma referência a seguir por outras colectividades e freguesias deste concelho.
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Verdade e mentiras sobre a organização da Homenagem ao Arquitecto José Porto

No passado dia 11 de Outubro, o Centro de Instrução e Recreio Vilarmourense (CIRV) e a Junta de Freguesia de Vilar de Mouros, organizaram a Sessão Pública de Homenagem ao Arqº. José Porto (a que se seguiu a inauguração da Exposição sobre a sua vida e obra), fazendo justiça a um benemérito da freguesia e, sobretudo, respondendo a um imperativo cultural que nos diz que o arquitecto vilarmourense deve ocupar o lugar que lhe compete na história da arquitectura moderna portuguesa.
Nessa ocasião, entre os merecidos agradecimentos às pessoas e entidades que apoiaram esta iniciativa (com um particular destaque para a Ordem dos Arquitectos, Instituto Português do Património Arquitectónico e EB 2,3/S de Caminha), o Presidente do CIRV, o representante da Ordem dos Arquitectos e o coordenador do projecto, lamentaram e criticaram a atitude da Câmara Municipal de Caminha ao longo do processo da sua preparação, nomeadamente a ausência de resposta aos repetidos pedidos de apoio e financiamento até às vésperas da inauguração da Exposição no início de Outubro.
Publicadas estas declarações na comunicação social local, entendeu a Senhora Presidente da Câmara Municipal de Caminha reagir a estes lamentos críticos, qualificando-os de "injustos e desajustados" e de serem "pura mentira", acusando a seguir a organização de ter ignorado a presença de um vereador do executivo presente no acto e "por este não ter tido a oportunidade de defender o órgão que representava". Finalmente, a Senhora Presidente da Câmara afirma, estamos a citar, que "em sua casa, cada um gere os recursos como entende", concretizando que, face a estas posturas (supostamente, as que não calam as críticas quando elas se justificam) a instituição a que preside irá repensar para o futuro a política de atribuição de subsídios.
Mesmo tendo em conta que a figura do Arqº. José Porto e a dimensão cultural deste evento mereceriam ficar salvaguardadas de questões laterais que em nada contribuem para a dignificação do seu nome e obra, a gravidade das afirmações da Senhora Presidente da Câmara Municipal de Caminha e o bom nome do Centro de Instrução e Recreio Vilarmourense, instituição de utlidade pública fundada em 1935, obriga-nos a repôr a simples verdade factual sobre o que se passou ao longo do processo:
- o Projecto de Homenagem ao Arqº. José Porto foi apresentado à Câmara Municipal de Caminha (CMC) em Abril de 2003, respeitando escrupulosamente as normas, critérios e prazos que o Pelouro da Cultura tinha recentemente entendido fazer aprovar em reunião do executivo camarário, tendo sido solicitado um pedido de financiamento de 10.000 euros para um projecto que estava orçamentado em 18.500 euros, ao mesmo tempo que se alertava a CMC para a extrema importância da obra do Arqº. Porto, nomeadamente no nosso concelho;
- nos meses que se seguiram, e dado o silêncio da CMC, o Presidente e outros membros da Direcção do CIRV tentaram por inúmeras vezes obter uma resposta a este pedido de financiamento mas só por duas vezes foi possível abordar o assunto directamente com o Senhor Vereador da Cultura Humberto Domingues, obtendo sempre como resposta que o orçamento global para a atribuição de subsídios a eventos culturais ainda não estava decidido;
- depois da saída do Senhor Vereador Humberto Domingues e da consequente reorganização de pelouros no passado Verão, o Presidente do CIRV voltou a abordar a questão com o Senhor Vereador Paulo Pereira, obtendo primeiro como resposta que estava ainda a inteirar-se dos assuntos pendentes e, numa segunda reunião, que o orçamento para a atribuição de subsídios estava nesse momento nas mãos do responsável financeiro da CMC;
- quando da inauguração da exposição "Uma visita ao Concelho de Caminha com o Bilhete Postal Ilustrado" que, em boa hora, a CMC organizou e está patente desde então no Museu Municipal, o Presidente da Junta de Freguesia de Vilar de Mouros teve oportunidade de abordar pessoalmente a questão com a Senhora Presidente da Câmara, agora assumindo igualmente o Pelouro da Cultura, para o facto de se aproximar a data da Exposição sem que a CMC desse qualquer resposta ao CIRV, ao que lhe foi respondido que o assunto iria ser tratado rapidamente;
- as semanas foram contudo passando com a CMC sempre em silêncio até que, depois de no dia 30 de Setembro terem sido distribuídos os convites para a Sessão Pública de Homenagem a todos os membros da Assembleia Municipal, da vereação e executivo da CMC e de vários artigos na imprensa local terem chamado a atenção para a importância da obra do Arqº. Porto, o Presidente da Direcção do CIRV foi chamado à Câmara no dia 3 de Outubro para lhe ser comunicado que ia ser proposto na reunião seguinte do executivo municipal a verba de 2.500 euros de apoio à iniciativa;
- por conseguinte, seis meses (!) depois de ter sido solicitado pela primeira vez, chegou o dia da Sessão Pública de Homenagem e inauguração da Exposição, em 11 de Outubro de 2003, e a CMC ainda não tinha atribuído oficialmente qualquer subsídio a esta iniciativa (só o faria na reunião camarária de 17 de Outubro) mas, entretanto, dada a ausência desse apoio, o financiamento da montagem e divulgação da Exposição, edição do catálogo e dignificação da campa do Arqº. Porto no Cemitério de Vilar de Mouros, foi sendo assegurado exclusivamente pela Junta de Freguesia de Vilar de Mouros, tendo sido abandonada por falta de verba a projectada escultura em ferro de homenagemà obra modernista do Arqº. Porto, a executar pelo Escultor Humberto Mesquita, que iria ser colocada no Largo da Torre.
Quanto ao que se passou no dia 11 de Outubro na Oficina Fontes com o Senhor Vereador Paulo Pereira, em representação do executivo da Câmara Municipal de Caminha, eis igualmente a verdade dos factos:
- a Sessão Pública de Homenagem ao Arqº. José Porto estava marcada para as 16 h mas iniciou-se só por volta das 16.30 h. Contudo, mesmo assim, o Senhor Vereador Paulo Pereira chegou atrasado e a meio das intervenções que foram então proferidas pelos membros que compunham a mesa da sessão. Dada a grande afluência de pessoas que lotavam a sala da Oficina Fontes, a sua presença não foi sequer notada pela mesa e, mesmo que o fosse, naturalmente que não se justificaria interromper a cerimónia para o receber ;
- finalizadas as intervenções e proferidos os citados lamentos críticos à actuação da CMC, não se percebe como poderia o Senhor Vereador (que nem sequer as tinha ouvido todas) defender-se publicamente: convém lembrar que se tratava de uma sessão de homenagem, não de um debate ! ;
- apesar de, como se viu, não ter a organização grandes motivos de satisfação para com a actuação da CMC em todo o processo, o Senhor Vereador Paulo Pereira, pode testemunhar melhor do que ninguém, que foi depois cumprimentado e guiado pela exposição pelo Presidente da Direcção do CIRV, Presidente da Junta de Freguesia de Vilar de Mouros e coordenador do projecto, tendo sido aliás das últimas pessoas a abandonar a Oficina Fontes.
Reposta assim a verdade dos factos sobre o que se passou, resta assim uma explicação para o comportamento da Câmara Municipal de Caminha ao longo de todo o processo: como diz a Senhora Presidente, em "SUA casa cada um gere os recursos como entende" e pelo menos ficou agora a saber-se que a figura do Arqº. José Porto, o homem que remodelou o Edifício dos Paços do Concelho e a saudosa Docelândia, trabalhou no primeiro plano de urbanização de Caminha e é o responsável pelo mais importante e diversificado conjunto de obras arquitectónicas do concelho no século XX, vale mesmo muito pouco para aqueles que, temporariamente, como mandam os preceitos democráticos, gerem os recursos financeiros provenientes dos NOSSOS impostos e postos ao dispôr da NOSSA casa municipal.
Concluindo, estamos conscientes que ao dizer frontalmente a verdade sobre o que aconteceu com o Projecto de Homenagem ao Arqº. José Porto, arriscamo-nos a comprometer para o futuro próximo o apoio deste executivo camarário a outras iniciativas do CIRV, já que as palavras da Senhora Presidente da Câmara não deixam grande margem para dúvidas quando afirma que certas "posturas" obrigarão a repensar a política de atribuição de subsídios. De qualquer forma, cremos que não temos muito a perder : com excepção de 375 euros (subsídio anual que é dado a todas as colectividades) desde Janeiro passado que esta instituição não recebe um cêntimo da Câmara Municipal de Caminha, incluindo o habitual apoio financeiro para a Escola de Música do CIRV, desde sempre assegurado pela municipalidade.
A Direcção do Centro de Instrução e Recreio Vilarmourense
O coordenador do Projecto de Homenagem ao Arqº. José Porto
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ANTIGOS FERREIROS DE VILAR DE MOUROS INSISTEM NA TRANSFORMAÇÃO DA OFICINA FONTES NUMA GALERIA DE ARTE
Antigos ferreiros que iniciaram a sua profissão na agora desactivada Oficina Fontes, existente no Lugar da Ponte, em Vilar de Mouros, voltaram a encontrar-se no III Convívio, persistindo na ideia de criar um museu permanente neste espaço, onde agora decorre uma exposição de um homem "muito familiar na nossa antiga empresa" e com quem "alguns de nós pudemos aprender, um pouco do seu saber e, orgulhosos, podemos ver e apontar aos nossos descendentes, as obras que executamos da sua autoria", conforme se referiu Plácido Souto -um dos organizadores do encontro-, ao arqº José Porto.
A coincidência do convívio deste ano, com a realização da exposição da obra do vilarmourense José Porto, transformou a antiga oficina da qual saíram mestres e operários qualificados numa "autêntica galeria de arte", salientou Plácido Souto, acabando por tornar-se numa "justa homenagem e um reviver de tantos desenhos que há muitas décadas passaram pelas nossas mãos", salientou.
"PEDRADA NO CHARCO"

A possibilidade de criar um "espaço de exposição permanente do seu rico espólio de ferraria que foi, com início nos meados do séc XIX" constituiu, uma vez mais, a ideia vinculada por este organizador do convívio, pelo que sugeriu a criação de uma "Comissão Pró-Museu de Ferreiros", com a finalidade de tornar "este sonho numa autêntica realidade ainda à luz dos nossos olhos".
"A tradição secular desta arte" em Vilar de Mouros -"pioneira a nível distrital"- a própria construção da oficina e a sua localização geográfica, deverão revelar-se razões bastantes para que as "entidades culturalmente responsáveis, olhem com dignidade as coisas e saibam escutar a voz de quem, com autoridade moral" requer uma "justificada e necessária atenção", assim justificou este antigo ferreiro da Oficina Fontes e que ainda hoje exerce a sua profissão na freguesia onde nasceu, depois de uma passagem por Lisboa.
Após a concentração e visita à oficina, onde reviveram histórias, instrumentos, saberes e recordaram os antigos mestres, os ferreiros reuniram-se num almoço de confraternização num restaurante local.
Foi a oportunidade para recordar os que já não puderam marcar presença e saudar o "mais velho colega da Casa Fontes" participante pela primeira vez neste convívio: Eduardo Augusto Gomes, de 85 anos, natural de Lanhelas mas residindo em Seixas.
"VERDADEIRA ESCOLA"

Emocionado, recordou ao C@2000 as saudades que sentia por aquela "boa gente" que criou uma verdadeira escola naquela serralharia, onde se iniciou na arte aos onze anos, em 1929, pelas mãos dos mestres Manuel, José e João Fontes, inigualáveis na "educação e no trabalho", frisando que naquela oficina "não havia palavrões, exaltações nem coisíssima nenhuma, dentro de um regime de honestidade, seriedade e bom ambiente" .
"Tive pena que ao fim de quatro anos tivesse de abandonar, porque a minha mãe enviuvou, éramos quatro irmãos e não havia quem ganhasse dinheiro para a casa e tive de emigrar para Lisboa", assinalou com alguma nostalgia.
Foi recomendado a um dos irmãos Fontes (Abrãao) a fim de lhe dar trabalho, mas a crise era muita e acabou por se valer de um conterrâneo (Avelino Pontes) que lhe arranjou emprego na casa de Casimiro Pontes, embora não fosse abraçar a arte iniciada nos Fontes.
Eduardo Gomes expressou a sua satisfação pela realização da exposição de homenagem ao arqº José Porto, recordando um sobrinho seu (Mário) que praticava atletismo (participou nos Jogos Olímpicos de Munique), quando, um dia, o desafiou a fazer uma corrida. "Ele a pé e eu na bicicleta que utilizava para ir para o trabalho na oficina", assinalou.
"Fomos ambos para o Largo do Casal, pusemo-nos junto a uma baliza, partimos, e ele chegou à outra primeiro do que eu!", relembrou Eduardo Gomes este episódio da sua juventude, tal como muitos outros que teve oportunidade de trazer à memória com os seus antigos colegas de oficina.
A exposição JOSÉ PORTO (1883-1965) DESVENDANDO O ARQUITECTO DE VILAR DE MOUROS mantém-se patente na Oficina Fontes (Largo da Torre, Vilar de Mouros) até ao dia 2 de Novembro, com abertura às 6ªs feiras, Sábados e Domingos (15.00 h - 19.00 h) e, por marcação antecipada, em outros dias da semana.
JUNTA DE FREGUESIA DE VILAR DE MOUROS
Horário de Atendimento ao Público
De 2ª a 6ª Feira - 19H / 20H
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MEMÓRIAS DA SERRA D'ARGA |
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Autor Domingos Cerejeira |
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