O plano estratégico da intervenção para requalificação e valorização do litoral Norte, ultimamente tem-se desdobrado na execução de obras de ampliação de parques de estacionamento.
Por estranho que pareça, a maior parte destas ampliações são sobre a rede Natura 2000, mas também em terrenos particulares, como o caso do parque de estacionamento localizado em terrenos do Âncora Praia.
Enquanto isso sucede, quando nos deslocamos pelos passadiços, executados há tempos atrás, em cima do cordão dunar verifica-se que as placas que a C.C.D.R.N. tinha colocado ainda antes da execução daqueles, " que aconselhava a brincar na areia e pedia para não pisar as dunas" foram literalmente abafadas pelas acácias. Mas compreende-se, pois a natureza não pactua com mentiras e procurou esconder as eternas promessas que não se cumprem!..

Os projectos da "Polis Litoral Norte", vão dar origem a um maior fluxo de pessoas à corda litoral, esquecendo-se que:
1º- O cordão dunar, quando os limites de carga humana são excedidos, agrava a erosão dunar, originando maiores problemas na corda litoral portuguesa.
2º -Além disso, a ampliação dos parques de estacionamento, está a ocupar área da "Rede Natura" reduzindo as áreas de um projecto de preservação da flora e fauna europeia, que tinha por objectivo garantir um espaço protegido, onde se encontram várias espécies endémicas bem como a delimitação da linha marítima e garantir a protecção do avanço do mar.
3º- Estas intervenções caracterizam a realidade de um plano estratégico cujas scções irão garantir mais gastos no futuro.
Claro que quem paga é o "Zé contribuinte" que sente na pele as obras disparatadas que esta gente faz. Depois, tem de fazer obras para a recuperação do cordão dunar, situação que podemos ver em Vila Praia de Âncora, Castelo do Neiva, S. Bartolomeu, Ofir etc.
Toda esta dinâmica da Polis litoral Norte, não passa de um hipotético apoio ao turismo, pois por um lado vai trazer mais turistas, por outro esse aumento vai originar um pisoteio, que irá agravar a erosão dunar.
Fazem parques de estacionamento em cima da rede Natura2000 para as pessoas não andarem muito, para chegarem á praia. Por outro lado fazem passadiços para as pessoas andarem a pé.
A situação leva-nos a pensar que todos os argumentos utilizados por essa gente, são falsos e quem é prejudicado é o erário público, melhor dizendo é o povo português. De facto, hoje não restam dúvidas de que o padrão de ocupação do litoral português é de uma voracidade insustentável, porque a falta de criatividade do poder político cria condições para isso.
Os responsáveis continuam a fazer o que sempre fizeram, criar condições de migração de populações do interior para o litoral, dando origem à massificação deste em detrimento da desertificação do interior.
Enquanto isso acontece, esquecem-se de fazer a manutenção de equipamento executados, como o caso dos passadiços, que se continuam a degradar, apresentando-se com peças partidas, ou levantadas, impossibilitando a circulação a deficientes e até tornando-se perigosa a circulação de pessoas sem problemas físicos.
A eliminação do acacial que existe em toda a corda litoral, não é feito. Este tem vindo a desagregar e abafar diversos passadiços, dificultando o acesso a quem os utiliza, estando quase a impossibilitar a sua utilização.
A manutenção devia ser prioritária, porque quer queiram quer não, no futuro terá de ser uma realidade, portanto quanto mais cedo começarem a faze-lo, melhor para todo o cordão dunar, pois pode originar um desenvolvimento de vegetação apropriada à sua consolidação e consequente plantação de flora autóctone, de forma a poder resistir melhor às investidas do mar, que devido ao aquecimento global e à execução de obras que potenciam a erosão, além dos fenómenos naturais que pontualmente sucedem, estão a agravar a erosão do litoral português.