Luís António Marrocos cumpriu no passado dia nove, 102 anos de idade, com toda uma vida dedicada à construção do carocho - o barco típico do rio Minho.
Natural e residente em Lanhelas, assinalou o dia na companhia da sua família, junto à carpintaria que lhe serviu de local de trabalho artesanal "desde os 14 anos, na companhia de meu avô", agora que está arredado dessas lides, tendo passado o testemunho a um neto que possui uma pequena oficina a cerca de 20 metros da sua para manter a tradição familiar.
Passa o tempo a ver televisão, mas "aborreci-me com o último jogo de Portugal, quando o guarda-redes se pôs a brincar com a bola e foi parar aos pés do outro", lamentou-se. Dá uns pequenos passeios pelo quintal e ao fim-de-semana "levam-me até ao café para ver jogar dominó".
Presença habitual na Festa das Solhas e que no último fim-de-semana teve mais uma edição, não deixou de visitar o recinto dos Jardins de S. Gregório e "até trouxe uma solha para casa para comer e estava boa", reconheceu.
Não tem qualquer ideia de quantos carochos construiu, recordando apenas que as encomendas choviam antes do início das safras das lampreias, sáveis e solhas, a par dos períodos áureos do contrabando de meados do século passado, em que "construía um barco em seis dias", ainda no tempo em que as colas, madeiras e ferramentas não eram como as actuais.
Teve seis filhos (quatro rapazes e duas raparigas), nove netos e 10 bisnetos.