Jornal Digital Regional
Nº 409: 11/17 Out 08 (Semanal - Sábados)
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LANHELAS

CONSTRUTOR DE BARCOS CAROCHOS
HOMENAGEADO NA SUA TERRA

"É uma homenagem de aniversário e também à singularidade"
Junta de Lanhelas

"A memória é uma qualidade humana que importa manter a todo o custo"
Corema

Aos 100 Anos, Luís António Marrocos foi homenageado pela Junta de Freguesia de Lanhelas e Corema no passado dia 5 de Outubro, uma data que se identifica com a vida do próprio artesão, já que nasceu dois anos antes da implantação de República.

Em ambiente familiar e festivo, bem disposto, excelente conversador e bom garfo, Luís Marrocos recebeu como prenda uma réplica de um barco carocho da autoria de outro mestre artesão - o ancorense Norberto Carrelo -, uma peça apreciada pelo homenageado, considerando que "está bem feito", ao mesmo tempo que apreciava detalhadamente a miniatura.

Teve ainda direito a um bolo de aniversário, cantaram-lhe os parabéns e pôde voltar a visionar partes de um DVD gravado há uns anos atrás pela Corema e Junta de Freguesia, em que o próprio é um dos entrevistados, pela sua condição de construtor de barcos carochos.

"CONVIDO, POR ISSO, TODOS OS PRESENTES A TOMAREM PARTE NESTA HOMENAGEM, LEVANTEM OS VOSSOS COPOS E BRINDEMOS!"

Rui Fernandes, presidente da autarquia lanhelense, viu no homenageado "aquilo que esta freguesia tem de mais importante: o seu Rio Minho", ao qual "dedicou grande parte da sua vida", sublinhou.

Não deixou de enfatizar igualmente o facto de um cidadão lanhelense ter atingido pela primeira vez os 100 anos, motivo igualmente digno de celebração, disse, atendendo ainda ao facto de chegar a esta idade "com a lucidez de pensamento, de discurso e de mobilidade com que o homenageado se nos apresenta", representando "uma inspiração para nós".

O autarca reviu-se na "sapiência, conhecimento e experiência de vida" que Luís Marrocos representa para todos os lanhelenses, o que, por si só, justificou a homenagem a um homem que "marcou a diferença ontem e hoje e que deixará a sua marca no futuro, através dos ensinamentos que transmitiu aos filhos e netos, naquilo que de melhor sabe fazer: a arte artesanal da construção naval".

"ESPERAMOS PODER CONTINUAR, POR MUITOS MAIS ANOS, A OLHAR O MINHO TAMBÉM ATRAVÉS DOS SEUS OLHOS"

Da parte da Corema, José Gualdino, reconheceu que "alcançar um século de existência, por si só, constitui motivo suficiente para homenagear alguém" que "soube com as suas próprias mãos, dar vida ao património etnográfico e fluvial do Rio Minho", numa referência à construção de centenas de carochos -"a embarcação mais emblemática deste curso de água", e em relação à qual Luís António Marrocos "ficará para sempre ligado".

Recordou ainda que este artesão e o seu carocho, são "um elo da memória colectiva dos habitantes de Lanhelas e das gentes da Ribeira Minho", quando apenas restam alguns exemplares da "frota negra" (…) "teimando em sulcar as águas do Minho, resistindo à insensibilidade e ao atavismo das autoridades, remando contra a maré de um desenvolvimento completamente vesgo e insustentável".

O presidente da Corema elogiou o "contributo precioso" de Luis Marrocos, "enquanto repositório e afirmação de um saber muito antigo que não deveremos, por nenhum preço, fazer desaguar no mar do esquecimento".

Por tal motivo, a Corema manifestou o seu pleno agrado pela "merecida homenagem" a que se associou, a uma pessoa que "guarda em si um século de testemunhos que se entrelaçam no Rio Minho, rio que constitui, talvez, a fronteira política mais antiga da Europa".

João Nunes, autor do DVD, igualmente presente neste almoço, mostrou-se agradecido a Luís Marrocos quando este "nos abriu as portas da oficina há 20 anos", revestindo-se esse contacto de "fundamental para mim".

Disse ainda ser importante que este património não morra, e Lanhelas tem contribuído para que ele se perpetue, frisou.

"GOSTEI DA HOMENAGEM"

Filho Neto

O homenageado, depois de receber o carocho e apreciá-lo, considerou que "está bem feito", reconhecendo que esta embarcação "é como se fosse um filho", mostrando-se esperançado que o seu neto também de nome Luís, consiga manter a tradição da família, fazendo barcos nos feriados e sábados.

Sobre a homenagem, "não sei o que dizer, acho que está tudo bem", confidenciou-nos, mostrando-se contente por ter parte da família à sua volta, uma vez que outros se encontram em França.

Familias de Barqueiros

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Os Rochas nascidos de anciã gentilidade
Na quinta da Graça de outros tempos
Gente de nobre formação e amabilidade
Gravada na capela estão seus veros talentos.

O destino das gerações leva a outras chefias
Todos se ligaram à nobre artesã carpintaria
Em paralelo com a artistica marcenaria
No carôcho foram de inovadora maestria.

Barcos do Minho deslizando velozmente
Da prôa à cuanha equilibrio e aprumação
Carôcho à vela ou a remos alinhadamente
Os Rochas foram artesãos de lídima geração.

Desta tribo, Joaquim Rocha era a cimeira
Amadeu, Luis, Antonio, José, Alvaro e João
Todos com qualificada capacidade barqueira
Em Portugal e Espanha elevaram a navegação.

José, conhecido por Zé da Graça ou Zé Barqueiro
Meu avô, por isso mesmo posso testemunhar
Que era exímio construtor do carôcho veleiro
Ou a remos, era um primor vê-los a navegar.

Construiu muitos géneros de embarcação
Por outros estaleiros, do mar ao rio minho
Com seu pai e irmãos, fôra pescador e artesão
Carpinteiro, agricultor, em tudo era exímio.

Em Lanhelas, nos resta o artesão barqueiro
Agora desfrutando sua reforma merecida
Já com os seus cem anos mesmo inteiros
O Luis Marrocos ligou ao carôcho sua vida.

E se agora neste barco muito se fala
É bom relembrar todas as belas mãos
Que nele operaram com tanta garra
Fazendo dele património de artesãos.

Lanhelas, 15 de Setembro de 2008
António de Rocha Vasconcelos

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