Passagem pedonal da Travessa do Teatro, assoreamento do Portinho, Duna dos Caldeirões e instalação de grande superfície comercial, são os quatro problemas que Carlos Castro, presidente da Junta de Freguesia, define como mais "prementes" na freguesia que gere com a sua equipa há quase quatro meses.
Estes casos foram apresentados pelo autarca no início da reunião camarária descentralizada que decorreu na Casa do Orfeão no passado dia 26 de Fevereiro, e em que o tema central foi a polémica instalação de uma superfície da marca Continente na Sandia, à qual nos referimos na edição anterior e realizamos um vídeo.
"Importância do debate cara a cara"
Ao ser dada a palavra ao autarca e moradores ancorenses, Miguel Alves, presidente do executivo camarário, enfatizou esse "momento de grande capacidade para as pessoas se juntarem", ao passo que José Alfredo Costa, recém-eleito presidente da direcção da associação em cuja sede decorreu a concorrida reunião, considerou uma "honra" a escolha camarária e saudou o facto de pela primeira vez ter visto esta casa a "abarrotar".
A marca da Praia das Crianças
A criação de uma "marca" da Praia das Crianças foi defendida pelo ancorense Álvaro Meira, justificando-a pelo ineditismo deste espaço natural que, contudo, precisa de ser salvaguardado, de modo a que venha a ser contemplado com a Bandeira Azul (BA).
É habitual que após cada intervenção os vereadores esclareçam as dúvidas e perguntas dos intervenientes, como sucedeu neste caso com Guilherme Lagido a reconhecer que a eliminação dos focos de poluição "é uma das maiores preocupações deste executivo".
Frisou que a concessão da Bandeira Azul implica análises às águas com bons resultados durante três anos consecutivos, devendo 2014 constituir um ano de "mudança", ao pretenderam um cuidado "redobrado" nesta matéria, levando-os a estabelecer três pontos de recolha de amostras, a montante e jusante da ETAR da Gelfa e na foz do rio Âncora.
O vereador Guilherme Lagido admitiu que se vierem a revelar-se focos de poluição em locais que "não imaginamos", será "muito mais complicado" resolver a situação e obter a BA a "breve trecho".
Aproveitando o tema, Miguel Alves aludiu à situação da Duna dos Caldeirões, uma questão "assustadora", assim a definiu, a qual tem vindo a ser acompanhada pelas autarquias e ministério do Ambiente.
"Projecto sério" para o Dólmen da Barrosa
Passando da temática ambiental para a patrimonial, Brito Ribeiro, membro do NUCEARTES, abordou a situação do Dólmen da Barrosa e Cividade de Âncora.
Este morador pediu um "projecto sério" para o dólmen e zona envolvente e manifestou a sua discordância relativamente à colocação de um parque de lazer radical nas proximidades do monumento classificado. Sugeriu a instalação de um painel interpretativo desta anta e a criação de um núcleo museológico.
O abandono a que a Cividade de Âncora foi votada durante muitos anos, poderá ter agora um novo desenvolvimento após a assinatura de um protocolo a 24 de Julho do ano passado, com a Câmara de Viana do Castelo,
No entanto, Brito Ribeiro frisou que o município vizinho já procedera à limpeza da sua área, o que ainda não sucedera na de Caminha, levando-o a perguntar se esta estação arqueológica se encontrava classificada ou não.
"É um diamante que Vila Praia de Âncora não usa"
A preocupação em relação ao Dólmen da Barrosa foi reconhecida pelo presidente do Executivo, sabendo da existência de um projecto anterior.
A recuperação deste espaço poderá ser objecto de uma candidatura ao próximo Quadro de Referência Estratégico Nacional (2014-2020), atendendo à importância de que toda a Quinta da Barrosa se reveste, classificando a anta como "um diamante que Vila Praia de Âncora não usa".
Aproveitando a discussão deste tema, o vereador da oposição Flamiano Martins recordou a existência de um compromisso com três irmãos que deverão receber outros tantos apartamentos pela troca de um terreno, a norte da Quinta da Barrosa.
Miguel Alves, referindo-se à Cividade de Âncora, definida como "um marco muito importante", recordou a veemência com que o presidente da Junta de Freguesia de Âncora tem vindo a defender a sua preservação e divulgação, tendo já sido ordenada a sua limpeza. Referiu ainda a escolha deste local para a partida da Caminhada a realizar no próximo Sábado, até ao município de O Rosal, dentro do programa do Caminho de Santiago pela Costa.
"Deram-nos um rebuçado com fel lá dentro"
A Reforma Administrativa (mais conhecida por Lei Relvas) e a transferência de competências para as freguesias sem as correspondentes contrapartidas financeiras mereceram um comentário da parte de Manuel Marques, representante da ANAFRE no distrito e ex-presidente da Junta de Freguesia de Vila Praia de Âncora.
O actual delegado do PSD na AF de VPA referiu-se ao repúdio que essas leis causaram no seio dos eleitos nas freguesias, expresso no último congresso, em que "800 autarcas exigiram a devolução das freguesias liquidadas".
Face à união verificada nesse congresso, Manuel Marques pediu a Miguel Alves que se definisse quanto ao posicionamento a tomar, atendendo, inclusivamente, à unanimidade registada nessa matéria no concelho de Caminha, assim como às transferências de verbas para as freguesias, de modo a compensá-las das transferências de competências decretadas pelo Governo, sem as devidas cautelas financeiras.
"Não sei o que isso significa"
O novo presidente do município assegurou que estava contra as agregações das freguesias e não perceber quais os ganhos de tal medida.
Recordou a palavra utilizada por António José Seguro quando abordou esta lei, ao empregar o verbo "revisitar" - ao pretender eventualmente dizer que iria revê-la -, levando Miguel Alves a dizer que "não sei o que isso significa". Contudo, o autarca caminhense afiançou que "estaremos com ele", se um dia Seguro vier a concretizar essa revisitação.
Acerca dos apoios às freguesias, Miguel Alves admitiu que será necessário "encontrar competências" que superem o problema da ausência de transferências resultante de mais uma lei "mal feita" pelo Governo.
Registe-se ainda outro comentário feito por Miguel Alves dois dias depois desta reunião, já no decorrer da Assembleia Municipal (28/Fev), quando definiu esta equipa governativa como a "mais reaccionária" que Portugal alguma vez teve depois do 25 de Abril.
Piso da Rua 13 de Fevereiro é um perigo
"Não posso abrir a porta de casa" devido à água que se acumula à entrada, protestou Maria Mabília Vasconcelos, moradora na Rua 13 de Fevereiro.
Acrescentou que nos dias de forte pluviosidade, nesta artéria com bastante trânsito, nem crianças, idosos os pessoas em cadeiras de rodas podem transitar nela.
Segundo explicou Guilherme Lagido, o problema da concentração de água nesta rua tem origem na obra da A/28, com a impermeabilização do solo agravado pelo forte declive. A situação complicou-se agora ainda mais com a passagem da concessionária inicial da obra (Euroscut) para outra empresa, sem que tivesse sido regularizado este problema, tais como sucedeu noutros pontos do traçado da ligação do ex-IC1 a Vila Praia de Âncora. Guilherme Lagido falou da existência de um imbróglio jurídico como resultado desta mudança de responsabilidades sobre a obra, o que dificulta a resolução deste caso.
Outra moradora, Maria dos Anjos Figueiras, do lugar da Rocha, queixou-se da água que se acumula no ramal de acesso à sua casa, e da sua escassa largura, o que impede a passagem de uma ambulância.
Conhecedor (bem) deste problema, Guilherme Lagido prometeu uma solução.
"Democracia é prestar contas"
No final desta reunião, cuja manutenção durante este mandato foi valorizada pelo presidente do Executivo, salientou ainda que "democracia é prestar contas".