No passado sábado, dia 1 de Março, realizou-se, na sede dos Bombeiros Voluntários de Vila Praia de Âncora, uma sessão de esclarecimento subordinada ao tema "Erosão e ordenamento do litoral de Caminha".
A iniciativa foi promovida pela COREMA e pela Associação de Pescadores Profissionais e Desportivos de Vila Praia de Âncora e contou com a presença do Prof. Álvaro Reis, Mestre em Ciências das Zonas Costeiras, pela Universidade de Aveiro, com tese sobre a erosão costeira no concelho de Ovar.
O investigador convidado começou por chamar a atenção para o facto do litoral de Caminha poder ser considerado, à partida, uma zona crítica, com possibilidade de aqui ocorrerem galgamentos do mar.
No caso concreto da Duna dos Caldeirões, a conjugação de uma forte agitação marítima, que este ano se tem feito sentir com grande amplitude, o facto de a duna ser muito estreita e existir um porto marítimo nas proximidades, fizeram com que viesse a ruir, por efeito da circulação de água por baixo da duna - cunha salina - e do galgamento.
Deu vários exemplos das consequências provocadas por intervenções de engenharia pesada (portos, enrocamentos, paredões e quebra-mares) ao longo da costa portuguesa. Todas as obras que impliquem o recurso a estruturas pesadas são perniciosas para o litoral.
Afirmou que os fenómenos de transgressão marinha têm tendência a tornar-se cada vez mais frequentes.

Confrontado com a posição de alguns participantes, no sentido de nada se fazer e esperar que a natureza reponha aquilo que o mar destruiu, o palestrante considerou que ainda estamos na situação de não "baixar os braços". Defendeu que logo que as condições o permitam deve-se proceder à reparação do cordão arenoso através da sua recarga com areia e, posteriormente, à colocação de estacaria e ao enraizamento de plantas dunares autóctones. Caso contrário, e tratando-se de uma zona já muito fragilizada, o seu desgaste acelerar-se-á. Considerou que já não existe muita margem para esperar por aquilo que vai acontecer de uma forma natural.
Afirmou que o problema do litoral português é um problema de falta de areia, daí a necessidade de realizar intervenções permanentes no sentido de realimentar as praias.
Por outro lado, o litoral está transformado num pente com esporões.
O fenómeno da invasão de acácias que se faz sentir por toda a costa está a contribuir para o desmoronamento dos cordões dunares. O Prof. Álvaro Reis chamou a atenção para a necessidade de se implementar uma gestão florestal e uma gestão florística apropriadas. A Mata Nacional da Gelfa deverá ser preservada e rearborizada, também pelo papel que desempenha na conservação e no ordenamento do litoral.
A questão dos custos das intervenções colocada por alguns participantes mereceu a afirmação do Professor de que não é aceitável que se ponha em cima da mesa as migalhas gastas com a recarga dos cordões dunares quando se anda, há vários anos, a desbaratar milhões com intervenções que em vez de resolverem e minimizarem os problemas agravam-nos.