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Desidério Afonso abandona direcção artística do Rancho em ruptura com direcção

Desidério Afonso, ensaiador do Rancho Folclórico de Dem há largos anos, aproveitou o ensaio de ontem à noite na sua sede, nos baixos do edifício da junta, para anunciar que abandonava a sua direcção artística.

Em ruptura com um "sistema" que diz haver em Dem, que já existia no passado e se prolonga na actualidade, o até agora ensaiador e dançarino chegou a falar de uma "máfia" instalada na freguesia que tudo controla.

O ensaiador deu a sua versão do funcionamento do rancho, o qual criticou, historiou o processo eleitoral que vem desde Outubro e que convergirá na assembleia geral do próximo dia 15, no qual se prevê eleger novos corpos sociais e aprovar as contas dos últimos três anos.

O ensaiador demissionário contestou a convocatória da assembleia geral, dizendo estar ilegal, não haver livros de actas, e ser "tudo isto uma autêntica bagunça"(…)"batotice" e "aldrabice" e de "andarem a ganhar dinheiro com o meu suor".

Terá tomado a decisão de abandonar o rancho que acompanhou durante toda a sua segunda fase de vida, uma semana antes deste seu último ensaio, após constatar a publicação do edital.

Aconselhou a que se "comece do zero" - como única forma de se manter no cargo -, aconselhando ainda a que se proceda à revisão dos estatutos e à legalização da associação.

"Convocatória da AG é igual à de anteriores"

As suas explicações perante os elementos do rancho e alguns dirigentes presentes suscitaram forte reacção, nomeadamente de Anacleto Gonçalves, actual presidente e que se recandidata a novo mandato, e José Mário Pires.

"És um bom falador, mas zero no trabalho", ripostou o presidente em funções, acusando o ensaiador de lhe ter dito quando o convidara para ser presidente que "para ser presidente do rancho qualquer burro serve".

Anacleto Gonçalves desafiou Desidério Afonso a dizer-lhe quantas assembleias gerais fizera "nos cinco anos em que foste presidente?", além de ter sido ele o responsável pelos estatutos actuais, os quais, "nem numeração têm", asseverou.

As deslocações do rancho e os preços de uns armários aqueceram a discussão, assegurando o presidente que as facturas estavam ali para quem as quisesse ver, afirmando que com as funções que exerce ainda tem um prejuízo pessoal entre 500 a 800€.

Anacleto Gonçalves frisou que "se me recandidato (Desidério Afonso referira que ele não pretendia continuar no cargo mas acabando por mudar de opinião), não é por meu gosto mas porque me pediram para ficar para que isto não fosse ao charco" e que se "nada estava legal neste rancho, tudo foi feito por ti", acusou.

Desidério Afonso diria que "não respondo a provocações" e que decidira falar durante o ensaio "por respeito às pessoas".

Perante a discussão travada, alguns pais de miúdos integrantes do rancho pretenderam saber em como ficava aquilo tudo, sendo-lhes garantido que os ensaios prosseguiriam, enquanto que um deles lamentou que estes assuntos não tivessem sido tratados em assembleia geral, e não perante crianças e jovens.


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