Liliana Silva e Flamiano Martins manifestaram algum incómodo pela forma como decorreu a reunião descentralizada em Vila Praia de Âncora no dia 26 de Fevereiro, em que a instalação de um grande superfície comercial a norte da vila e distribuição de um comunicado anónimo visando o presidente da Câmara (o caso encontra-se a ser investigado) foram temas dominantes.
Na primeira sessão camarária ordinária deste mês, os vereadores do PPD/PSD, Liliana Silva e Flamiano Martins decidiram voltar a abordar o que lá se passou.
A primeira, lendo um texto previamente elaborado, pediu que lhes fossem entregues as relações das pessoas que se vierem a inscrever futuramente nas próximas reuniões descentralizadas, bem como os assuntos que pretendam abordar.
Sentindo-se incomodada com as palavras do presidente da Câmara nessa sessão, a edil pediu uma gravação, dizendo que não admitia o que lá fora dito, fazendo alusão ao facto de ser "mãe de três filhas".
A edil - perfilando-se como possível presidente da Comissão Política Concelhia do PSD, segundo sabemos - criticou ainda o facto de na resposta do presidente da Câmara a um requerimento da oposição se ter falado de mais (três vezes) no nome de seu pai (ex-adjunto de Júlia Paula), embora sublinhasse que tinha grande orgulho nele.
No seguimento das palavras da sua colega de bancada, Flamiano Martins disse que deveria haver "mais respeito" nessas reuniões, devendo ser suprimidas as palmas e os apartes, tanto nessas sessões como nas da assembleia municipal.
Dois requerimentos
Este vereador entregou mais dois requerimentos (dos quais não nos remeteu cópia) relacionados com facturas por liquidar desde Outubro de 2013 e com o saldo deixado pelo executivo liderado por Valdemar Patrício quando transmitiu o poder a Júlia Paula em 2001.
Pediu ainda mais o PSD, ao pretender saber a situação financeira diária da câmara. E que o prazo de 48 horas dado para que os munícipes se inscrevam para falar nas sessões camarárias públicas seja eliminado, uma proposta considerada "interessante" por Miguel Alves, desde que os pedidos sejam entregues antes do início das reuniões.
Perguntou se havia algum desenvolvimento sobre o pedido de informação prévia para a instalação do Continente em VPÂncora (não há, respondeu Miguel Alves), centrando-se seguidamente em duas situações de trânsito: regulação do espaço de cargas e descargas existente junto ao Hotel Meira e criação de uma zona de estacionamento privativa da câmara ao lado da sede da junta de Caminha.
Esta segunda situação mereceu alguma troca de palavras, dado que a alteração prendeu-se com a realização do Caminhadoce, segundo explicou a secretária da reunião. Contudo, a alteração temporária deveria ter sido ratificada nesta sessão, como referiu Flamiano Martins e concordou o presidente, devendo, por isso, ser trazida à próxima.
O facto de não ter acompanhado a proposta de ratificação do despacho do presidente sobre a aprovação das normas de participação no concurso do corso carnavalesco em Caminha, o conteúdo da própria proposta e a confirmação da existência de fundos disponíveis que a suportassem, foi objecto de pedido de esclarecimento por parte da oposição, levando a que Miguel Alves a tivesse retirado da ordem de trabalhos, porque "há coisas que eu também tenho dificuldade em compreender" como acontecem.
O autarca esclareceu ainda que o pagamento dos prémios do corso seria assumido pela Câmara, face à impossibilidade financeira do Movimento dos Empresários e Comerciantes do Concelho em suportá-los.