Aproveitando a presença do presidente da Câmara de Caminha em Vilar de Mouros, na apresentação do IV Caderno do Património Vilarmourense (ver artigo), o GEPPAV (Grupo de Estudo e Preservação do Património Vilarmourense) proporcionou uma visita às instalações das antigas das oficinas de ferreiros (Torres e Fontes).

É sabida a vontade do GEPPAV em criar aqui um núcleo museológico em homenagem aos antigos ferreiros e serralheiros de Vilar de Mouros.
A aquisição dos edifícios e respectiva recuperação e adaptação a núcleo museológico têm merecido repetidas diligências de sensibilização junto de diversas entidades, como sucedeu nessa manhã com Miguel Alves.

No final da visita, questionámos o presidente sobre a possibilidade de dar seguimento às pretensões do GEPPAV e Junta de Freguesia.
O presidente da edilidade caminhense admitiu a importância e relevância de "preservar a memória dos ferreiros e de todos os industriais de Vilar de Mouros", não só "por nos falar do legado e da actividade industrial desta aldeia", mas também "por nos poder apelar ao futuro".

Sintetizando o seu ponto de vista, Miguel Alves referiu que um dos principais "desideratos para este mandato é o parque industrial Vilar de Mouros-Argela", conseguindo-se assim "unir o passado desta freguesia com o seu futuro e o do próprio concelho e região".
Apela desta forma a uma colaboração entre todas as forças vivas da freguesia, de modo a recuperar esta história, para que "possamos mostrar aos contemporâneos e vindouros, aquilo que já se fez em Vilar de Mouros e valorizar as gerações anteriores".
Entre preservar o passado e projectar o futuro, a câmara vai analisar a situação, sem esquecer os "condicionalismos económicos e as perspectivas e estratégias municipais".

Admitindo não ser um projecto a concretizar para esta ano ou para o próximo, disse ao C@2000 que "é obrigação da autarquia caminhense olhar para este legado e projectá-lo no futuro e, para isso, podem contar connosco", afiançou.
Juntar a este projecto a recuperação da Casa dos Barrocas, numa componente eventualmente ligada à memória do Festival de Vilar de Mouros, não é de igual modo descartada pelo autarca, ao sublinhar ainda a importância deste núcleo central da freguesia, concebido, aliás, pelo arquitecto vilarmourense José Porto.
A degradação deste local central da aldeia "é óbvia", precisou o autarca, dando como exemplos estes dois edifícios e a própria residência dos Fontes, levando-o concluir pela importância da reabilitação deste centro histórico, numa "perspectiva de um trabalho continuado".
Recordou, a propósito, um projecto de colaboração com a AMA no que toca ao Festival, para que ao longo destes quatro anos seja possível aglutinar "sinergias, que é como quem diz, financiamento, para recuperar a Casa do Barrocas", juntando-a dessa forma ao projecto das duas oficinas dos ferreiros.