Cinco séculos atrás, em 1513, Jorge Álvares foi o primeiro português a chegar à China. Poucas décadas depois, após a normalização das relações comerciais, a feitoria de Macau passou a ser o ponto de contacto privilegiado entre os dois povos. Foi com base neste relacionamento entre portugueses e chineses que o Ocidente de então conheceu o mundo Oriental. No tempo contemporâneo, após o restabelecimento das relações diplomáticas entre o novo Portugal democrático e a República Popular da China, em 1979, a questão de Macau esteve no centro das relações entre os dois países até à transferência da soberania daquele território, em dezembro de 1999. Desde aí, têm-se vindo a aprofundar as relações económicas e culturais entre Portugal e a China, nomeadamente através da emigração chinesa para o nosso país, sendo que na atualidade são significativos os interesses chineses na economia portuguesa.
Pouco se sabe sobre os contactos específicos entre o concelho de Caminha e a China ao longo dos tempos, que podem ter existido mercê do conhecido envolvimento da vila marinheira da foz do Minho nos negócios do grande comércio marítimo internacional de quinhentos. Mais perto do nosso tempo, no início do século XX, um episódio curioso quase fazia do renomado músico ancorense Joaquim Fernandes Fão o autor da música do hino da República chinesa em 1918.
Enfim chegados a este dealbar do século XXI, o concelho conta hoje no seu tecido económico com diversos comerciantes chineses nas vilas de Caminha e da Praia de Âncora, aqui instalados com as suas famílias à procura de melhores condições de vida, razão bem nossa conhecida, emigrantes como sempre fomos. Contribuindo com o seu trabalho e esforço para a riqueza do município, os seus filhos frequentam as escolas do Agrupamento, evidenciando-se pela postura cívica exemplar e reconhecida aplicação nos estudos.
A comemoração do Ano Novo Chinês de 2014, de 30 para 31 de janeiro, grande momento festivo para o povo chinês, no seu país e na diáspora, constitui-se pois como o pretexto ideal para aprofundar o nosso conhecimento cultural e social sobre a China de hoje e, desse modo, exprimir a amizade e respeito pela comunidade chinesa que vive e trabalha no concelho de Caminha.