www.caminha2000.com - Jornal Digital Regional - - Semanário - Director: Luís Almeida

1ª Pág.
Cultura
Desporto
Óbitos
Política
Pescas
Roteiro
Ficha Técnica
Edições C@2000
Assinaturas
Email

Vilar de Mouros

GEPPAV aposta na ideia de "Vilar de Mouros - Aldeia Industrial"

Lançamento do IV Caderno do Património Vilarmourense dedicado às minas (Castelhão e Fonte Nova) e mineiros da freguesia

Cinco livros em dez anos

"O que temos do passado, ajuda-nos a fundamentar uma decisão para o futuro", frisou a geóloga Raquel Alves (possuidora de mestrado sobre a mina de Castelhão e doutoranda da Universidade do Minho sobre um contexto alargado da mineração da Seqrra d'Arga), co-autora do IV Caderno do Património Vilarmourense apresentado nas instalações do Centro de Instrução e Recreio Vilarmourense (CIRV) na manhã do passado dia 19.

O livro "Minas e Mineiros em Vilar de Mouros no século XX", lançado pelo Grupo de Estudos e Preservação do Património Vilarmourense, integrado no CIRV, centra-se nas minas agora desactivadas da Fonte Nova (Marinhas) e Castelhão, cuja exploração mais intensa coincidiu com os dois grandes conflitos mundiais, as I e II Guerras Mundiais do século passado.

Estanho, volfrâmio e escassíssimo ouro foram retirados das entranhas da terra em épocas em que o preço dos minerais atingiu valores elevados, constituindo essa actividade extractiva uma fonte de rendimento para muitas famílias.

É curiosa uma passagem do livro, quando se refere um episódio relacionado com os proventos da recolha de minério.

Tomás da Mata, um vianense radicado em Vilar de Mouros, foi ao Hotel de Santa Luzia e pediu que lhe servissem leitão acompanhado de champanhe e pão-de-ló, o que causou suspeitas e chegando a receber ordem de prisão, por temerem que fosse um assaltante.

Testemunhos de vilarmourenses e vizinhos

Joaquim Aldeia, elemento do GEPPAV e principal impulsionador de quatro painéis de árvores genealógicas de outras tantas famílias vilarmourenses (Agrelo, Ranhada, Portela e Barrocas) instalados na estufa do CIRV, onde decorre uma exposição retrospectiva até ao dia 2 de Fevereiro, iniciou a apresentação deste livro (cujo grafismo foi da autoria do colaborador já habitual, Carlos da Torre), lendo a introdução desta obra.

A dado trecho, desta apresentação, pode ler-se: "…..Respeitando o formato das anteriores edições, este IV Caderno do Património Vilarmourense divide-se em duas secções distintas mas complementares no interior do tema único. Pelas premissas referidas, são dois os Estudos incluídos — um respeitante à concessão da Fonte Nova, assinado pelo coletivo GEPPAV; o outro centrado na mina de Castelhão, da responsabilidade da primeira autora do trabalho, a geóloga Raquel Alves. Na segunda parte, reservada aos Documentos, publicam-se os depoimentos de vilarmourenses que trabalharam em ambas as minas (sobretudo em Castelhão), a maioria prestados à Drª. Raquel Alves e datados de 2007, o que explica que algumas das pessoas já não estejam entre nós — é o caso de Adão Isac da Silva (1921-2012), João Sebastião Gonçalves (1927-2012), Joaquim Augusto de Oliveira (1928-2012) e
Maria da Soledade de Jesus Fernandes de Castro (1920-2007) — a cuja memória este trabalho é especialmente dedicado; sob a forma de um registo cronológico, seguem-se as análises documentais dos dossiês mineiros oficiais das concessões da Fonte Nova e Castelhão, efetuadas pelo GEPPAV; também da nossa responsabilidade é o quadro dos leilões de minério apreendido em 1941 no concelho de Caminha, bem como o registo municipal de descoberta de minas entre 1876 e 1988, pela primeira vez alvo de tratamento documental e publicação; surge depois, exclusivamente na parte que diz respeito ao concelho caminhense, a lista dos alvarás de concessões mineiras divulgada pelo Ministério da Economia em 1963; finalmente, como exemplo último do trabalho colaborativo entre o GEPPAV e a Drª. Raquel Alves, apresentam-se as Fichas de Interesse Geológico-Mineiro de Vilar de Mouros, que rastreiam na atualidade os vestígios dos antigos complexos mineiros da Fonte Nova e Castelhão.
.".

Raquel Alves, estudiosa das pias e mina de Castelhão - uma galeria com 112 metros, mas que o tempo não afectou -, salientou a importância destes espaços do interior do sub-solo para "conhecer o passado". Acentuou que apesar dos estudos de três décadas no Castelhão, "serão necessários anos de investigação no território para perceber a mineração", porque, rematou, "esse estudo não acabou em mim".

"Um orgulho da sua terra"

A publicação de mais este trabalho dedicado à história e património vilarmourense, reflecte o quão "orgulhosos" se sentem os seus habitantes, quer pela "riqueza patrimonial, quer pela actividade desenvolvida pelo GEPPAV", frisou Carlos Alves, presidente da Junta.

O autarca exaltou estes 10 anos de "notório trabalho" dos membros do GEPPAV, contribuindo dessa forma para a divulgação da "maior riqueza que um povo pode ter e que é a sua história".

Em nome da população que a junta de freguesia representa, Carlos Alves elogiou igualmente o CIRV por dar guarida a este filão inesgotável de investigação sobre o passado de uma das aldeias mais carismáticas do país, já espelhado nos cinco trabalhos já editados a um ritmo impressionante, de um caderno de dois em dois anos.

O líder do executivo local agradeceu também à geóloga que se associou este projecto, bem como a Joaquim Aldeia ao ressuscitar memórias de famílias (acompanhadas de fotografias) vilarmourenses.

"Trouxeram-nos referências que já tínhamos perdido"

Embora não tenha sido possível aos autores deste trabalho recuperar alguma fotografia sobre a extracção, propriamente dita, dos minérios, Miguel Alves, presidente do executivo camarário, ao falar no decorrer desta apresentação, destacou a importância do reavivar de "referências que já tínhamos perdido".

O autarca comparou o aspecto criativo de "picar, extrair" emergente desta actividade mineira, com a abordagem viva feita pelos autores do livro, não se quedando ou fixando numa mera "contemplação", levando-o assim a afirmar que desta obra não se extrai apenas estanho e volfrâmio, mas ele representa um verdadeiro filão ("ouro") que o GEPPAV e CIRV e a geóloga - que surge de fora da aldeia e do concelho - souberam aproveitar.

O presidente do executivo admitiu que "gosto muito de história", embora nem tanto como o seu antigo professor e membro do GEPPAV, Paulo Bento, tentou, para que "fosse um bom aluno" nesta disciplina, colocando assim uma nota bem-humorada na sessão, à qual se seguiu a inauguração da exposição no edifício anexo da antiga estufa.

Nesta exposição retrospectiva dos 10 anos, corre paralelamente a actividade deste grupo de defesa de património, com a genealogia de quatro famílias vilarmourenses, instrumentos de trabalho dos mineiros, estucadores da freguesia (o tecto da estufa foi decorado por estucadores) e maquetistas, estando estes representados através de miniaturas de monumentos da aldeia.

Alguns minerais existentes nas antigas minas compõem também um recanto deste espaço de recordação de um passado do século passado em que Vilar de Mouros se distinguiu.


Edições C@2000
Do Coura se fez luz. Hidroeletricidade, iluminação pública e política no Alto Minho (1906-1960)"
Autor: Paulo Torres Bento
Edição: C@2000/Afrontamento
Apoiado pela Fundação EDP

Da Monarquia à República no Concelho de Caminha
Crónica Política (1906 - 1913)

Autor: Paulo Torres Bento
Edição: C@2000


O Estado Novo e outros sonetos políticos satíricos do poeta caminhense Júlio Baptista (1882 - 1961)

Organização e estudo biográfico do autor por Paulo Torres Bento
Edição: C@2000


Rota dos Lagares de Azeite do Rio Âncora

Autor: Joaquim Vasconcelos
Edição: C@2000


Memórias da Serra d'Arga
Autor: Domingos Cerejeira
Edição: C@2000

Outras Edições Regionais