Miguel Alves, candidato do Partido Socialista à presidência da Câmara Municipal de Caminha, "convidou Inês de Medeiros, atriz e deputada na Assembleia da República, para visitar Vilar de Mouros, em especial toda a área onde se realizava o mais antigo Festival de música organizado em Portugal. Motivo: o regresso do Festival. Miguel Alves garante que tem consigo uma equipa, com competências e conhecimentos, capaz de tudo fazer para que o Festival de Vilar de Mouros volte a ser uma realidade, "com a mesma riqueza e diversidade estética, cultural e de público que sempre distinguiu este símbolo do Concelho de Caminha".
Inês de Medeiros tem uma forte ligação ao Concelho, que visita desde a infância, além de uma relação especialíssima com Vilar de Mouros, uma vez que acompanhou o empenho que o maestro Victorino d'Almeida, seu pai, colocou na organização do evento noutros tempos. Além disso, Inês de Medeiros é membro da Comissão de Educação, Ciência e Cultura da Assembleia da República.

No final da visita, a deputada declarou-se emocionada: "Foi com alguma emoção que regressei a Vilar de Mouros e ouvi o pedido de quem lá vive para que o Festival de Vilar de Mouros volte, mais uma vez, a renascer das cinzas".
"As pessoas gostam de lembrar estes dias de festas onde várias gerações se cruzavam, em que as ruas se enchiam de gente, a mobilização de toda uma comunidade. Vilar de Mouros nunca será apenas mais um Festival pois transporta consigo o empenho, o orgulho e as memórias de várias gerações. Será sempre o Festival feito para e pelas pessoas de Vilar de Mouros e por isso é tão importante ouvir este seu pedido".
Segundo Miguel Alves, "esta foi uma forma de dizer à população de Vilar de Mouros e do Concelho de Caminha que quero que o Festival volte a ser realizado. Pelo impulso sonhador de António Augusto Barge e através do entusiasmo da população da freguesia".
Foi o Partido Socialista quem, depois de uma interrupção do Festival, o trouxe de regresso. A gestão do PSD na Câmara de Caminha, em 2007, levou ao cancelamento da edição nesse ano. A organização do Festival de Vilar de Mouros cancelou a edição, que deveria decorrer entre 20 e 22 de Julho, responsabilizando a Câmara de Caminha pela falta de apoios.

Até hoje, da Câmara Municipal e da Junta social-democrata, a população só ouviu promessas, primeiro da retoma do Festival, depois de um parque temático que nunca saiu das palavras.
Para Miguel Alves, é tempo de pôr fim às promessas e passar aos atos. "Sejamos claros: há algumas pessoas no nosso Concelho que não querem, ou querem pouco, o regresso do Festival de Vilar de Mouros; há outras que querem mas não sabem como fazê-lo; eu quero que o Festival de Vilar de Mouros renasça das cinzas, que se torne realidade, eu quero que esta marca de cultura que acompanha o nome do nosso Concelho por todo o país e na Galiza seja atualizada, colocada ao serviço das pessoas e do desenvolvimento da nossa terra".
"Não será fácil, mas é possível! Eu e a minha equipa temos as competências e os conhecimentos que justificam e obrigam ao nosso empenho firme no regresso do Festival".
Junta aguarda proposta

Por seu lado, a Junta de Freguesia de Vilar de Mouros espera dar alguma notícia sobre um contacto estabelecido há tempos com uma empresa - tendo em vista a realização do evento em 2014 -, na próxima sessão da Assembleia de Freguesia (Junho), segundo confirmou esta semana ao C@2000 a presidente Sónia Fernandes.
A autarca vilarmourense tinha abordado em Abril este assunto já recorrente em praticamente todas as assembleias de freguesia, após um morador e deputado municipal, Vítor Barrocas, eleito pelo PS, ter comparecido nessa reunião questionando a ausência de informações sobre o ressurgimento do Festival, após Câmara e Junta o terem anunciado repetidamente desde o seu cancelamento há seis anos.
Na reunião da Assembleia Municipal de Abril, realizada horas antes da AF de Vilar de Mouros, Vítor Barrocas tinha sido desafiado por Júlia Paula, presidente do município caminhense, a pedir explicações à presidente da Junta sobre este e outros temas relacionados com a sua freguesia, dado que a autarca optou por não responder às questões levantadas pelo deputado eleito pelo PS.
Vítor Barrocas assim o fez, marcando presença na assembleia da sua terra realizada pouco tempo depois, dizendo, ao interpelar a presidente da Junta no período destinado ao público, que lhe parecera que a presidente da Câmara não tinha vontade em que houvesse Festival.
Sónia Fernandes admitiu que as coisas correram mal após o último evento e que dos contactos estabelecidos com empresas organizadoras de festivais, "uma ou outra" proposta poderia ser "aliciante" mas redundavam em pesados encargos para o município, como sucedeu com uma associação que apontava para 2014.
Sónia Fernandes diria agora ao C@2000 que, entretanto, se realizara uma reunião com a dita empresa, sem grande relevância, aliás, reservando-se para mais detalhes na próxima AF.
Entretanto, face à ausência de Festival em 2013, e como que a modos de compensação, a Câmara contratou a cantora Áurea para actuar em Vilar de Mouros no próximo mês de Agosto, anunciou Sónia Fernandes.
Calçada dasTelheiras sem reparação
A "Águas do Noroeste" demarcou-se da responsabilidade de reparação da calçada de Tellheiras, afectada pelos camiões aquando da intervenção da rede de águas, confirmou Sónia Fernandes, em resposta a outro pedido de esclarecimento de Vítor Barrocas que foi ao encontro da sugestão da presidente da Câmara, tal como o fizera em relação aos esclarecimentos sobre o Festival.
A remoção de um eucalipto das águas do rio Coura, a necessidade de limpar o caminho da "Laura", em Marinhas, bem como a apresentação de um projecto de melhoria do Largo do Casal há dois anos atrás mas que não teve continuidade até hoje, foram outras situações debatidas na assembleia vilarmourense.
Sónia Fernandes reconheceu que tem apostado na limpeza dos caminhos principais da aldeia, tentando, "aos poucos" estendê-la a outros pontos.