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Nº 61: 22 a 28 DEZ 2001
Semanal - Sábados
1ª Pág. JORNAL DIGITAL REGIONAL

EXPOSIÇÃO

O SABOR
DO MEL

TRIBUNA
Espaço reservado à opinião do leitor


EDITORIAL

No rescaldo da emocionante jornada eleitoral autárquica que ditou o destino da gestão municipal caminhense para o próximo quadriénio, com a vitória da candidata independente Júlia Paula, integrada nas listas do PPD/PSD, convirá reflectir sobre as causas e consequências políticas do fim de um ciclo ininterrupto de maioria socialista, iniciado logo após a primeiras eleições livres realizadas no post 25 de Abril.

Como diria um famoso desportista, quando interpelado acerca do prognóstico de um jogo que iria disputar de seguida, "prognósticos? Só no fim!".

Uma "previsão" que acabou por se aplicar em Caminha, poucos apostando em antecipar resultados, embora a diferença de votos registada na eleição da vereação caminhense (800), não espelhasse a incerteza que rodeou a fase final da campanha.

E fazemos referência às últimas 2/3 semanas anteriores ao arranque da campanha oficial, bem como ao período prévio e decisivo à votação, porque até então, a continuidade socialista na Câmara de Caminha não parecia ameaçada.

As indefinições verificadas no PSD na escolha do seu candidato, permitiram que o PS elaborasse com tranquilidade os seus timings eleitorais, e, mais importante do que isso, seleccionasse os seus candidatos, pese embora as dificuldades inerentes à constituição de listas, e que de uma forma ou de outra todas as forças políticas se depararam, face a um certo desencanto e divórcio de eleitores dispostos a assumirem lugares elegíveis ou simplesmente para "preencher lista", como se diz habitualmente.

Da parte do PSD, o lufa-lufa da constituição de listas sob a pressão dos prazos impostos pela legislação, derivado à escolha (tardia?) da sua candidata á câmara, não terá possibilitado a formação das equipas mais desejadas no conjunto dos orgãos autárquicos, designadamente ao nível das assembleias de freguesia, bastando referir que em Arga de Baixo não concorreu.

À partida, Jorge Fão enfrentava o combate político com clara vantagem, dispondo da sempre organizada máquina eleitoral socialista, tendo pela frente uma adversária desconhecida de grandes franjas da população e dispondo de pouco tempo para delinear a sua estratégia, atendendo a que apenas a partir de Agosto se clarificou a sua candidatura.

E se Jorge Fão dispunha de um invejável capital de conhecimentos da realidade concelhia e dominava os principais dossiers da vida autárquica, não só pela sua passagem como adjunto do ex-presidente Pita Guerreiro, como pela sua ascensão à liderança da Concelhia Socialista, Júlia Paula foi superando algum déficit nesta área, compensado pela capitalização de simpatia, dedicação aos idosos, à juventude (foi escuteira), à sua vocação religiosa, e entregando-se com denodo à campanha, centrando sobre si todas as atenções, demarcando-se de algumas iniciativas e actuações da estrutura local do PSD (cartaz sobre o Portinho e IC1, ETAP), acabando por vencer e dar um triunfo -inesperado ou nem tanto- ao PSD.

Talvez se possa dizer com alguma propriedade, que foi a vitória da "paixão sobre a lógica política", registando-se uma participação de votantes (72%) acima da média, apenas superada em 93.

O PS acabou por não conseguir libertar-se do complicado -e abafado, há que dizê-lo- processo sucessório, e no qual se enredou irremediavelmente na recta final e que lhe terá sido, provavelmente, fatal, cujos estilhaços foram evidentes na própria noite eleitoral, como se pôde deduzir das palavras do presidente da câmara cessante, exigindo "responsabilidades" pelo insucesso, e pela resposta posterior de Jorge Fão, acusando-o de pouco empenhamento na campanha, enredando-se numa teia de desconsiderações a que alguém ordenou pôr cobro, tal o descalabro da linguagem e argumentação utilizadas.

A candidatura socialista também nada beneficiou do processo de lançamento de concursos para preenchimento de vagas no quadro camarário, já na fase final de mandato, com o povo a apontar antecipadamente quem seriam os seleccionados. E será que se enganou?

A par deste conflito letárgico ao longo de meses, existem acusações provenientes do interior do próprio PS, do favorecimento de Valdemar Patrício à candidata apoiada pelo PSD e outras situações que ameaçam quebrar irreversivelmente, um certo pacto de coexistência pacífica mantido até à data.

Convirá destacar que a candidatura de Júlia Paula (uma aposta pessoal de Durão Barroso que aqui se deslocou três vezes em seu apoio) conseguiu passar a ideia da necessidade de mudança após 25 anos de poder rosa, indo ao encontro da existência de "marasmo concelhio" e bem assim que os candidatos socialistas à câmara queriam "emprego"(Abílio Silva, na apresentação da candidata).

O PS não conseguiu capitalizar o lançamento da obra do Portinho, permitindo que o PSD e CDU voltassem a lançar dúvidas sobre a obra, e nem a passagem (despercebida) de José Junqueiro (Secretário de Estado da Administração Marítimo-Portuária) por Vila Praia de Âncora dissipou as hesitações do eleitorado.

A inépcia da administração central perante os problemas do Rio Minho (não aprovação do Regulamento de Pesca, impasse na limpeza do canal de acesso ao cais de Caminha, alheamento perante o assoreamento do estuário e da barra) originou descontentamento na classe piscatória e uma viragem decisiva do sentido de voto, facilitando a actuação da oposição, a par de uma infeliz selecção dos candidatos socialistas elegíveis para a Assembleia de Freguesia de Caminha, bastando recordar que, presentemente, existem dois pescadores neste orgão autárquico e um na Junta, e que em caso de vitória socialista, este estrato social (bastião PS) na sede do concelho ficaria sem qualquer representante. Não incluímos aqui outras influências eventualmente exercidas sobre eles e que sabemos serem alvo de críticas do grupo mais chegado ao candidato derrotado, até que o processo se clarifique internamente.

Um factor a ter em consideração em todo este emotivo desenvolvimento eleitoral, foi o do "voto escondido até á última hora" por parte de grande parte do eleitorado votante de Júlia Paula -mas que tradicionalmente tem dado suporte ao PS-, temendo a pressão que apoiantes deste partido pudessem exercer sobre eles na recta final. Ouvia-se aqui e acolá que os eleitores "tinham virado", mas o PS não foi capaz de conter uma onda (nacional, também) de descontentamento e de saturação natural ao fim de 25 anos. A composição das listas socialistas -em alguns casos- não terão sido as mais favoráveis à sedução dos votantes e o anúncio repetitivo de "corte com o passado", acabou por ferir certos sectores socialistas e assustar funcionários camarários receosos de eventuais "represálias", face a expressões mais infelizes de alguns candidatos, dirigidas igualmente a outras áreas, como a da história do "par de patins".

A despeito da mobilização à última hora, expressa na organização de uma (longa) caravana que culminou com a festa de encerramento em Moledo, não foi possível impressionar o eleitorado. À mesma altura, em Vile, o PSD organizava um jantar de fim de campanha de tranquilidade confiante.

A análise aos resultados demonstram igualmente, uma escolha algo criteriosa do eleitorado, optando pelo PS, ou pelas pessoas candidatas para as juntas em Lanhelas e Venade e pelo PSD para a Câmara, ou em Vilar de Mouros, com a CDU a voltar a vencer a junta, mas a deixar escapar os votos para o PSD e PS. Reflexão obrigatória será igualmente a votação verificada para a Assembleia de Freguesia de Moledo, em que o PS vence mas perde a maioria absoluta.

A CDU voltou a esvaziar-se na fase derradeira da campanha, cedendo os seus imprescindíveis eleitores aos dois partidos mais fortes, quedando na casa dos mil votos, uma fasquia difícil de ultrapassar e que já constitui uma obsessão para esta coligação.

A esperada votação em Vila Praia de Âncora não se concretizou e assim se esfumou a possibilidade de colocar o primeiro vereador no executivo camarário, quando, inclusivamente, pensavam em dois edis, tal a expectativa gerada em torno de Cerqueira Rodrigues, com provas dadas na gestão da Cooperativa de Ensino Ancorensis, mas cujo trabalho de rua, contacto pessoal e forma de abordar os assuntos não se coadunam com a persuasão imprescindível que se deverá exercer sobre o eleitorado.

O PP veio até Caminha apresentar sete jovens candidatos à câmara municipal, realizar uma apresentação em circuito fechado, participar num debate e informar a comunicação social sete horas antes de encerrar a campanha que tinha entregue no tribunal de Caminha uma documentação anónima denunciando um dos candidatos, um processo digno de um romance policial estilo "garganta funda", que parece não ter obtido grande credibilidade.

Bem se esforçou o BE por pôr em prática a sua intenção de colocar as pessoas a debater ideias, mas a insuficiência de meios organizativos, acabou por abortar o projecto, e os dois colóquios realizados, pecaram, essencialmente, por falta de divulgação, registando-se reduzida assistência e participação.

Perante o novo xadrez político, é aguardado com expectativa o comportamento das duas principais forças políticas -agora em campos diferentes-, com destaque para a nova presidente, cujo primeiro gesto no dia imediato ao da votação, foi o de agradecer pessoalmente a alguns colectivos que a apoiaram.

Foi o primeiro toque de mudança, relativamente ao passado de outros presidentes.

O todos os autarcas caminhenses eleitos, o CAMINH@2000 deseja as maiores venturas nos destinos das suas freguesias e na gestão municipal ou na acção fiscalizadora inerente às funções dos que se encontram na oposição.

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