Horas difíceis está a viver o Partido Socialista após a derrota eleitoral do passado Domingo, tendo como protagonistas Jorge Fão, cabeça de lista à câmara municipal e presidente da Comissão Política Concelhia e Valdemar Patrício, actual presidente do município, desconsiderando-se e acusando-se mutuamente de responsabilidade pelo descalabro autárquico.
Tentando recolher depoimentos de ambos, tanto Jorge Fão, como Valdemar Patrício, optaram por estancar a polémica, " a bem do próprio partido", como nos referiu este último.
VEREAÇÃO SOCIALISTA AUSENTE?
Entretanto, está convocada para o próximo Domingo uma reunião da Comissão Política Concelhia do PS, aguardada com grande expectativa, embora se ignore se o presidente da câmara e os dois vereadores (Augusto Sá e Casimiro Lages) estarão presentes.
Da ordem de trabalhos constará a inevitável análise aos resultados eleitorais e a abordagem de outros assuntos que os responsáveis concelhios entendam debater.
Assinalou que a derrota socialista em Caminha se terá ficado a dever a uma "questão muito local", atendendo a que na generalidade do distrito, as eleições "correram bem para o PS, com mais vereadores eleitos e mantendo as outras câmaras".
"RAZÕES PROFUNDAS"
Relativamente a Caminha, reconheceu ser necessária uma "análise local", e, de todo o processo que é do seu conhecimento, a "candidatura de Jorge Fão fez tudo o que estava ao seu alcance para conquistar a câmara, uma candidatura forte, de uma pessoa esclarecida, com um projecto", admitindo, contudo a existência de "razões mais profundas que é preciso analisar internamente, porque não sou adepto de fazer essa análise na praça pública, entendendo que isso deve ser feito nos orgãos próprios do partido e certamente que o será, com a participação da própria federação".
SOLHEIRO SOLIDÁRIO COM FÃO
Após manifestar a sua "total solidariedade ao Jorge Fão", entendeu que a sua manutenção à frente da concelhia "é um assunto interno do PS local, embora não veja nenhuma razão para não se manter", só pelo simples facto de os resultados eleitorais não terem sido os desejáveis, opinou Rui Solheiro.
Reforçando a ideia de que Jorge Fão evidenciou competência e realizou "trabalho dedicado na campanha eleitoral, foi de opinião de que a eleições "provavelmente" não se perderam na campanha eleitoral, mas entendeu que esse, era tema de debate "interno local".
Rui Solheiro escusou-se a comentar acusações locais de escasso empenhamento de Valdemar Patrício na campanha e que, inclusivamente, até poderia ter favorecido a candidatura rival.
TODOS RESPONSÁVEIS
Por último, o presidente da Federação Distrital do PS considerou de "correcto" o processo de escolha de Jorge Fão para candidato à presidência da Câmara de Caminha, "ao ponto de ter havido unanimidade da comissão política na sua escolha, com a participação de Valdemar Patrício", conforme foi anunciado em conferência de imprensa, acrescentando "não se poder agora fazer outro tipo de leituras, após os resultados não terem sido agradáveis e se houve responsabilidades foi de toda a gente em Caminha e com a solidariedade da Federação e da Comissão Política Concelhia.
"SURPRESA DESAGRADÁVEL"
Rui Solheiro admitiu o peso da derrota em Caminha, um concelho onde o PS tinha vencido todos os actos eleitorais, incluindo as presidenciais e referendos, constituindo por tal motivo, uma "surpresa desagradável, mas como diria o dr. Mário Soares, só é derrotado quem deixa de lutar, sendo necessário, por conseguinte continuar a luta, olhar em frente e continuar o combate político por Caminha", concluiu.