João Alberto da Silva, presidente da Comissão Política Concelhia do Partido Social Democrata, ainda em fase de digestão da vitória eleitoral autárquica no concelho de Caminha, ao fim de 25 anos de jejum, comentou para o CAMINH@2000 estes resultados que pela primeira vez colocaram uma mulher no comando de uma Câmara do Alto Minho.
"VIRAGEM HISTÓRICA"
Começou por referir que este sucesso eleitoral foi o de "todos os caminhenses", porque, no seu entender, era fundamental que "toda a gente se apercebesse que o concelho está na situação em que está, sem progredir, comparativamente a outros -muito embora algumas coisas se tenham feito".
Nesse sentido, João Silva crê que o contributo que o PSD deu para que a mensagem da "mudança" passasse, "foi conseguido", vindo a verificar-se aquilo que reputou de "viragem histórica".
Questionado sobre quem atribuía mais louros à vitória, se à candidata Júlia Paula, se ao PSD, esclareceu que quem "definiu a estratégia foi o PSD e a drª Júlia Paula quem aceitou liderá-la, como rosto mais visível da candidatura". Acrescentou que todos "aceitaram as regras do jogo, a drª Júlia Paula como independente e com um determinado perfil e o PSD não fez questão de ter elementos afectos ao partido, antes preferindo alargar as listas à população, aceitando quadros de todo o lado, numa estratégia correcta que juntou empresários, profissões liberais e todas as pessoas interessadas", destacou.
Face aos resultados obtidos, a Comissão Política Concelhia decidiu manter-se em funções, embora tivesse ficado desapontada com o aparecimento da candidatura do PP, com quem pensavam existir uma coligação.
ATENTOS ÀS "AREIAS NO SAPATO"
Um apoio importante ao executivo municipal será exigido ao PSD local, como nos confirmou João Silva, no intuito de "transmitir alguma tranquilidade e analisar alguns sinais que venham do exterior, porque num situação destas, em que se ganha pela primeira vez em muitos anos, há muitas areias no sapato e, nesse sentido, a comissão política tem de estar também atenta porque o executivo pode correr alguns riscos, sendo portanto importante haver alguma união e concedendo-lhe serenidade".
A possibilidade de os três primeiros eleitos da lista para o executivo camarário virem a ser investidos nesse cargo, foi confirmada por João Alberto da Silva, aliás, de acordo com a vontade da própria presidente, e se algum não aceitar, subirá o quinto elemento.
"DEVERIAM REMETER-SE AO SILÊNCIO"
Pedido um comentário à troca de acusações travadas entre Jorge Fão e Valdemar Patrício no decorrer da semana, João Silva não deixou de "lamentar que depois de terem perdido as eleições, se comece a disparar para todos os lados", acrescentando que o PSD, "no passado, perdeu as eleições e remeteu-se ao silêncio e acho que quem ganha tem o direito de saborear a vitória e quem perde deve fazer uma análise interna e não fazendo sentido que se comece a atribuir culpas a A, B ou C".
João Silva salienta que após terem partido em "igualdade de circunstâncias para as eleições, Jorge Fão não pode dizer que não teve com ele o executivo municipal, pois se assim fosse, estaria numa situação de privilégio".
ARROGÂNCIA TERÁ TRAÍDO PS
Prosseguindo a sua análise, João Silva atribuiu a derrota ao PS, à "arrogância do candidato à câmara, provando-o com as declarações que fez" após o acto eleitoral e, nesse sentido, "estamos satisfeitos por termos conseguido fazer passar essa mensagem, como se pôde comprovar dois dias depois das eleições", rematou este responsável concelhio social-democrata, visivelmente satisfeito por ter contribuído para a primeira maioria laranja num município tradicionalmente rosa.