O pais foi assolado estrondosamente,
Por furacão soprando, violento, espoliador,
Tragando o desemprego vorazmente,
E os investimentos produtivos do trabalhador.
Anos de trabalho, de alta contribuição,
Arrazados por guelas devoradoras,
Continuamente insatisfeitas, sem contenção,
Desperdiçadoras, ladras, na voragem desalentadora.
Acaba-se a carne, a batata e o peixe,
Mesmo o pão advém escasso na mesa portuguesa,
Vive-se, na vida sem vida, ja não ha enfeite,
Tudo advém obscuro, até o sol infunde tristeza.
Nada mais nos acalenta, nem alegra a vivência,
Vivemos absortos, num amanhã sem auguro,
Quem sômos, o que fizemos, para tal ingência,
Advir a mã sorte de quem tudo deu com apuro.