Embora o fogo seja um factor vulgarizado nos ecossistemas mediterrânicos, as variações climáticas (aquecimento global), deram origem a um crescente aumento das áreas ardidas registado em Portugal.
COLLIN em 2001 referia que 95% dos incêndios tinham origem no Homem. Os responsáveis tendo em consideração quer as características dos ecossistemas bem como a sua deflagração, têm procurado avaliar e inventariar a sua origem e os padrões de comportamento daqueles.
Devido à impotência de contrariar tal acto a partir da década de 90, do séc. XX, os incêndios florestais passaram a ser considerados uma ameaça ao desenvolvimento da floresta em Portugal (Portela, 1993).
Os responsáveis pela minimização desta ameaça, procuram encontrar as razões e localização da sua causa de forma a procurar soluções para reduzir a sua deflagração, procurando encontrar processos de contenção dos incêndios florestais, que se baseiam no método das evidências físicas,.
Como, a sua deflagração acontece muitas vezes, junto das auto-estradas, obrigou os seus responsáveis a uma apertada limpeza das suas bermas até porque o próprio fogo pode trazer a degradação do próprio pavimento.
Isso deu origem a que os projectistas a prevejam a realização de caminhos paralelos, como forma de criar acessibilidades quer a carros dos bombeiros quer a dar continuidade a caminhos de acesso a propriedades que com a execução da via foram seccionados.
Estranha-se que dentro do Vale do Âncora, principalmente no troço entre Vile e Vila Praia de Âncora essa situação não tenha sido contemplada, pois havia uma comissão de acompanhamento desses trabalhos além de ser uma imposição referida no RECAPE.
No entanto no acesso à IC1 agora A28, a partir do nó de Riba de Âncora a Vila Praia de Âncora, embora a comissão de acompanhamento os tivesse alertado a EUROSCUT, não garantiu esses acessos cortados, às propriedades existentes, cometendo mais um atentado ambiental numa extensão considerável.
Parece que não houve forma de fazer cumprir o disposto no Artº28 do DLnº69/2000.
No "Relatório de Conformidade Ambiental" a dado paço era referida:
Em contacto com responsáveis da empresa EUROSCUT, os mesmos referem desconhecer esse alerta, no entanto tenho em minha posse documentos da Comissão de acompanhamento daquela obra, que provam o desconhecimento dos factos de uma obra que se torna um mau exemplo, aparentando e aparenta uma certa desorganização.
Todas estas desculpas e a falta de cumprimento da lei, esconde por vezes interesses obscuros, e denota pouco profissionalismo das empresas executoras desses trabalhos, além de uma certa inércia autárquica..
Perante esta falha técnica, parece-me que devia haver uma maior preocupação da limpeza das bermas da A28 e do ramal de acesso a Vila Praia de Âncora bem como a obrigatoriedade de execução desses caminhos paralelos a fim de controlar possíveis incêndios no Vale no Âncora.
Face isto, e tendo em conta que a falta de limpeza das bermas da estrada são um factor que cria uma dessas frentes de iniciação de possíveis incêndios, consideramos que a falta de caminhos paralelos é uma das faltas mais graves que existe neste troço de via, pois não respeita o referido no RECAPE e abre uma frente de incêndios.
Como actualmente, a investigação dos incêndios florestais é uma atribuição do corpo Nacional da Guarda Florestal (CNGF), parece-me que aqueles deviam articular-se com a EP, para que os objectivos que se prendem com o planeamento e controle de incêndios, sejam antecipados com uma limpeza das próprias bermas coisa que não está a ser providenciado no ramal de ligação do nó de Riba de Âncora para Vila Praia, bem como uma certa pressão, sobre essa empresa de construção que está em falta com a protecção do troço de via que atravessa Vila Praia de Âncora.