Caminha prepara-se para "regressar" aos tempos actuais, depois de dez dias de envolvência medieval, suscitados pela Feira que se apoderou de algumas das artérias da vila, tanto no seu miolo histórico correspondente ao espaço amuralhado, como extra-muros da cerca construída há séculos atrás.
Os habituais figurantes simularam jogos, animaram as ruas com as suas músicas, representações e desfiles, os tendeiros ilusionaram os visitantes com os seus produtos, tascas, tabernas e restaurantes adaptados ao ambiente medievo, voltando a encher-se de apreciadores não só dos produtos tradicionais, como de uns bons momentos de convívio "à antiga".
Com menos tendas (fala-se em 80), relativamente ao ano anterior, apesar de alguns esquecimentos (comerciantes da Rua do Cais não compreenderam o alheamento a que foram votados), o negócio tem corrido bem para quem apostou nos petiscos, doces, sangrias, crepes, ginjinhas e outras especialidades em que cada um se esmerou.
Matilde Vilas colaborou na tasquinha da Casa do Povo de Lanhelas, uma referência já habitual na Feira Medieval de Caminha, afirmando-nos que "tem corrido muito bem" - para o que terá contribuído o bom tempo, assinalou.
As solhas secas (ou frescas, fritas) são o prato predilecto dos clientes, e pessoas há que "vieram cá comer todos os dias", ao que não foram alheias a "boa disposição e simpatia" dos colaboradores desta tasquinha, onde uma refeição completa (solhas, caldo verde, broa, chouriço, arroz doce, vinho) custa 12€.
Da parte dos tendeiros, as expectativas não foram atingidas, conforme nos revelaram os comerciantes contactados. "As pessoas vêem, gostam muito, mas não compram", uma situação a que não será alheia as dificuldades económicas actuais, optando antes por reservar-se para os "comes e bebes", acabando este sector por ser o menos penalizado nestes 10 dias diferentes e animados da vila de Caminha.
As opiniões dividem-se, contudo, quando à duração da feira.
Há quem defenda a manutenção do actual figurino, ou quem advogue o regresso aos quatro dias, face ao desgaste que provoca um evento mais longo como este, em todos os que intervêm nele.
Se durante o dia, de Segunda a Quinta (em que a afluência é inferior aos fins-de-semana), o calor afastou as pessoas para as praias ou outros espaços de lazer quando a nortada soprou, ou porque são dias de trabalho, deixando a feira pouco frequentada, com o cair da tarde assistiu-se a um crescente movimento nas ruas e praças envolvidas nesta maquilhagem medieval, com destaque para o sector da restauração, o mais beneficiado desta edição dedicada às "Damas, Donzelas, Bruxas e Cortesãs".