Jornal Digital Regional
Nº 597: 21/27 Jul 12
(Semanal - Sábados)






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Arga de Baixo

Arte na Leira há 14 anos "já faz parte da cultura tradicional do Norte do país e da Galiza", Júlio Magalhães

"Passem um momento visual feliz", Mário Rocha

Com um evento inédito iniciado há 14 anos, a Arte na Leira apostou este ano em artistas jovens, contrapondo pintura, fotografia e cerâmica, na tentativa de criar um ambiente na Casa do Marco, onde "passem um momento visual feliz", conforme assinalou Mário Rocha, o artista e mentor deste evento em plena Serra d'Arga.

No acto de inauguração desta montra de arte, Mário Rocha não deixou de sublinhar o apoio recebido da parte de jovens que o auxiliaram a montar esta exposição, bem como de diversas entidades que a ela se associaram.

Bombos de Vila Praia de Âncora

"Isto é único no nosso país"

Júlio Magalhães, actual director do Porto Canal e que marcou presença na 1ª edição deste evento que "já faz parte da cultura tradicional do Norte do país e da Galiza", admitiu que nessa ocasião, "achei que ele (Mário Rocha) era maluco, mas", prosseguiu, "são malucos destes que nos fazem acreditar que é possível viver".

O director deste canal televisivo garantiu que este evento merecerá cobertura privilegiada da Porto Canal.

"Muitos duvidaram"

O representante da Câmara de Caminha - autarquia que divide com Ponte de Lima o apoio à Arte na Leira -, agradeceu ao artista vianense radicado na Serra d'Arga a "proposta apresentada há 14 anos" e da qual "muitos duvidaram" face ao isolamento das Argas.

Flamiano Martins acentuou ter sido a Arte da Leira "uma boa ideia e uma forma de atrair visitantes à Serra d'Arga", relevando os 300 artistas que já expuseram na Casa do Marco, muitos dos quais a quem Mário Rocha "deu a mão", com ênfase para os jovens de Portugal e Galiza.

"Faz-se tanto com tão pouco"

Presente nesta inauguração, Vânia Silva, sub-secretária de Estado do Ministério dos Negócios Estrangeiros, evidenciou a sua estupefacção pelo "cenário idílico que já julgava perdido em Portugal" e, em apreciação aos trabalhos patentes, afirmou que "vi obras lindíssimas", mostrando-se por isso reconfortada por "ver a cultura persistir nos dias de hoje".

O aparecimento de arte essencialmente urbana num espaço fundamentalmente rural não surpreende nem provoca sinais de rejeição nestas pequenas comunidades serranas.

"É sempre interessante divulgar o nome da serra"

Ventura Cunha, presidente da Junta de Freguesia de Arga de Baixo, reconhece que estas mostras "trazem muita gente à serra e é sempre bom sermos visitados porque somos muito poucos".

Como exemplo da notoriedade que a Arte na Leira recolhe e dos benefícios inerentes para Arga de Baixo, o autarca recorda os "directos" que as televisões já têm feito sempre que se realiza mais uma das suas edições".

Embora admita que a população local "não aprecie muito este tipo de arte porque não conhecemos - embora já entendamos alguma coisa-, com os anos, damos mais valor", acentuou.

A Junta de Freguesia vem prestando algum apoio logístico, mas em termos financeiros isso não sucede, porque o dinheiro não abunda, explica.