Jornal Digital Regional
Nº 591: 9/15 Jun 12
(Semanal - Sábados)






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Ferry parado e JP justifica "notificação formal"
à Câmara de A Guarda

O ferry-boat Stª Rita de Cássia encontra-se desde o passado dia 6 nos estaleiros de A Pasaxe, em Guarda, a fim de ser "preparado" para a vistoria a que será forçado, de modo a que seja emitido o competente certificado de garantia de navegabilidade que permita reatar a carreira.

Entretanto, o diferendo com a Câmara de A Guarda parece não abrandar, apesar de o município galego ter feito chegar aos cofres do município de Caminha mais uma tranche de perto de 200.000€ relativa ao ano de 2010, após o acordo celebrado entre os dois executivos nesse mesmo ano.

Na última reunião camarária, Júlia Paula voltou a abordar o assunto de uma forma exaltada, chegando a exibir (ostentar) o documento assinado com o município galego, chamando a atenção para os atrasos verificados nos pagamentos faseados.

Referiu que o concelho guardés ainda não efectuara qualquer pagamento relativo ao ano de 2011, apesar de ter havido um acordo entre ambos para que a partir do ano passado, de três em três em três meses, isso fosse feito.

A presidente do município caminhense voltou a reivindicar para si os louros de ter conseguido acertar as contas do ferry (recorde-se que o presidente de A Guarda já referiu por diversas vezes ter partido da sua iniciativa, em 2000 e em 2007, a decisão de regularizar a contabilidade do barco), o que teria sucedido em 2010, após longas e difíceis reuniões, face à inexistência de um processo contabilístico regular.

A autarca voltou a criticar a governação socialista que a precedeu por nunca ter conseguido estabelecer um acordo de gestão da carreira fluvial (uma opção tomada por executivos anteriores da qual não comparte, frisou uma vez mais, mas que tem a obrigação de encontrar as melhores soluções para o funcionamento deste transporte fluvial, assinalou).

JP referiu que o presidente da Câmara de A Guarda se tinha comprometido a pagar em prestações a dívida desse município desde que assumira a presidência (2007) e iniciar o pagamento regular desde 2011, mas tal não estaria a suceder.

"Estancar a dívida"

Assim, Júlia Paula optou por "estancar a dívida" - porque também não tinha sido pago o primeiro trimestre de 2012, acrescentou - e mandou notificar por via judicial o presidente da Câmara de A Guarda, do valor da dívida, para que em 2015 ou 2016, quem estiver no poder em Caminha não seja confrontado com uma eventual recusa de pagamento das dívidas e, desta forma, estaria a salvaguardar os "interesses do município", justificou.

Júlia Paula frisou que A Guarda tem de honrar os seus compromissos e já a partir deste mês. E quanto ao facto de o seu congénere galego referir que os seus antecessores não lhe deixaram dinheiro respeitante a gestões passadas, a autarca de Caminha assinala que "não tenho nada a ver com isso", embora compreenda as razões invocadas.

Madrid não quer dragar canal

Entretanto, para agravar a situação delicada por que passa o ferry, o Governo de Espanha recusa responsabilidades na dragagem do canal de navegação do barco. A alcaldia de A Guarda teve conhecimento desta decisão no decorrer de uma reunião da Comissão Permanente Internacional do Rio Minho, lamentando que tenha obtido esta informação por vias travesas, uma vez que o Governo de Madrid nunca respondeu oficialmente às diversas diligências realizadas, assacando culpas a uma antiga deputada do PP (Ana Pastor, actual ministra do Fomento) que realizara diveras iniciativas para resolver o impasse, mas que agora poderá ter mudado de opinião, quanto à responsabilidade em fazer a manutenção do canal. Segundo revela a imprensa galega, Domínguez Freitas, alcaide de A Guarda, estranha esta nova postura dos responsáveis espanhois, quando foi o próprio Ministério do Ambiente que pagou as dragagens entre 2008 e 2001.