O Bloco de Esquerda de Caminha esteve em Vila Praia de Âncora e encontrou-se com Vasco Presa, presidente da Associação de Pescadores, com quem trocaram impressões sobre o impasse no desassoreamento do Portinho e a insatisfação dos profissionais de pesca pela forma como foi concebido o projecto do posto de venda do pescado ao público.
Vasco Presa aguarda que a questão da dragagem da barra e interior do porto de abrigo esteja desbloqueada até final de Maio, data limite apontada pelo secretário de Estado das Pescas, durante a sua recente visita ao portinho.
Contudo, informações provenientes do Ministério das Pescas, davam prioridade às operações de limpeza dos portos de Póvoa de Varzim e Viana do Castelo, dando a entender que o problema financeiro que o país atravessa poderá criar dificuldades à concretização da obra em Vila Praia de Âncora.
Grades a mais
Um pormenor - nem por isso de somenos importância - no projecto de construção do posto de vendagem incluído na empreitada de beneficiação e recuperação da zona envolvente do Portinho e Forte da Lagarteira, exasperou o presidente da Associação de Pescadores de Vila Praia de Âncora.
Vasco Presa teve oportunidade de manifestar aos responsáveis bloquistas que alguns dias após a vinda do secretário de Estado, foi confrontado com a colocação de umas grades e vidros de protecção (?) na parte frontal desse edifício, mas apenas permitindo duas entradas para o acesso às 16 bancas de venda de peixe.
Este pescador alertou de imediato o IPTM, dono da obra, para a confusão e eventual insegurança que a falta de acessos ao interior da construção acarretaria.
Essas duas únicas portas - uma em cada extremidade do posto de venda - serão insuficientes para uma entrada rápida dos carrinhos de mão com os cestos de peixe subastado na lota anexa, com destino às bancas, além de os pescadores serem obrigados a passar pelo meio dos clientes que se encontrem a fazer compras, o que criará muita confusão e perdas de tempo desnecessárias.
Aludiu ainda à acção perniciosa das gaivotas que habitualmente rondam os cabazes de peixe acabados de desembarcar, na tentativa de o apanhar, caso os carrinhos de transporte do pescado sejam forçados a aguardar a sua vez para entrar no posto de venda.
Segundo Vasco Presa, esta falha só sucedeu porque nunca lhe mostraram o projecto da obra, apesar de insistentemente o ter solicitado.
Os pescadores exigem que sejam instaladas, no mínimo, cinco portas, facilitando dessa forma a circulação do pescado com destino às diferentes bancas, bem como das pessoas que aí se dirigirem para o comprar.
Assegurou que não abdicará desta rectificação ao projecto e, caso não a atendam, pedirá a demissão de presidente da Associação de Pescadores, para que possa lutar mais livremente por esta causa que também lhe diz respeito, uma vez que é candidato a uma das bancas do posto de venda.
Neste encontro com o representante dos pescadores ancorenses que o C@2000 acompanhou, Vasco "Tero", como é conhecido na sua comunidade piscatória, apresentou-lhes a sua ideia sobre a melhor forma de evitar a entrada de areias no portinho, de acordo com as correntes predominantes na zona, a par de referir o quanto a lota de Vila Praia de Âncora perde em movimento de pescado proveniente dos sete barcos maiores inscritos neste porto, devido à impossibilidade de cruzar a barra em condições de segurança motivado pela acumulação de areias.
Estes barcos são forçados a desembarcar em Vigo e noutros portos o peixe pescado no alto mar (nomeadamente o espadarte), representando muitos milhares de toneladas anuais, cujas taxas representam dinheiro que vai parar a outros pontos da costa galega e portuguesa