Bate o sino suavemente,
Lá para os lados de Belém,
O badalo sôa indistintamente,
Desajustes para a simples gente.
O badalo, não fala, não faz sermões,
Não engana, não apregoa ilusorias tretas,
O badalo sõa, ressõa, apregoa contusões,
Num tecido social sofrendo fundas gretas.
O sino estende e espraia o seu apelo,
Num intento de reunir bons corações,
Capazes de unir e dar ouvido singelo,
As dõres de um povo aos empurrões.
Sem trabalho, vive desolante desemprego,
Como nos tempos das mascaras negras,
Em que a ditadurara fora longo interregno,
Até que a liberdade lhe outorgue novas regras.
Agora, os sinos de Belém e de mais além,
Convidam o cidadão a mais e mais esforços,
Mas que a mingua lhe dita hodierno refém,
Para viver despido e vazio em lugubres remorsos.
Olhem para a cara do povo desempregado,
Cada dia mais tenso e em agravante enchente,
Atravessa a vida submisso ao madeiro pesado,
Do qual se libertara um dia inopinavelmente.