Jornal Digital Regional
Nº 551: 3/9 Set 11
(Semanal - Sábados)






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Vilar de Mouros em discoteca ao ar livre

O Energie Music conjugou uma mescla de sons vários nos largos do Casal e de Chousas, como se tratasse de uma concentração de discotecas ao ar livre, com os seus DJ, e algumas bandas.

À medida que a noite avançava, os indefectíveis destes eventos iam chegando, apesar da chuva irritante (e que se tornaria persistente durante algumas horas), pelo que tanto Miguel Rendeiro, da organização, como Sónia Fernandes, presidente da Junta de Freguesia, consideraram prematuro fazer um balanço desta edição, "preferencialmente dirigida ao público jovem", admitiu o primeiro.

Não foi retirada importância à "história" do Festival, apesar dos estilos e formas de actuação actuais se enquadrarem noutros parâmetros, levando os responsáveis do Energie a admitirem ter sido um "investimento muito forte no futuro", não descartando a hipótese de recolocarem Vilar de Mouros na rota dos festivais já em 2012, depois de feito um balanço ao actual, admitiu Miguel Rendeiro.

Filipe, Rui e João, entre os 19 e os 20 anos, estudantes de engenharia na Faculdade do Porto, vieram de Gondomar, porque "gostamos de drum'n'bass e minimal". Aliam também o nome de Vilar de Mouros ao seu histórico, "diferente deste evento", frisaram, apenas lamentando as restrições nas saídas do recinto depois das nove horas da noite.

André Portela, emigrante nos EUA, de férias em Santa Maria da Feira com a sua namorada israelita Emy, foram "atraídos pelos diferentes estilos de música" e pela beleza do sítio.

"Formato mais alargado"

Na reunião camarária realizada após o evento, o vereador Paulo Pereira fez um curto balanço do evento, considerando-o favorável apesar da chuva que se fez sentir, tendo reunido cerca de 10 000 pessoas, segundo adiantou. Perante isto, promete nova edição em "formato mais alargado".

Energie Music

Vilar de Mouros, 21 de Agosto

A primeira edição deste festival, foi abençoado pela quantidade de chuva que se fez sentir durante grande parte da noite. Apesar das condições adversas o recinto recebeu mais de dez mil participantes repartidos inicialmente pelos quatro zonas existentes: palco Energie, palco electrónica, palco novas tendências e tributo a Vilar de Mouros, reduzido devido às condições climatéricas a duas zonas, o palco electrónica acabou por ficar na tenda fechada tendo recebido muitos adeptos que não pretendiam ficar molhados, e o palco Energie.

As verdadeiras honras de abertura foram para os Olivetreedance , banda oriunda do Porto, começou da melhor forma esta verdadeira noite de concertos. Com os seus Didgeridoo de grandes dimensões Renato Oliveira juntamente com Márcio Pinto nas percussões movimentaram o publico para uma dança tribal, característica do som que produzem.

O mau tempo já tinha começado quando o Macelino da Lua chegou ao palco principal do evento. Com uma sonoridade Groove característica do mesmo e com Fernanda Porto que colaborou em alguns temas colocaram a audiência em êxtase. Agradecendo várias vezes ao publico que apesar de chover copiosamente durante todo o concerto não saiu da frente do palco para o ouvir.

Com uma mudança de logística muito grande, o concerto de Richie Campbell começou com mais de uma hora de atraso. Com mais de seis anos a fazer música pelos quatro cantos do mundo Richie Campbell respira sons quentes oriundos de Cabo Verde ou da Jamaica, utilizando o reggae como um veículo privilegiado, o que não foi excepção na actuação de Vilar de Mouros.

Os multi-premiados franceses Dub Inc. subiram ao palco Energie transmitindo uma força arrebatadora. Com um forte presença de fans que entoavam a grande maioria dos temas. Já habituais no nosso mapa de concertos, reconhecem o público que o espera mantendo numa energia vibrante.

A noite continuou ao som dos dinamarqueses Who Made Who. O trio oriundo de Copenhaga brindou os presentes com um som de fusão, fruto das várias bases musicais de cada um dos elementos, Tomas Høffding veio de uma banda de rock underground Escandinávia, o vocalista (e letrista) Jeppe Kjellberg veio de uma formação de jazz e o baterista Tomas Barfod vem do universo electrónico. Tendo lançado vários eps desde 2003 só viram em 2005 o seu álbum de estreia ver a luz do dia. Com esta mistura de tantas influências o ritmo era avassalador e digno de um momento mais seco no recinto. O São Pedro ajudou à festa e assim todos em conjunto fizeram um dos concertos de referência desta primeira edição do Energie.

Antes da saída do escriba do recinto, os Buraka Som Sistema já tinham subido ao palco. Desta vez em versão DJ/MC. A grande maioria do público estava à espera deles e mesmo com todas as questões adversas, não se ausentou e manteve-se animado para o já habitual fluxo de batida de kuduro característica desta formação.

Destaque ainda para uma decoração de recinto absolutamente irrepreensível, a começar pela decoração com vídeos (criados pela Dub Video Connection ) da capela que existe no recinto, um facto invulgar e que fez muitos curiosos ficarem durante algum tempo a deliciar-se com a projecção. E mais uma vez se não fosse o caso de a chuva ter assolado o evento, este prometia ser uma verdadeira edição.

Miguel Estima

FESTIVAL? – assim, NÃO, obrigado

Construção em homenagem ao Dr. Barge (a corrente foi-se há muito)

Realizou-se, com início às 16 horas de 21 (domingo) e término pelas 10 da manhã de 22 de Agosto (segunda-feira, dia de trabalho para muitos), nos largos do Casal e Dr. António Barge, imediatamente a seguir ao já tradicional encontro anual do Grupo Motard, um evento musical organizado pela empresa Energie Music, com os apoios institucionais da Câmara Municipal de Caminha e da Junta de Freguesia de Vilar de Mouros. Não, não teve nada a ver com o Festival de Música de Vilar de Mouros: reconheceu-o a Câmara, disse-o a Junta. Foi mais, digo eu, uma “village party”, ou seja, uma espécie de “beach party”, à base de música electrónica, só que, em vez de ter lugar, como devia, numa praia (beach), veio para o centro de uma povoação (village) onde existem, bem perto, habitações com crianças e pessoas acamadas que tiveram de suportar, durante cerca de 18 horas consecutivas, todo aquele intenso barulho. Assim, não me interessa muito falar sobre um evento que, na minha opinião, nem devia ter existido, e onde nem pude estar por razões pessoais, mas antes sobre todo um processo assaz confuso que o antecedeu, bem revelador da incapacidade do poder instalado, que domina e governa (?) o município, para dar uma resposta satisfatória à problemática do festival. Claro que em águas turvas é mais fácil pescar e aí surge sempre o oportunismo de alguns que tentam retirar o máximo proveito dessa mesma confusão e incapacidade. Foi, não tenho dúvidas, o que aconteceu neste caso. Senão, e fazendo uma curta retrospectiva sobre o que disseram alguns intervenientes, nos últimos tempos, sobre o assunto, vejamos esta delícia de coerências:

Assembleia municipal de 17 De Dezembro


Foto tirada dia 22 à tarde

A Presidente da Câmara, questionada pelo delegado vilarmourense da CDU, Carlos Alves, afirmou que “quase se atrevia a delegar” os esclarecimentos necessários na presidente da Junta de Vilar de Mouros, uma vez que vem sendo esta entidade e o sr vereador que têm acompanhado de perto todo o processo com vista à retoma do Festival de Música de Vilar de Mouros. Acrescentou que houve várias empresas que manifestaram interesse em organizar o festival, havendo, já nessa altura, propostas entregues por algumas delas e considerou de toda a importância, por ser a forma mais transparente de proceder, a elaboração de um caderno de encargos com vista à apresentação de um concurso público para escolher a melhor proposta. A rematar sublinhou que o Festival de Vilar de Mouros, como todos os outros, é um negócio, não competindo nem à Câmara nem à Junta de Freguesia a cobertura dos seus prejuízos.

Sobre isto ocorrem-me duas questões:

- por que razão, passados oito meses, não se sabe nada sobre quais as empresas que apresentaram propostas, qual o conteúdo mínimo dessas propostas e se já foi ou não elaborado o tal caderno de encargos?


Desfazer da tenda. Não pude estar antes

- sendo evidente que as empresas pretendem ganhar dinheiro com a organização dos festivais, é para isso que trabalham, os festivais não têm sido também um bom negócio para Vilar de Mouros e para Caminha? Quantos milhões de euros não terão entrado no concelho à “boleia” das 9 edições realizadas entre 1996 e 2006? Isto não diz nada à sra presidente? Não deve ser por acaso que Caminha é constantemente ultrapassado pelos demais concelhos.

Assembleia municipal de 25 de Fevereiro

Em resposta a uma série de questões e comentários colocados pela delegada vilarmourense do PS, Julieta Alves, Narciso Correia, delegado e líder parlamentar do PSD teceu um conjunto de considerações de que destaco e passo a sintetizar:


- é preciso reflectir sobre que tipo de festival queremos, já que o de 1971 (até disse 73, naturalmente por lapso) “não tem nada haver com as últimas edições” (sic, transcrito da acta on-line, dessa reunião, do sítio da Câmara), sem qualquer cartaz, com (e volto a citar) “uns grupitos que andam ali numas digressões europeias, que fazem um ‘biscate’ aqui às 10 e depois vão fazer à meia-noite outro noutro lado. Faz-me lembrar alguns artistas que andam de romaria em romaria no Verão, tocam às nove nesta, às 10 naquela, às 11 na outra”;

- tendo surgido, depois de Vilar de Mouros, uma série de festivais de música com gente nova, como em Paredes de Coura e no Alentejo, é um disparate fazer aqui mais um semelhante, devendo antes optar-se por uma solução de mercado completamente diferente, que talvez não exista em Portugal mas sim na Europa, com grupos como os Eagles, os Supertramp e outros, que fazem, na Alemanha, festivais com 100, 200 e 300 mil pessoas e nem cobram tanto dinheiro como esses grupos novos pois, sendo ricos, tocam mais por prazer que outra coisa.

- duvida muito do interesse das empresas que habitualmente concorrem à organização do Festival de Vilar de Mouros em querer fazer um evento com estas características.


Analisando estas ideias tenho de concordar que, de um modo geral e pelo menos no plano teórico, elas são bastante interessantes mas, na prática, duvido muito da sua aplicabilidade, como aliás e de forma implícita o seu autor acabou por admitir. Todavia e embora concordando que o cartaz das últimas edições não foi brilhante, acho um exagero tremendo meter no mesmo saco dos “grupitos que andam ali numas digressões europeias” a fazer uns “biscates”, nomes como (podia ir buscar outros bem mais sonantes mas vou reportar-me apenas a 2005 e 2006, as duas últimas edições, “diabolizadas” pelo município…) Joe Cocker, Robert Plant, Peter Murphy, The Durutti Column e Xutos e Pontapés, curiosamente todos eles já em actividade artística na década de 70.

Por outro lado, esta intervenção do sr delegado do PSD põe-me outro tipo de dúvidas, tais como:

1 - Para se conseguir ou, pelo menos, tentar um tipo de festival diferente e melhor, como todos gostaríamos, não teria de competir à Câmara a iniciativa de o promover, nomeadamente através do estabelecimento de contactos com as tais empresas europeias que o fazem noutros países? E fê-lo? Claro que não! Bem, então temos de concluir que, pelo menos aqui, não há qualquer sintonia entre o que pensa o líder parlamentar do PSD e o que fez a Câmara, que se limitou, tudo o indica, a aguardar que as empresas aparecessem com propostas, delegando na presidente da Junta de Vilar de Mouros e num vereador toda a responsabilidade do processo.

2 – Sem, de algum modo, querer pôr em causa a sinceridade das opiniões do sr deputado, receio também que a sua intervenção, mesmo não fazendo parte duma estratégia concertada, possa vir a ser aproveitada por quem gere o município para justificar aquilo que me parece evidente: a total incapacidade em definir uma estratégia e encontrar quem queira organizar novas edições. É que, subindo? ?


31 de Julho, azenhas...sem "festival"

Assembleia de freguesia de 29 de Abril

Não vou aqui desenvolver o que foi dito nesta assembleia sobre o evento realizado há dias, uma vez que já o fiz em anterior mensagem deste mesmo blogue, no ponto 2, com o subtítulo “Festival em Vilar de Mouros”, que poderá ser consultado por quem estiver interessado. Assim, limito-me a recordar que a Presidente da Junta informou tratar-se de uma proposta da empresa Energie Music, que escolheu o dia 21 de Agosto por coincidir com o fim do festival de Paredes de Coura e julgar que pode tirar daí algum proveito em termos de afluência de público. Disse ainda que continua a aguardar, até final de Abril, a apresentação de propostas que dêem garantias de um projecto por um período alargado de tempo e que o acordo a que se chegou com a Energie Music para este ano tem também como objectivo ser um chamariz para que outras empresas possam avançar e vir de encontro ao que se pretende, se possível já para 2012.

Conferência de imprensa em Junho, no Salão Nobre

Segundo o jornal “Caminhense”, de 24 de Junho, realizou-se no Salão Nobre da Câmara Municipal uma conferência de imprensa para apresentação do cartaz, com a presença do vereador da cultura, Paulo Pereira, em representação do município e de Miguel Rendeiro, da empresa organizadora. Aí foi dito, pelo primeiro,


conforme o mesmo jornal, que “este evento não vem substituir o festival de Música de Vilar de Mouros que já não se realiza desde 2006” e que “tem uma identidade própria”, escusando-se, no entanto, a pronunciar-se sobre o futuro. Já Miguel Rendeiro, em representação da Energie Music, afirmou, segundo o mesmo jornal, que “o Festival de Vilar de Mouros acabou…foi um marco desta região, mas para nós acabou”. Pelos vistos o sr vereador ficou mudo e quedo depois de ouvir isto, como continuaram calados Junta e Câmara, nenhum reagindo a estas palavras do empresário.

Agora pergunto eu: afinal em que ficamos? Alguém se apercebeu de, ao menos, um ténue fio condutor de pensamento coerente no meio desta trapalhada toda? Então é aceitável que, depois de se assumir que um dos objectivos do acordo com a Energie Music para a organização do evento deste ano seria o de cativar o interesse de outras empresas para a apresentação de projectos interessantes, por um período alargado, para a retoma do Festival, se fique calado quando o representante dessa mesma Energie Music diz, em conferência de imprensa e “nas barbas” do vereador, que “o festival de Vilar de Mouros acabou”? É anunciando-lhe a morte que se faz a promoção?

No entanto e evidenciando o tal oportunismo típico do chico-espertismo português, não se teve pejo em escrever, no desdobrável onde consta o cartaz do “festival”, logo no início do texto, que (e cito) “Vilar de Mouros está de volta…aquele que é considerado por muitos como um local de culto e o palco natural dos grandes concertos ao ar livre, vai receber grandes nomes da música…”. É preciso ter lata!

A concluir julgo ser interessante retomar a questão do negócio de que falou a presidente da Câmara: afinal, este ano, quem lucrou?

Extenso Largo Dr António Barge? com o negócio? Só se foi a empresa organizadora…essa acredito que sim: apanhou as “sobras de Paredes de Coura”, os terrenos comprados por outros, o nome mítico de um festival que ela diz ter acabado! A Junta, pelo que se sabe, não recebeu nada, beneficiações na freguesia não se vêem (nem os balneários do palco foram ainda arranjados…), é certo que foram distribuídos bilhetes gratuitos a toda a população recenseada que o desejou mas, tanto quanto me consta pelas informações que colhi, uma vez que, como já escrevi, não pude estar presente, foi escassíssima a adesão dos vilarmourenses a um “festival” com o qual a esmagadora maioria não se sente identificada. Como é possível, em tão pouco tempo, um volte-face como este? Anteriormente as empresas pagavam, e bem, para poderem fazer o festival, adquiriram para a freguesia todo aquele enorme espaço da Chousa hoje chamado Largo Dr. António Barge (desta vez cedido de borla para a tal “village party”), assumiram a realização de muitas benfeitorias e agora, segundo a própria presidente da câmara, parece estarem à espera que seja a autarquia a garantir a cobertura dos prejuízos! Que se passa? Qual a razão que leva as empresas a retraírem-se? Que esteve na base de tudo isto? Deixo a pergunta à reflexão dos vilarmourenses e caminhenses.

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