Jornal Digital Regional
Nº 551: 3/9 Set 11
(Semanal - Sábados)






Email Assinaturas Ficha Técnica Publicidade 1ª Pág.
Cultura Desporto Óbitos Política Pescas Roteiro

TRIBUNA
Espaço reservado à opinião do leitor



Chafariz em estado de coma


água choca e lixo

O chafariz da Praça Conselheiro Silva Torres, no centro da vila de Caminha, é uma belíssima obra arquitectónica renascentista, construída entre1551 e 1553, da autoria do mestre vianense João Lopes, o Velho, o mesmo projectista que concebeu o chafariz de Pontevedra, na Galiza e o da Praça da República, em Viana do Castelo, tendo sido classificado como monumento nacional por decreto de Junho de 1910.

Há cerca de seis anos, em 2005, a Câmara Municipal decidiu proceder a trabalhos de limpeza, estabilização, conservação e embelezamento do mesmo. Foi uma intervenção bastante onerosa, da ordem de várias dezenas de milhar de euros, na altura algo contestada por alguns, não só pelos elevados valores envolvidos mas sobretudo por haver quem considere que esta forma de operações de limpeza acelera o processo de erosão do granito, começando pela deterioração dos pormenores devido à remoção da pátina, ou seja, daquela capa escura existente na superfície de rochas, edifícios, moedas e outros objectos, que se forma devido à alteração provocada pela acção prolongada de agentes físicos e, ou, químicos, mas que acaba por ser também uma elemento de protecção das camadas interiores.

Todavia, a razão para esta minha mensagem não tem nada a ver com esse tipo de discussões técnicas para as quais não me sinto preparado nem vocacionado mas, antes, com uma coisa muito mais simples e que toda a gente entende: é que, neste momento, nem sequer existe chafariz no Terreiro de Caminha. E não existe porquê? Porque um chafariz tem de ter, por definição, água corrente! Ora, em plena época balnear, já em Agosto, com as esplanadas do terreiro repletas (e ainda bem…) de visitantes, nem uma gota cai das torneiras de tão bela construção! Pelas fotografias que junto (clicar para aumentar) e que foram obtidas em plena Feira Medieval, pode perfeitamente verificar-se que, quer no tanque circular quer na 1ª e 2ª taças apenas existem uns restos de água choca e misturada com lixo! Como é isto possível? Será que o problema é assim tão complicado de resolver? O bom nome e a imagem de Caminha não mereceriam outro tratamento? Gasta-se tanto dinheiro em coisas de duvidosa, ou nenhuma, utilidade e não sobra nada para pôr água corrente neste lindíssimo monumento localizado no coração de Caminha?!


cai uma gota de tempos a tempos

Note-se ainda que, enquanto decorreu a Feira Medieval, talvez como forma de aliviar um pouco a seca e o peso das inúmeras críticas feitas em relação à falta de condições de higiene para um evento que durou dez dias e trouxe a Caminha tanta gente, foi apenso um “anexo” ao monumento nacional, em forma de torneira, ligada, suponho, à rede de água pública, conforme foto que também publico, tirada no dia seguinte ao final da feira.

PORTINHO DE VILA PRAIA DE ÂNCORA: UMA OBRA FUNDAMENTAL PARA OS PESCADORES, UM IMPERATIVO PARA A INTEGRAÇÃO DO PORTO NA VIDA URBANA

Da noite para o dia, sobre as antigas e rudimentares instalações do velho portinho ancorense surgiu um novo porto de abrigo. Foi um fenómeno o que aconteceu. É que a obra não tem responsáveis. Apareceu simplesmente e só nos demos conta quando acordamos espantados com a surpreendente visão. Afinal, era uma realidade.

Constatamos, porém, que essa realidade era uma realidade amarga, difícil de digerir. Tão difícil, que volvidos sete anos e após ser provisoriamente recepcionada pelo IPTM, ainda continuamos com este enjoo permanente a sufocar os vómitos incontidos de uma indigestão crónica à espera do remédio salvador.

O IPTM continua a manter, tanto quanto sabemos, o carácter provisório da recepção da obra. Como toda ela é um fiasco, tanto do ponto de vista financeiro como da eficiência das infraestruturas - o que toda a gente constata e concorda - urge cada vez mais a necessidade de encontrar uma saída.

Nesta perspectiva, há um ano atrás ( 16 de Julho de 2010 ) deslocou-se a Vila Praia de Âncora o então secretário de Estado dos Transportes Carlos Correia da Fonseca, que assumiu encomendar ao LNEC um estudo rigoroso que permitisse encontrar uma solução duradoura para o problema do assoreamento permanente do porto. Na ocasião o governante considerou ser esta obra um "sorvedouro de dinheiro" que obrigava a uma despesa anual de 500.000 euros com a remoção dos inertes. Como já foram realizadas quatro operações de desassoreamento sem qualquer efeito, basta fazer as contas para qualquer leigo confirmar a expressão utilizada pelo secretário de Estado. E, talvez por essa razão, estas operações de dragagem deixaram de se realizar. Porém, até à data, nem estudo, nem execução de qualquer trabalho de fundo com o objectivo de corrigir e solucionar de vez o problema.

Aliás, o problema não é assim tão fácil de resolver. Por mais voltas que dêem ao texto, só com a remoção total do quebra-mar norte e a sua reorientação clara para sudoeste limitada ao enfiamento dos antigos faróis, o problema se resolveria. Isto era, concretamente, realizar o projecto previsto pela opção C das três soluções contempladas no estudo inicial. Mas, para isso até seria bem melhor optar por uma alternativa, a alternativa oferecida pelas condições naturais das Camboas na proeminência da Ponta das Medas, o ponto de formação das ondas neste trecho da costa ancorense. Julgo que um porto deve ser construído num ponto de intercepção da formação das ondas.

Pactuar com outras soluções, ou remendos, é apoiar a desgraça e o sorvedouro de dinheiros públicos e brincar com a segurança dos pescadores. E, ainda, matar a esperança de um melhor futuro para esta comunidade. O tempo passa e dizem-nos sempre que vão estudar e prometem que vão fazer, mas nada estudam e nada fazem. Mas quando nos vêm falar insistem sempre em apontar para o futuro, que tudo será uma realidade no futuro e esquecem-se que o futuro tem pressa.

Pessoalmente, não acredito que se faça seja o que for nesta obra que mude as condições essenciais em ordem a uma melhoria substancial e definitiva. Tal como está, o Portinho, o seu porto de abrigo, está irreversivelmente condenado. As obras de requalificação do Campo do Castelo em curso onde se estão a gastar 5,7 milhões de euros, não passam de uma operação de branqueamento das obras de mar que ficam por fazer. Não esquecer que até lhe chamaram "Obras da 2ª fase do Portinho". Mas o Portinho verdadeiro, o porto de mar, está por cumprir. A obra fundamental está ignorada e pretende-se com o empreendimento ilusório que decorre no Campo do Castelo, o seu completo esquecimento. As obras de mar que lhe serviram de pretexto tornaram-se secundárias, obsoletas. Incrível!

Não temos políticos locais, nem liderança capaz com influência. Por aqui, os políticos tratam de si próprios, a terra e a pátria não são referências que os faça mover. Ou seja, não é por elas que se movem.

Não advogo qualquer solução para as actuais infraestruturas do Porto de Abrigo que está irremediavelmente condenado. Os gastos a fazer aqui seriam sempre mais elevados do que os gastos numa nova alternativa. Por isso mais vale deixar que a areia as engula de vez.

O que não podemos é deixar em branco a questão do apuramento das responsabilidades. Sem se apurar as responsabilidades não há obras para remediar a desgraça nem alternativas. Não acredito que o Portinho de Abrigo tenha caído do céu por obra e graça e ninguém seja responsável e tenha de responder por ele. Que país é este que deixa impunes os autores desta desgraça e deste "sorvedouro de dinheiro", que iludiu o nosso desenvolvimento e a nossa esperança em melhorar as condições de vida e de trabalho desta comunidade?

Admiramo-nos e ficamos indignados com o que se passou com o BPN, um assunto que dispensa quaisquer comentários, mas conhecendo o que se passa com o Portinho, já nada me admira, nada me surpreende. Portugal é o país da impunidade e da incompetência. Merecíamos melhor, nós os governados.

O título deste texto quer exprimir o desejo de que se cumpra a obra fundamental para os pescadores e o imperativo da integração do porto na actividade urbana de Vila Praia de Âncora. Sugere, ainda, que este objectivo só será conseguido se nos mantivermos inconformados e continuarmos a questionar o poder até que se faça justiça.

CELESTINO RIBEIRO

Um Eurodeputado, pescador

É verdade, caro leitor. No passado dia 11 do corrente, o eurodeputado José Manuel Fernandes o o deputado Eduardo Teixeira, participaram, em Vila Praia de Ancora, numa "sardinha na alvorada", para conhecerem, in loco, os problemas dos pescadores desta linda vila minhota.

O objectivo foi conhecer os problemas com os quais os pescadores de V.P.A. se debatem. O responsável diz que a pesca artesanal é uma actividade muito importante, pois atinge muitas pessoas e famílias, sendo um factor de atractividade da região.

O pequeno barco, comandado pelo Sr. Vasco, um velho lobo do mar, transportou aqueles dois políticos-pescadores e dois pescadores profissionais.

Para J.M.F. esta é "uma pesca sustentável", que não destrói espécies, devendo por isso ser protegida. Também, E.T. afirmou que aquela maravilhosa experiência, para si e para o seu colega, serviu para perceberem melhor as dificuldades da profissão de pescador, nesta Princesa do Ancora.

No dia seguinte, aconteceu uma bela sardinhada, com o peixe que apanharam.

J.M.F. nasceu em Vila Verde, no dia 26 de Julho de 1967 e é licenciado em Engenharia e Sistemas de Informática, pela Universidade do Minho, além de frequentar o terceiro ano de Direito.

Antero Sampaio