Jornal Digital Regional
Nº 551: 3/9 Set 11
(Semanal - Sábados)






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Festa de S. João d'Arga igual a si própria

A pé desde Venade até ao Convento

Gaita de foles voltou a ecoar na montanha mágica

A tradição cumpriu-se em mais uma Festa de S. João d'Arga, cuja noite coincidiu com um Domingo, o que permitiu que durante o fim-de-semana se multiplicassem as rusgas e romarias até ao Mosteiro de S. João d'Arga.

Venade tentou pela segundo ano consecutivo recuperar o grupo que na primeira metade do século passado arrancava desta freguesia em direcção à Senhora da Serra, até atingirem o recinto da festa.

António Escusa voltou a ser o principal impulsionador "de um grupo de amigos" desta iniciativa, conseguindo agora juntar duas dezenas de caminhantes, não só da sua freguesia, mas também de Azevedo, Argela e Vilarelho.

Sulco dos rodados dos carros em pedra

Ele próprio organiza habitualmente os seus passeios, referindo que ainda no dia 24 de Junho tinha marcado presença no Dia de S. João Baptista, realizando o mesmo percurso.

E este percurso começou pelas 7H30 no Largo de Venade, seguindo para Aldeia Nova e recolhendo mais alguns que se juntam ao grupo, começando de seguida a penosa subida pela encosta da Senhora das Neves (ou da Serra), passando perto do penedo do Fojo, regueiro do Gatos (na divisória com Argela), Penedo da Conta, até à capela situada no cimo deste monte - desfrutando da beleza panorâmica dos estuários dos rios Coura e Minho - prosseguindo seguidamente até ao centro da freguesia de Dem, a fim de retemperar forças no Café Sobreiro.

Casa do Gouveia

Quase a chegar ao cimo da Senhora da Serra, António Escusa recordou os tempos durante a Segunda Grande Guerra em que as populações locais se dedicavam a apanhar estanho que era guardado na "Casa do Gouveia", agora abandonada.

Abel Poço, outro venadense que integrou o grupo, referiu a existência de inúmeras minas neste ponto da serra de onde era extraído o minério, havendo relatos do aparecimento de quando em vez de pequenas pepitas de ouro.

António Escusa

De novo pelo meio da serra até atingir o lugar de Felgueiras, em Stº Aginha, apanhando a estrada asfaltada que o grupo percorreu até atingir o Convento, após quatro horas e meia de caminhada, entre piadas, picardias e ditos entre freguesias, num ambiente de franca camaradagem

Este venadense está apostado em "reavivar a tradição e espero que para o ano venham muitos mais do que agora", porque é conhecedor de que os venadenses marcavam sempre presença na romaria através de um numeroso grupo de caminheiros.

Se nestes dois anos os contactos foram feitos pessoalmente, António Escusa pretende alargar futuramente a divulgação do percurso com 13,5 quilómetros, - que poderá duplicar para aqueles que fizerem a pé o percurso inverso -, incluindo avisos através do padre de Venade, bem como noutras freguesias, apostado ainda na inclusão de um tocador de concertina a fim de dar mais "calor" à peregrinação.

Chegados ao Mosteiro, ainda com escassa participação popular dado ser véspera da festa principal, foram dadas três voltas à capela e esmolas ao santo e ao diabo (não vá ele tecê-las…), antes de degustar uma cabritada no restaurante improvisado do Carlos.

Grupo de Dem destacou-se

Na noite da festa, o chi-ri-pi-ti (bagaço com mel) encarregou-se de adocicar as gargantas, desinibir os tocadores de concertina e "acelerar" a competição entre as duas bandas contratadas (Lanhelas pois então e de S. João da Madeira), gerando os já habituais ambientes frenéticos ao redor dos coretos, com os populares incentivando ainda mais os músicos a acelerar o despique, levando ao rubro a assistência, nomeadamente o numeroso grupo de fieis seguidores da banda lanhelense.

Tendas de campismo, rolotes, piqueniques com bons petiscos rodeavam o recinto, cada um aconchegando-se como podia porque o espaço e os desníveis acentuados das rochas obrigam às imperiosas improvisações.

De entre os grupos presentes em S. João d'Arga, o de Dem voltou a destacar-se. Pelo número de integrantes, pelos instrumentos e pela animação gerada.

Após percorrer o itinerário habitual ao som das concertinas e gaitas de fole, a merenda, ao cair da tarde, ao abrigo do penedio e após estendidas as mantas, é um dos pontos altos dos romeiros deenses que primam pela regularidade de presenças nesta festa da Serra d'Arga.

As entradas do grupo de Dem no recinto das Festas já são famosas, agora melhoradas com os sons peculiares das gaitas de fole introduzidas no grupo por Francisco Caldas, indo assim ao encontro dos instrumentos outrora comuns nestas festanças populares.

Depois, depois a noite foi longa apesar de a todos parecer demasiado curta….

Junta de Freguesia de Arga de S.João

HORÁRIO DE ATENDIMENTO
Sexta : 17h00/19H00