Jornal Digital Regional
Nº 388: 2/8 Mai 08 (Semanal - Sábados)
Email Assinaturas Ficha Técnica Publicidade 1ª Pág.

VILAR DE MOUROS

"Este Executivo camarário vai ficar para a história
pelo desprezo a que tem votado esta freguesia", Carlos Alves

Estado da estrada da Cavada é o exemplo mais flagrante

Junta faz ponto da situação do Festival de Vilar de Mouros

Estrada da Cavada

A Junta de Freguesia de Vilar exige que a Câmara de Caminha "explique os critérios" a que obedecem a disponibilização do dobro do dinheiro à freguesia de Dem ou Venade, em comparação com Vilar de Mouros, uma aldeia com mais moradores, e que muito tem contribuído para a promoção do concelho, quer pela sua beleza, quer pelos festivais que aqui se realizaram.

O assunto foi despoletado no decorrer da última Assembleia de Freguesia, em que Basílio Barrocas, secretário da Junta, também aludiu aos 9.000€ com que a Câmara se preparava para conceder à Junta a fim de que ela procedesse à limpeza dos caminhos, uma verba considerada manifestamente insuficiente, levando a que a autarquia rejeitasse tal oferta, porque "não estamos para subsidiar a Câmara", salientou o autarca.

"ESCANDALOSO"

Foram dados vários exemplos do ostracismo a que Vilar de Mouros tem sido votada neste mandato, com valetas por limpar e mato a crescer.

Carlos Alves, presidente da Junta, no clamor das reclamações, acrescentou que a Câmara pode não gostar da Junta comunista, mas "faça as obras que lhe compete", desafiou-a.

Outro exemplo "gritante", prendeu-se, uma vez mais, com o estado deplorável da Estrada da Cavada -considerada a pior do concelho-, totalmente esburacada, com o piso irregular, formando enormes poços de água quando chove e que encharcam os transeuntes quando passam carros -conforme António Fiúza (PS) apontou, ao dar um exemplo presenciado por ele, em que quatro pessoas ficaram molhadas "dos pés à cabeça".

"NÃO INVESTIU, NEM DEU DINHEIRO"

Muro da escola primária

Carlos Alves salientou que com 14/15 mil contos já se resolvia um problema que vem sendo adiado ano após ano, agora agravado com a obra do IC1, entretanto finalizada, registe-se.

O presidente da Junta referiu que a Câmara nem sequer quis contribuir para executar a obra de reposição de um muro junto à Escola Primária, nem resolve o problema de uma valeta que aluiu com a passagem dos TIRs transportando vigas para o viaduto do ICI sobre o Coura.

CENTRO DE DIA NA LISTA DE ESPERA

O impasse na construção do Centro de Dia foi igualmente objecto de comentários na reunião.

Aqui, as críticas foram para a Segurança Social, devido à falta de investimento nesta área, a exemplo de muitas outras situações no resto do país, denunciou Carlos Alves, atendendo a ser um processo novo a que o Estado não vai dar prioridade, criticando as obras faraónicas previstas para a capital do país ou os dois milhões de euros dados para a Fórmula 1.

Como única obra levada a cabo em 2007 com dinheiros da Junta, saliente-se, a conclusão da 2ª fase da obra de ampliação do cemitério.

"AS PESSOAS QUE SE QUEIXEM…"

As falhas na luz pública também geraram protestos, permitindo a Basílio Barrocas pedir aos delegados para lhe indicarem essa situações a fim de as comunicar à EDP, uma vez que esta empresa, presentemente, "nem sequer faz inspecções", ficando a aguardar que "as pessoas se queixem".

O lançamento de entulho no caminho para o caminho da Senhora do Crasto foi outra das situações apresentadas na assembleia, pela voz de Ana Bela Vau (PSD).

Esta sessão permitiu ainda aprovar as contas de 2007, num valor um pouco acima dos 100.00€ .

Em maré de "vacas magríssimas", a Junta apenas vaticinou como compensação para este ano (Junho), o fim do pagamento das tranches da compra do edifício do futuro Centro de Dia.

FESTIVAL - NEGOCIAÇÕES PROSSEGUEM

Embora o assunto do Festival não tivesse sido abordado na reunião, com excepção de uma pedido da delegada do PSD, para que a Junta confirmasse se todas as parcelas do Largo de Chousas estavam na posse da autarquia vilarmourense (apenas não estão três ou quatro), o Relatório de Actividades/07 apresenta uma retrospectiva do conflito latente que levou ao cancelamento das edições de 2007 e 08 e explana o que está em jogo presentemente:

2007 foi um péssimo ano para o Festival de Música de Vilar de Mouros, que viu interrompidas as suas edições ao fim de seis anos de realizações consecutivas.
Para um melhor enquadramento e compreensão dos últimos e lamentáveis episódios, convém fazer uma breve resenha histórica.

É bem sabido e unanimemente reconhecido o papel determinante desta Junta de Freguesia no relançamento do Festival de Música de Vilar de Mouros, interrompido durante 14 anos, desde 1982 até 1996.
Como é bem sabido o papel decisivo que tivemos ao assumir, em 1999, sozinhos por desinteresse do executivo camarário de então, a responsabilidade das negociações com as empresas candidatas à organização de edições futuras.
Como é bem sabido também das terríveis dificuldades que tivemos de enfrentar para conseguirmos a aquisição dos terrenos da Chousa, pertença de mais de 30 proprietários, quando um advogado de uma empresa candidata que acabou por ser preterida nas negociações tentou aliciar alguns desses proprietários, oferecendo verbas exorbitantes pela compra de parcelas estrategicamente situadas de modo a boicotar ou dificultar a realização dos festivais.

Fizemos tudo isto sozinhos e obtivemos o êxito que obtivemos graças a muito esforço, empenhamento e ao sentido de dever cívico e de bairrismo dos vilarmourenses, que preferiram perder muito dinheiro em alternativa à inviabilização do festival.
Mas tudo poderia ter sido bem diferente e muito mais fácil se, como nós propusemos, o executivo camarário tivesse assumido a compra desses terrenos para a criação dum parque municipal. Teria sido excelente para o Festival e para o concelho de Caminha.
Como não o fez e porque foram as empresas organizadoras a assumir protocolarmente uma verba para aquisição desses terrenos, vimo-nos forçados a aceitar que, do acordo celebrado com a Música no Coração e a Porto Eventos para a realização de um pacote de 6 Festivais – 1999 a 2004 – constasse uma cláusula que dava preferência a essas duas empresas na renovação dos protocolos seguintes, até 2018, como forma de lhes garantir a possibilidade de recuperação do investimento inicial.

Por incompatibilização entre as duas empresas, fomos forçados a renegociar, a partir de 2005, não em conjunto mas separadamente, novo pacote de festivais, tendo sido convidada cada uma delas, no respeito pelo acordo inicial, a apresentar as suas propostas.
A proposta da Porto Eventos foi considerada mais vantajosa para a freguesia, pelo que foi a escolhida.

Pareceu-nos natural que assim fosse, na sequência de compromissos que nos forçaram a assumir, no respeito pelos mesmos e na defesa dos interesses da freguesia.

Não o entendeu assim a Sra Presidente da Câmara Municipal de Caminha, que nunca aceitou não ter sido convidada a participar em todo o processo desde o início e passou a ter uma atitude de distanciamento, para não dizermos de marginalização, relativamente ao Festival.

Embora nunca o assumindo publicamente, por razões estratégicas, foi de facto isso que se constatou, nunca tendo, por exemplo, aceitado receber pessoalmente quer a organização quer a Junta de Freguesia, não respondendo às cartas que conjuntamente lhe enviámos, “esquecendose” de escrever uma palavra que fosse na Agenda Cultural do município sobre o Festival de 2006, atrasando, segundo informações da Porto Eventos, a passagem das indispensáveis licenças até ao último momento, cortando nos apoios habitualmente concedidos, que passaram a ser mínimos, limitando-se a pouco mais que ao fornecimento de água e execução de limpezas.

Face a este contexto não foi com grande surpresa que recebemos a proposta de suspensão da edição do Festival de 2007, por parte da Porto Eventos, alegando não ter condições para a realizar.
Embora com grande tristeza e preocupação, solidarizámo-nos com a empresa e emitimos um comunicado conjunto explicando as razões de tal atitude.
Seguiram-se, como seria previsível, tomadas de posição públicas, comunicados e contra-comunicados.
A Câmara Municipal, apagada e quase ignorando o Festival nas duas edições anteriores, passou a revelar, finalmente, a partir da sua suspensão, grande interesse, iniciativa e preocupação com o mesmo.

A Junta de Freguesia lamenta que as coisas tenham levado o caminho que levaram.
A interrupção da edição 2007 trouxe já sérios prejuízos para Vilar de Mouros e para o concelho de Caminha.
A incerteza quanto ao futuro não deixa de ser algo preocupante.
Pela nossa parte tudo faremos para que esta situação de impasse seja ultrapassada, tendo já participado em reuniões com o Maestro Vitorino de Almeida, que se ofereceu de mediador neste complicado processo, o que é de louvar, com a Sra. Presidente da Câmara, que finalmente acedeu em nos receber e com a Porto Eventos.
Há, no entanto, um complexo emaranhado de questões pendentes, nomeadamente no que a dívidas diz respeito, que tem de ser resolvido antes que se possa avançar para qualquer decisão sobre este ou aquele modelo de edições para o futuro.
Uma coisa é certa: o protocolo com a Porto Eventos ainda não foi resolvido, estamos receptivos a fazê-lo, se for essa a melhor solução, mas não deixaremos em caso algum de defender com todas as nossas energias os legítimos interesses da freguesia.

JUNTA DE FREGUESIA DE VILAR DE MOUROS

Horário de Atendimento ao Público

De 2ª a 6ª Feira - 19H / 20H

Posto Público de Acesso à Internet
Horário: 18H/20H (Todos os dias úteis)
Feriados e fins de semana

jf-vilardemouros.pt

ROTA DOS LAGARES DE AZEITE DO RIO ÂNCORA
Autor
Joaquim Vasconcelos
Ambiente
Animação
Cultura
Desporto
Distrito
Educação
Empresas
Freguesias
Galiza
Justiça
Óbitos
Pescas
Política
Roteiro
Tribuna
Turismo
Saúde
Sucessos
MEMÓRIAS
DA
SERRA D'ARGA
Autor
Domingos
Cerejeira