Jornal Digital Regional
Nº 388: 2/8 Mai 08 (Semanal - Sábados)
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Fim de Semana Gastronómico – A Truta do Rio Coura
PAREDES DE COURA – 3 e 4 de Maio

A Casa Grande de Romarigães

Em tempo de "Domingos Gastronómicos" em Paredes de Coura, "agoamos" com a digressão gastronómica dos fidalgos da Quinta do Amparo onde havia "uma cozinha de lajedo e chaminé de barretina, compreendendo lareira, armários, dois fornos em que se podia assar, ao estilo das comunidades conventuais, um boi no espeto". Seguimos com eles nas andanças por Braga e Amarante, nos farnéis preparados para as longas viagens: "um lombo de vinha-d’alhos, que era a primeira maravilha do Minho gastronómico". Mas são as trutas honrando a velha tradição das águas e regatos do Coura, "há uma ribeira que é a mãe das trutas", que fascinam os Senhores de Romarigães fossem eles o primeiro proprietário da Quinta, o padre Gonçalo da Cunha "deu conta da balsa que as águas ao confluir faziam e surpreendeu, fulgurando suas escamas lantejoiladas, duas boas trutas palmeiras" ou o Senhor de Salvaterra y Moz com os viveiros de trutas – "haveria deleite maior que contemplar as trutas, no deflúvio matutino, com a água do córrego a cair no batedoiro dos seixos, oxigenada da frescura do orvalho e do azul do céu", pergunta Aquilino? Era assim a Casa Grande de Romarigães inesgotável em produtos de horta e salgadeira, o espigueiro "chapelão de larga aba, soleira de granito tão grande que não haverá maior na frumentosa comarca interamundense, lá está com os seus trinta metros de comprimento lauto e garboso, verdadeiro templo de Ceres" e na adega "não havia pipo, nem pipa que tocasse a vazio".

Um dia, diz Aquilino: "eram horas de jantar e sentaram-se à mesa: caldo de leite com abóbora e feijão vermelho, temperado a orelheira de porco e salpicão, vinho, o palhete e espirrador, das suas parreiras e enforcados".

Mas, também, os "bolinhos de bacalhau sobre o vinagre, o caldo verde, o polho de grão assado no espeto, as talhadas de salpicão, a perna de vitela ou o javali caçado na mata". Na época, nada melhor que ir à tasca do Chacim, em Infesta, comer o "ceote de lampreia do Abade de Mozelos, regado a vinhos dos Arcos".

Na Quinta do Amparo, com os bons ares de Coura, "as rolas nas corutas dos pinheiros", a água "a mais delgada e fria do mundo" o apetite era homérico. E o padre Triteu, capelão dos Senhores de Romarigães, luxurioso e prolixo, que saboreava e deglutia com pragmática, enquanto a comida se esvaziava "no estreito de S. Golão como chamava ao esófago um velho autor da Igreja" mesmo com os malhados a monte, discorria sobre receitas culinárias acalmando fidalgos, homens da escolta e postilhões: "Não há como o arroz de lampreia, se lhe adicionarem uma colher de manteiga de pato"; "uma posta de salmão com salada de alface e rodela de cebola tenra vale um ano de Paraíso"; "perdiz com couve murciana fermentada bate todos os petiscos inventados e por inventar".

O Alto Minho é generoso por essa província além, há de tudo como na botica, diz Aquilino.

Sugestão de umas merecidas mini-férias numa visita a Paredes de Coura de 1 a 4 de Maio

Dia 1 e 2 de Maio

Ao Centro Cultural, com exposições permanentes, localizado num amplo espaço cujo enquadramento é delineado pelo verde dos relvados e pela fonte luminosa, integrando uma obra do escultor Mestre José Rodrigues "O Anjo da Sabedoria".

Ao Museu Regional, instalado nos edifícios rurais da Quinta da Veiga, dispõe de quatro núcleos de exposição distintos: três galerias e a Casa Rural. A primeira galeria ostenta uma exposição sobre o ciclo do linho, no âmbito da qual sobressaem belíssimas peças artesanais; a segunda galeria exibe, temporariamente, uma exposição de traje senhorial feminino, datado do séc. XVIII até ao primeiro quartel do Séc. XX, destina-se, futuramente, a uma exposição permanente de arqueologia.; a terceira galeria evoca o mundo agrícola através duma mostra de alfaias agrícolas. A Casa Rural é uma reconstituição de uma casa agrícola abastada. Na casa recriam-se, anualmente, os ambientes da Páscoa e do Natal; no exterior, a desfolhada, a malhada e a espadelada do linho ( ...).

À Área Protegida do Corno de Bico que para além da riqueza faunística e florística, ostenta um património arqueológico significante, costumes e tradições assentes numa equilibrada interacção entre o homem e a natureza. Sobretudo, aquele saber receber tão peculiar e amistoso das gentes de Coura.

Dia 3 de Maio (Sábado)

Das 8,00 às 12,00 horas – Rio Coura – Convívio lúdico Desportivo de Pesca / Albufeira da Mini-Hídrica de Formariz (inscrições na Câmara Municipal)

Feira Quinzenal – Largos 5 de Outubro e Hintz Ribeiro

9,30 às 23,00 horas – Largo Visconde de Moselos – Sabores da Terra – Mostra da Gastronomia Tradicional / Associações Culturais e Atelier / A Arte de fazer biscoitos.

10,00 horas – Ruas da Vila – Arruada de Bombos

12,30 horas – Restaurantes aderentes ao Fim-de-Semana Gastronómico – Truta do Rio Coura e Formigos

15,00 horas – Largo Visconde de Moselos – I encontro de Tocadores de Bombos do Concelho.

21,30 horas – Largo Visconde de Moselos – I Encontro de Concertinas "Território com Alma".

Dia 4 de Maio (Domingo)

Das 8,00 às 12,00 horas – Rio Coura – Convívio lúdico Desportivo de Pesca

Albufeira da Mini-Hídrica de Formariz (inscrições na Câmara Municipal)

9,30 às 18,00 horas – Largo Visconde de Moselos – Sabores da Terra / Mostra de Gastronomia Tradicional

10,00 às 12,00 horas – Largo Visconde de Moselos – O Desporto sai à Rua

das 12,00 às 12,30 horas – Ruas da Vila – Desfile do Grupo Folclórico de Vila Nova de Paiva

12,30 horas – Restaurantes Aderentes – Almoço: Truta do Rio Coura e Formigos

15,00 horas – Largo Visconde de Moselos – actuação do Grupo Focllórico, Cultural e Recreativo de Vila Nova de Paiva e Grupo Etnográfico da Associação Cultural de Paredes de Coura.

As Nossas Receitas

Trutas do Rio Coura

Trutas, presunto, sal, cebola, salsa, vinagre e azeite

"Mas são as trutas, honrando a velha tradição das águas e regatos do Coura, há um ribeira que é a mãe das trutas, que fascinam os senhores da Casa Grande de Romarigães (...) o Padre Gonçalo da Cunha surpreendeu, fulgurando suas escamas lantejoiladas, duas boas trutas palmeiras".

Arranjam-se as trutas como o outro peixe, temperam-se de sal e depois de bem limpas, enfia-se-lhes no degoladouro uma fatia de presunto gordo e vão a grelhar na chapa do fogão. Depois de grelhadas, colocam-se numa travessa e levam por cima uma fatia de presunto cru.

São servidas com molho verde e batatas cozidas.

Molho Verde: pica-se para uma malga, bastante cebola e salsa, deita-se vinagre, azeite e um pouco de sal refinado. Mexe-se muito bem e está pronto a servir.

Formigos de Coura

1 litro de água, leite q.b., miolo de pão q.b., 100 grs de açúcar, 50 grs de passas, 50 grs de amêndoa, 50 grs de nozes, 50 grs de pinhão, 1 dl de Vinho do Porto, 1 pau de canela, 2 colheres de mel, 3 gemas de ovo.

Fazer uma calda de açúcar a qual se juntam frutos secos (nozes, pinhões e passas). Quando cozidos, juntar o miolo de pão, muito bem desfeito em leite, para engrossar. Na parte final, quando quase pronto, juntar vinho do Porto, gemas de ovo e mel. Sendo um doce típico da época natalícia praticamente generalizou-se como sobremesa durante todo o ano. Deve servir-se frio.

Informação RTAM




ROTA DOS LAGARES DE AZEITE DO RIO ÂNCORA
Autor
Joaquim Vasconcelos
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