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ACADEMIA DE MÚSICA FERNANDES FÃO NOVA SEDE REGISTA ATRASO "SEM A COLABORAÇÃO DOS DOCENTES"
"Se o Festival da Primavera e o Concurso Ibérico de Piano não existissem era já como se não houvesse Páscoa", assim definiu o vereador Paulo Pereira a importância cultural que representa para o Município a realização simultânea destes dois eventos pela Academia de Música Fernandes Fão (A.M.F.F.).
O responsável pela área cultural discursava no decorrer da cerimónia de entrega de prémios e diplomas aos laureados que participaram no 5º Concurso Ibérico de Piano que encerrou no passado dia 19, no auditório do Centro Cultural de Vila Praia de Âncora e que registou 21 distinguidos.
Aludiu à importância da formação musical para o "desenvolvimento da criança", além de ser sua convicção de que também é "fundamental para nossa felicidade", razão pela qual a Câmara pretende "promover" e apoiar iniciativas culturais, embora de uma forma pausada ("vamos devagar", referiu), de acordo com as suas possibilidades. "MOMENTOS DE PARTILHA"
Por seu lado, a professor Eugénia Moura, directora pedagógica da A.M.F.F., admitiu que com estas iniciativas "fortalecemos esta luta para que as pessoas gostem de música", graças a um "grande esforço de organização" que permitiu "termos um nível cada vez melhor".
Anunciou ainda um intercâmbio com uma escola de Barcelona já em 2009 e agradeceu aos maestros Fernando Lapa e Rudesindo Soutelo a sua presença nestes dois certames, cujo concurso, aliás, lhes era dedicado.
A presidente da Direcção da A.M.F.F., em declarações ao C@2000, salientou a importância deste Concurso que traz entre 40 a 50 pessoas a V.P.Âncora que "aqui ficam vários dias e animam a vila", a par do Festival da Primavera que já vai na sua 4ª edição, congregando uma série de espectáculos de "grande categoria e proporcionando às pessoas experiências artísticas diversas". APOSTA EM AUTORES CONTEMPORÂNEOS
A selecção destes dois compositores, segundo revelou esta professora de educação musical, deveu-se ao facto de sempre privilegiarem autores contemporâneos.
No caso do autor português, residente no Porto, as suas obras permitem a utilização de vários instrumentos e aposta no "imaginário infantil" comprovado pela estreia do Festival da Primavera com a peça "Alice no País das Maravilhas" e quanto a Rudesindo Soutelo, pelo facto de ser da "vizinha Galiza com a qual estamos a estreitar cada vez mais os laços de colaboração".
Em termos de participação de jovens músicos, registou-se este ano uma diminuição (à volta de 40 inscrições nos cinco escalões, sendo cinco da Galiza) pelo facto de a Páscoa ter sido muito baixa o que causou dificuldades aos próprios encarregados de educação, no entanto, sublinhou Eugénia Moura, "a nata dos futuros jovens pianistas de Portugal está aqui". OBRAS ATRASADAS NA ESCOLA DE VILARINHO
A necessidade de novas instalações vem sendo sentida pela academia, de modo a poder expandir-se. A Câmara de Caminha já destinou a antiga Escola Primária de Vilarinho para futura sede da A.M.F.F., "mas as obras encontram-se bastante atrasadas"", conforme admitiu a responsável pela academia ancorense, situação que já o fez sentir à autarquia, perante "este plissar do processo". De uma reunião mantida com a Câmara, foi aventada a hipótese de ser transferida a escola para esse imóvel, sem que fossem realizadas todas as obras previamente definidas. Contudo, "alertei para o facto de não podermos transferir-nos para um local com qualidade inferior, sob pena de perdermos o contrato de patrocínio e o paralelismo pedagógico", sublinhou Eugénia Moura. Mas de modo a tentar dar resposta à sugestão camarária, vai entrar em contacto com a DREN, na tentativa de auscultar a sua aceitação de tal proposta. Caso não venha a ser aceite, "não podemos perder o reconhecimento da escola" por parte do Ministério da Educação, acentuou. Na sequência destes contactos, já contava que o vereador Paulo Pereira não comentasse a questão da sede da academia no decorrer destas iniciativas de Março. Estas "dificuldades" para desenvolver o projecto de readaptação da antiga escola, levam a academia a aguardar que os problemas sejam ultrapassados, embora teça os maiores elogios ao empenho do vereador Paulo Pereira que tem colocado de lado a faceta política da questão em favor de um pragmatismo que a Academia de Música regista com agrado. ESPECTÁCULOS DE QUALIDADE
Embora numa primeira análise alguém pudesse pensar que estas actividades poderiam apenas atrair escassas pessoas, os responsáveis da Academia sabem que assim não é, pois o leque diversificado de concertos proporcionados e o investimento feito (10.000€) são de grande alcance.
Em qualquer cidade deste país, estas actividades levariam a que se praticassem preços de 40/50€ por cada bilhete, "e nós colocamos as entradas livres, mas a adesão é pouca", razão pela qual pede maior empenhamento da Junta, Câmara e outras entidades "na sua divulgação e empenhamento no incentivo à participação". Eugénia Moura admite igualmente dificuldades na captação de patrocinadores para o festival e concurso, quando "já deveria suceder o contrário", mediante o currículo já angariado nestes últimos anos. "ERRADO TENTAR MUDAR SEM A COLABORAÇÃO DOS DOCENTES" Sendo o dossiê da música mais um dos temas controversos no âmbito das modificações que o Ministério da Cultura tenta introduzir no ensino, solicitamos a Eugénia Moura um comentário à situação. Precisou que a própria Academia de Música já fez chegar os seus pareceres ao ministério, por considerar que "algumas coisas são essenciais que mudem no ensino da música". Admitiu a necessidade de conceder formação pedagógica aos professores, porque alguns deles apenas revelam aptidões artísticas e quanto ao articulado supletivo (mais relacionado com os conservatórios), se num futuro será ideal, presentemente seria "irreal pensar que o país conseguiria mudar dessa maneira", além de considerar errado tentar implementar uma reforma "sem a colaboração dos docentes, o que torna tudo muito mais difícil". "O ministério pode exigir, mas se os docentes não colaborarem, é tudo muito mais complicado", rematou.
Paralelamente a estes certames, esteve patente uma exposição de instrumentos musicais concebidos pelos alunos das escolas primárias.
Participação da equipa Pré-escolas do Âncora Praia
A equipa de Pré-Escolas do APFC, deslocou-se no passado dia 15 de Março a Trofa, para participar no Torneio da APEF, vencendo de forma clara o torneio com vitórias nos seus dois jogos APFC 11 x 7 Fermilense Trofense 3 x 5 APFC Marcadores: Duarte Dinis 5; Ricardo Esteves 5; Francisco Carvalho 3; Miguel Gordo 3 Treinadores: Jaime Dias e Rui Dias
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