Jornal Digital Regional
Nº 382: 22/28 Mar 08 (Semanal - Sábados)
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MOLEDO

"Serração da Velha" encheu auditório do Centro Cultural

Moledo não desmereceu a tradição e a "Serração da Velha" subiu ao palco do auditório do Centro Cultural de Moledo no passado dia 15, numa iniciativa da Associação Moledense de Instrução e Recreio, cuja receita reverteu a favor do Centro Cultural e Desportivo Moledense.

Duas pequenas peças (com várias referências à ASAE) e um telejornal antecederam o prato forte da noite, com as notícias mais marcantes da freguesia a dominar as atenções da assistência: "Tochas para iluminar a freguesia" - "Coletes fosforescentes para os cães vadios" - "Rampas de madeira na ecovia para entrar e sair das leiras" - "Autocarro para o Grupo de Futebol" - "Hospital particular em Moledo" - "Kick-Box na freguesia".

Marcou presença neste telejornal o Cardeal D. Manuel Azevedo a fim de dissertar sobre os novos pecados decretados pelo Vaticano, abordando a manipulação genética e o aquecimento global para chegar à conclusão de que o homem é que muda o clima com as elevadas temperaturas que consegue atingir (40º graus (!) na praia de Moledo), apresentando ainda outros dogmas que aqui nos abstemos de enunciar para que o "efeito de estufa" não estorrique ainda mais o palavreado utilizado pelo emérito….

Por último, o julgamento da Velha (algo trapalhona na leitura das deixas porque "via mal", conforme justificou uma das testemunhas de acusação) rematou o serão, com o sempre picante testamento com que presenteou os conterrâneos e amigos e algumas instituições

José Canas, actor e dirigente do Moledense, considerou ter sido "muito complicado" ensaiar em apenas mês e meio, vendo-se obrigados a "ficar aqui até bem entrados na madrugada".

Escasseiam ao actores e pela segunda vez foi forçado a alinhar nestas representações, embora soubesse os seus papeis de cor.

"Isto é muito bom para o Moledense e é muito grato ver tanta gente a assistir" acrescentou, para agradecer igualmente a colaboração da AMIR e dos próprios dirigentes do clube de futebol.

Madalena Lourenço foi "engatada" à última hora para fazer de bruxa e ler as deixas, razão pela qual se atrapalhou um pouco, embora rejeitasse qualquer receio de as dizer em voz alta: "Sempre para a frente!" asseverou.

Eis algumas das deixas:

Ao Henrique do Frade
que não ata nem desata
deixo-te um alvará
para montares uma sucata

E ao seu filho Máquinas
Militar desde novo
Deixo-lhe muita sorte
Quando for para o Kosovo

E também quero deixar
ao meu amigo Adriano
o 1º lugar no concurso
do mentiroso do ano

Ao padre da freguesia
que muito gosta do povo
deixo-lhe um chofer de mini saia
para guiar o carro novo

Ao Bento Sobreiro não vou deixar
Porque não deu a comissão
Do negócio da casa das serras ao
Delfim do sacristão

À Nanda cabeleireira
Que tem um salão completo
Deixo uma gilete de prata
para me rapar o parreco

A Junta da Freguesia
vou-lhe deixar uns anéis
Para que todos se animem
e não andem aos papeis

Ao Zimbra do Perrinchão
o meu relógio vou deixar
À hora que sair do trabalho
já está na casa a almoçar

E ao Tio Zé Veiga
por ser um tipo porreiro
deixo-lhe vinha para podar
à Ermelinda do Mouteiro

Ao Luís Carteiro
Pessoa que muito adoro
Deixo-lhe um pouco de luz
Para iluminar o St. Isidoro

Ao meu amigo Quim Seixo
Presidente da autarquia
Deixo sinais para pôr
Nas Ruas da Freguesia

Ao deputado Jorge Fão
Que o vejo volta e meio
Deixo-lhe uma saca de Jornais
para ele ler na Assembleia

Ao Manuel Alexandre
Que ele passa lá o dia
Deixo-lhe o meu lugar de gerente
no pão quente da agonia

À Madalena do Presigo
Vou deixar os meus dotes
Porque toda a gente diz
Que ela trata bem dos velhotes

Ao café do Katimar
Por serem muito estimados
A eles vou-lhes deixar
Uma dúzia de empregados

Ao juiz do tribunal
Deixo uma hipoteca
Para lutar com muita força
por causa da discoteca

Aos jogadores do Moledense
Que é uma equipa de primeira
Deixo-lhes muitas bebidas
para apanharem a borracheira

Ao pessoal de Cristelo
Que são levados da breca
Deixo-lhes para se divertirem
A falada discoteca

À Câmara de Caminha
Vou-lhes deixar uns tostões
Para fazerem umas obras
Que para o ano há eleições

À filha do João Conde
Vou-lhe deixar os meus cães
Para tomar conta do amigo
que se chama Magalhães

E ao seu amigo Quim Guardão
Que para tudo ele tem treta
para se entreter à noitinha
vou-lhe deixar a minha greta

E ao pessoal de Caminha
Eu não me podia esquecer
Deixo-lhes muita vontade
para sempre nos virem ver.

ROTA DOS LAGARES DE AZEITE DO RIO ÂNCORA
Autor
Joaquim Vasconcelos
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