Jornal Digital Regional
Nº 373: 19/25 Jan 08 (Semanal - Sábados)
Email Assinaturas Ficha Técnica Publicidade 1ª Pág.

VILA PRAIA DE ÂNCORA

PERSPECTIVAS/08 EM DISCUSSÃO
NA ASSEMBLEIA DE FREGUESIA

Junta de Freguesia aposta na construção de nova sede, casas mortuárias, melhoria da rede viária e campanha de sensibilização de defesa do rio Âncora

Oposição taxa o Plano de Actividades de "lamentável"(…) "repetir as lamúrias do ano passado" e que V.P.Âncora "merecia bem melhor"

MOÇÃO DE REJEIÇÃO À LEI AUTÁRQUICA

OS QUATRO CANTOS DE VILA PRAIA DE ÂNCORA

Espaço reservado para a futura sede da Junta

A apresentação e aprovação do Plano de Actividades e Orçamento para o corrente serviu para que a Oposição socialista e a Junta de Freguesia social-democrata esgrimissem argumentos de sinal contrário na reunião da Assembleia de Freguesia (AF).

A autarquia liderada por Manuel Marques aponta para valores um pouco acima dos 400.000€, mas os socialistas consideram que os números revelam uma estagnação na totalidade do Orçamento, o mesmo sucedendo com o investimento previsto (despesas de capital = 250.000€).

"NÃO PASSA DE LETRA MORTA"

Manuel Marques sente-se "condicionado" pelo poder central, a quem acusa de "falta de coragem para dar mais meios às juntas", dando como exemplos a nova lei das Finanças Locais -não se coibindo, no entanto, de acusar os municípios de não se lhe terem oposto com frontalidade- e a repetição da verba que vai receber em 2008 do Fundo de Fomento das Freguesias (58.700€ = 2007), perguntando aos delegados socialistas se "isto não é brincar connosco?".

Acusou o Governo de prosseguir a política do último ano, tomando apenas "algumas medidas avulsas no campo dos transportes e refeições", recusando ainda que o PS tivesse dito que a junta ancorense "se vergava perante a Câmara", adiantando que as suas críticas não passavam de "letra morta".

"DÉJÁ VU"

Manuel Carvalho (PS), referiu que o Plano da Junta era um "déjá vu" e lamentou que se estivessem a desculpar com o poder central, quando a Câmara de Caminha até irá receber mais dinheiro em 2008, resultante dos impostos transferidos para as autarquias, assinalou.

"A culpa de tão vergonhoso orçamento não é do Estado mas da Câmara de Caminha", reforçou outro eleito pelo PS (Daniel Labandeiro), citando alguns números que apontariam para uma diminuição das verbas a transferir para a totalidade das freguesias ao longo deste ano, convidando por isso o presidente da Junta a "pôr-se de pé em defesa de Vila Praia de Âncora", porque esta documento, na sua óptica, "é muito mau orçamento" para a vila.

"PS FEZ UMA GRANDE RÁBULA"

Por outro lado, Alfredo Pinto, agora delegado independente de pois de ter abandonado a presidência da Assembleia de Freguesia em ruptura com a Câmara, chamou a atenção aos socialistas para o facto de o Município ter feito investimento na vila, caso da Pr. da República, tal como o Governo socialista anterior investiu no porto de mar.

Contudo estas obras "emblemáticas" serviram, no seu entender, para um "aproveitamento" político, cujos resultados e rentabilidade poderão deixar muito a desejar.

Perguntou se foi feito algum estudo económico sobre o portinho, voltando a criticar alguns aspectos desta obra, reputando a marina de "feia" e sugerindo o aproveitamento da energia das marés.

Esta interpelação que suscitou alguma discussão sobre a obra, levou Daniel Labandeiro a recordar que "não se pode estar contra este investimento", salientando que a "alma de tudo" foi a segurança dos pescadores, a qual foi conseguida, frisou.

NOVA SEDE DA JUNTA

Refira-se ainda que a Junta pensa sustentar o seu Orçamento nas verbas provenientes do FFF, da Câmara (150.000€) e das expropriações de terrenos para a construção da ligação do IC1.

Vai apostar no início do processo tendente a construir uma nova sede da Junta a instalar no lado poente do nó de Erva Verde, o que vai levar à troca de um terreno com a Câmara, que esta possui por trás da fábrica Mourassos, tendo já iniciado o processo de recebimento de propostas para a elaboração do respectivo projecto.

Este edifício terá aptidão para várias valências, avançou o autarca, nomeadamente de âmbito cultural e apoio social.

A construção das casas mortuárias (25.000€ cabimentados para 2008) é outro dos projectos em que o executivo ancorense está particularmente empenhado, esperando receber delegação de competências nesse sentido, a par da beneficiação do cemitério (10.000€) e reflorestação do monte (20.000€), bem como diversas intervenções na rede viária:

Rua 25 de Abril

Beneficiações nas ruas 25 de Abril (30.000€), Paraíso (10.000€), Rego e Viso (20.000€), Vista Alegre (20.000€), Vales (10.000€), António Pontes (5.000€), Calvário (5.000€), Outeiro Negro (5.000€) e alargamento e pavimentação da R. da Valada (30.000€).

CAMPANHA DE SENSIBILIZAÇÃO AMBIENTAL

Uma campanha de sensibilização cívica para a defesa do rio Âncora, praias e mar vai ser encetada este ano em consonância com outras juntas de freguesia, Câmara Municipal e empresas responsáveis pela recolha dos lixos sólidos e águas residuais assegurou Manuel Marques.

A implementação da 2ª fase das obras do Portinho continuará a merecer particular atenção, depois ter sido concluído o respectivo projecto, estando certo que irá "valorizar a zona envolvente e dar melhores condições de trabalho em terra aos pescadores".

Já quanto a uma desejada "projecção da actividade piscatória", a Junta não tem certezas.

Apostada em reabilitar outro sector em decadência -a agricultura- a autarquia ancorense tem apoiado os feirões, de modo a que os agricultores possam escoar os seus produtos, em lugar de os deitarem aos animais, frisou, a par da constituição de uma ZIF-Zona de Intervenção Florestal para a valorização dos montes.

A Junta pretende ainda colaborar com as equipas de Acção Social da Câmara, de modo a resolver alguns problemas sociais, nomeadamente as famílias e seus filhos (integração escolar) que vivem em roulotes.

Após análise destes documentos, o PSD e o delegado independente viabilizaram-nos (seis votos favoráveis), registando-se três votos contrários do PS.

MOÇÃO CONTRA LEI AUTÁRQUICA

"Fomos todos apanhados de surpresa", lamentou-se Manuel Marques, presidente da Junta de VPA, quando se apresentou a defender uma moção entregue pela sua autarquia ao presidente da Mesa da Assembleia de Freguesia, de repúdio pela eventual aprovação de nova legislação autárquica que reduz os direitos dos presidentes de junta nas assembleias municipais, nomeadamente, impedindo-os de votarem os orçamentos e planos camarários.

"COZINHADO"

O autarca social-democrata criticou o "cozinhado" elaborado por PS e PSD, sob o argumento de "nos considerarem elementos de bloqueio", realçando a posição também assumida pela Associação Nacional de Freguesias em defesa dos direitos dos autarcas de freguesia.

"INCRÍVEL"

Para Alfredo Pinto, esta situação deve-se ao facto de haver "câmaras e mais e juntas a menos", enquanto que José Presa, presidente da AF, considerou "incrível" a legislação em preparação, perspectivando o impedimento de as juntas de freguesias se pronunciarem sobre planos e orçamentos camarários.

Os delegados do PS também concordaram com a moção, embora admitissem que os presidentes de junta poderiam der "discriminados" se não votassem esses documentos, conforme fez questão de anotar Manuel Carvalho, ou que ficariam "presos" a essa votação, como destacou Daniel Labandeiro, embora concordasse que o presidente da junta deveria representar a freguesia na assembleia municipal.

OS QUATRO CANTOS DE VILA PRAIA DE ÂNCORA

Vem sendo prática habitual nas AFs de Vila Praia de Âncora, esmiuçar os problemas existentes e actualizar os projectos previstos.

Este sessão não fugiu à regra.

Se não, vejamos:

"SIM OU NÃO?"

A questão da instalação de um relvado sintético no campo de jogos do Âncora-Praia foi pretexto para que António Carvalho (PS) interpelasse a Junta sobre esta "grande bandeira" do PSD na última campanha eleitoral, pedindo-lhe que se definisse quanto a este assunto que já tem feito correr tanta tinta.

O eleito socialista aproveitou para criticar declarações de João Alberto Silva sobre a polémica, recordando que ele fora presidente do Âncora-Praia e antigo delegado da AF ("iniciou o mandato connosco", precisou) , mas, agora, como dirigente do Atlético Clube de Caminha, "será que gostará de ficar bem na foto de inauguração do campo sintético desse clube?", questionou.

Pelo facto de José Presa ser o actual presidente do Âncora-Praia e da Assembleia de Freguesia, foi de opinião de que deveria pedir a demissão, porque "os dois cargos são antagónicos", justificou.

"Cansado das mesmas perguntas", Henrique Rodrigues (PSD), também interpelou a Junta sobre os campos de futebol para a rapaziada, constatando a inexistência de nenhum na freguesia, nem de um parque infantil.

As lacunas nas infraestruturas desportivas foram admitidas por José Presa, esperando que até final do mandato sejam colmatadas, louvando, no entanto, o esforço do município nesse sentido.

Quanto à opinião de Alfredo Pinto sobre o tema, não hesitou em dizer que parecia que o campo sintético iria para Caminha "por causa das areias" que poderão depositar-se sobre ele, no caso de ser construído junto à praia de Âncora.

Esta e outras situações levaram-no a considerar que existe "um grande descontentamento em Vila Praia de Âncora", comparando os pavilhões gimnodesportivos de Caminha e VPA, por exemplo.

"Queremos ser bem tratados!", avisou o delegado, apontando ainda o dedo à "grande teimosia" camarária, ao não proceder aos reajustamentos urbanísticos na Pr. da República e na ciclo-via na Av. Ramos Pereira.

O canil "imundo" existente em Stº Isidoro, foi igualmente alvo de reparo deste delegado, pois, segundo justificou, pese embora a boa intenção de quem o sustenta, "não sei como é que a autoridades veterinárias autorizam", respondendo Manuel Marques que a Câmara já está a construir um novo e no que se refere à Pr. da República, "não temos sido bem tratados e há coisas que nos desagradam", admitiu.

O outro assunto mereceu, como é óbvio, um comentário do presidente da Junta, confirmando ser o projecto do sintético "uma bandeira nossa e só descansaremos quando estiver posto", adiantando que um dos campos será da responsabilidade do Governo e o outro da Câmara.

O facto de desconhecer as declarações de João Silva, impediram-no de apreciar a palavras de António Carvalho e quanto ao pedido feito por este delegado para que o presidente da AF se demitisse, disse-lhe para não o fazer.

Marques adiantou que sugeriu à Câmara a mudança do parque desportivo da vila para outro local diferente do que o actual PDM estabelece, vincando não pretender sair da Junta sem que tal fique definido.

Tal determinação não convenceu totalmente Henrique Rodrigues (PSD), reafirmando que isto "não sai do sítio" e prometendo voltar a falar outra vez no assunto na próxima reunião.

Sem sair do campo de jogos do Âncora-Praia, António Carvalho aflorou também o destino das areias que vêm sendo acumuladas no interior deste recinto a pedido da Câmara, sob a alegação de que não possuíam local onde as depositar.

Segundo explicou a Junta, "a areia não é nossa" e parte da que é extraída do rio Minho veio para este local por tempo indeterminado, avisou.

ESTAÇÃO ELEVATÓRIA MAL CHEIROSA

Os maus cheiros provenientes da estação elevatória da Laje, em Âncora, levaram os delegados António Carvalho e Alfredo Pinto a abordarem o assunto, referindo este último, que "ninguém acreditará que o rio Âncora está despoluído", pese embora Manuel Marques assegurar que "a maior parte dos problemas está resolvido".

Perante a insistência dos delegados, garantiu que iria participar as queixas à "Minho e Lima", empresa responsável pela rede em alta, no que foi secundado por Ulisses Biscaia, secretário da Junta, admitindo a existência de cheiros, porque "é uma autêntica fossa céptica" e sugerindo a realização de um abaixo-assinado.

Na oportunidade, um munícipe assistente à reunião, deu mais uma achega, ao garantir que "uma pessoa se enterra até ao joelho" no rio, à saída da tubagem da estação, de onde provêm também os cheiros.

As obras que decorrem no passeio poente da marginal norte desta vila causaram agrado ao delegado socialista Sérgio Torres, perguntando, contudo, até que limite elas se estenderão, ficando a saber pela Junta que abrangerá todo o território da freguesia por onde ela seguirá até Moledo.

LUDOTECA SEM DATAS

Foi esclarecido ainda que a abertura da ludoteca/biblioteca ainda não tem data marcada, porque os fornecedores ainda não entregaram o equipamento, pensando, no entanto, que irá ser adaptada com um espaço Internet. Não se coibiu, todavia, de regressar ao passado, lembrando que tal projecto nascera "à revelia da Junta".

RETORTA MANTÉM ÁGUA IMPRÓPRIA

Sérgio Torres, mais adiante, pediu dados acerca da qualidade da água da fonte da Retorta, cujo consumo está desaconselhado há mais de um ano, mas, as notícias não foram as melhores, sendo informado pela Junta que continua "imprópria".

NOVA LOTA DETERIORADA E COM FERRUGEM

O impasse na entrada em funcionamento do serviço de vendagem de peixe no novo Portinho não passou despercebido nesta reunião, surgindo Daniel Labandeiro e Alfredo Pinto a interpelar a autarquia nesse sentido.

De acordo com aquilo que a Junta deu conta, o posto não abre porque o responsável pelas lotas não autorizou, alegando problemas com os materiais utilizados na sua construção (deteriorados e com vestígios de ferrugem).

A despeito do bom relacionamento existente actualmente com o IPTM, este organismo não autoriza alternativas ao redor do forte da Lagarteira, catalogando ainda de inúteis os carrinhos colocados na rampa varadouro para alegadamente transportarem os barcos para a água.

Outro caso decorrente destas reuniões é o mercado municipal.

Daniel Labandeiro considerou uma "vergonha" o estado em que se encontra, ao nem sequer o terem pintado, retorquindo Manuel Marques ser um tema que se encontra "em cima da mesa da Câmara".

"Piscinas e casas mortuárias não vão calar os ancorenses", garantiu Alfredo Pinto, apesar de estar convicto de que vão ser feitas, numa tentativa de exprimir alguma incomodidade que se estará a verificar na comunidade local.

"DISCRIMINAÇÃO INACEITÁVEL"

Mesa da Assembleia de Freguesia

Este delegado alertou ainda para a posição delicada em que ficará o concelho de Caminha em termos de saúde, depois de encerrarem o SAP, porque apenas pretendem colocar ambulâncias (SIV) em Ponte de Lima, Valença e Arcos de Valdevez, definindo como "insustentável" a posição em que o município ficará em termos de distância da unidade (Valença) que virá dar apoio, levando a que Manuel Marques ficasse "preocupado" com a notícia, prometendo contactar a Câmara a fim de que tome uma posição.

Junta de Freguesia de Vila Praia de Âncora
Tlf: 258 911 546

HORÁRIO DE ATENDIMENTO
2ª a 6ª Feira : 9H/12H e 13H/15H30

Presença dos Membros da Junta
Último dia de cada mês - 21h30
Segundo Sábado de cada mês - 10h

ROTA DOS LAGARES DE AZEITE DO RIO ÂNCORA
Autor
Joaquim Vasconcelos
Ambiente
Animação
Cultura
Desporto
Distrito
Educação
Empresas
Freguesias
Galiza
Justiça
Óbitos
Pescas
Política
Roteiro
Tribuna
Turismo
Saúde
Sucessos
MEMÓRIAS
DA
SERRA D'ARGA
Autor
Domingos
Cerejeira