Jornal Digital Regional
Nº 370: 29 Dez 07 a 4 Jan 08 (Semanal - Sábados)
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TRIBUNA
Espaço reservado à opinião do leitor


PERISCÓPIO SOCIAL

Um homem de Paz!

O ano de 2007 ficará marcado, na nossa memória, como o ano em que o prémio Nobel da Paz (D. Ximenes Belo) visitou Vila Praia de Âncora. Efectivamente, o Bispo timorense que se notabilizou durante os anos 90 do século passado na luta pela paz, tolerância e auto-determinação do povo Maubere, passou na nossa terra, a convite do pólo de Hotelaria da ETAP - Escola Profissional.

No seu passo por cá, D. Ximenes Belo, não nos deixou só uma mensagem de esperança num mundo que tenderá a ser mais solidário, pacífico e multicultural mas também nos ensinou, pela sua prática, a importância da humildade.

A sua serenidade, a sua calma e paz interiores foram contagiantes para aqueles que tiveram o privilégio de se cruzar com ele.

Não deixamos de pensar nos exemplos contrários de homens que, por muito pouco, se colocam em bicos de pé querendo que todos saibam o quão importantes são pelos cargos que ocupam, pelo dinheiro ou poder que têm.

Quantos na sua ânsia de serem reconhecidos se tornam notícia pelo banal, se servem do poder para tornar públicos certificados e honras privadas que em nada contribuíram para o bem da comunidade.

E nós tivemos a sorte de nos encontrarmos com um homem que, para além de Prémio Nobel da Paz (como se não bastasse!!!), é Bispo, é fundador de uma série de escolas e instituições de apoio aos jovens e aos pobres, professor, educador, académico… e que tem um comportamento e uma atitude para com os outros de uma humildade tão grande que nunca se referiu a nenhum dos seus títulos.

A única vez, durante a sua estadia, que fez menção ao seu estatuto foi quando uma jovem lhe perguntou o que lhe trouxe o Nobel da Paz para a sua vida tendo respondido rapidamente "a falta de paz".

Conheci D. Ximenes Belo nos idos de 80 quando era um padre que partiu em missão para Timor. Nenhum de nós previa, com toda a certeza, que a História lhe havia reservado um lugar de destaque na humanidade. Passaram mais de 20 anos e o padre Ximenes continua igual: humilde, solidário, amigo, simples e… discreto.

Muito obrigado pela visita, pelas palavras e pelo exemplo!

Vivemos num tempo de imagens: dar cabazes de Natal, oferecer prendas, aparecer em fotografias, dar viagens, oferecer almoços e jantares… sem nos oferecermos a nós, a nossa pura essência humana.

Os nossos desejos de um ano de 2008 cheio de humildade, respeito e paz que serão, com certeza, a melhor receita para a felicidade.

Pedro Ribeiro

Sobre o Forte do Cão

Li o artigo do meu conterrâneo Joaquim de Vasconcelos e não posso deixar de me solidarizar com o repúdio aos actos de vandalismo de que os nossos monumentos são alvo, neste caso o Forte do Cão, na Gelfa.

Apenas porque a notícia pode induzir em erro alguns leitores, me atrevo a dizer o seguinte: As telhas estão partidas há muitos anos, a fechadura do portão está simplesmente enferrujada, não foi partida ou violada e a porta esteve muitos anos fechada por acção de uma pedra encostada pelo interior. Arrisco-me a dizer, embora sem certeza absoluta: Há mais de dez anos.

O que torna a situação ainda mais grave, pois denota que nem a autarquia, nem a Direcção Geral de Edifícios e Monumentos Nacionais, nem o IPPAR, nem o Turismo, nem ninguém, quis saber daquele fortim que está em estado de degradação avançado, volto a frisar, há muitos anos.

O Forte do Cão é um monumento que está classificado, mas que, pelos vistos, de nada lhe adianta pois a defesa da cultura e do património nestas terras, ainda deixa muito a desejar.

Brito Ribeiro

Romana não é!

Na ultima Assembleia Municipal a Srª. Presidente da Câmara ofereceu a todos os deputados municipais algumas lembranças, visto estarmos na quadra natalícia.

Uma atitude simpática tanto mais que se tratavam de peças com algum valor simbólico, um livro de um poeta Caminhense, uma peça de louça com o brasão da autarquia e um baralho de cartas de jogar com fotografias de monumentos do Concelho, estampados no verso.

Já ouvi dizer que a ideia é despropositada, que não se põe fotos de monumentos onde antigamente se colocavam fotos de nus, de automóveis, de motos, etc..

Pelo contrário, não vejo que mal vem ao mundo por se divulgar o património desta forma.

No entanto, acho que deviam ter sido mais criteriosos na escolha dos monumentos fotografados e (principalmente) na informação fornecida.

Parece-me também que há um nítido exagero de cruzeiros e capelas, quando há nas mais diversas freguesias muito outro património para fotografar. As pessoas, as casas, a paisagem, o artesanato, as fontes, as alminhas, vestígios arqueológicos, etc..

Estou a lembrar-me da Ponte de Abadim, das muralhas de Caminha, da Casa dos Pittas, da Casa da Torre de Lanhelas, da Estação Arqueológica do Coto da Pena ou da Cividade Âncora-Afife, por exemplo, que foram preteridas.

Foi esta a opção, pois muito bem, está feita, mas podia ser melhorada.

Mas há uma coisa que tenho de referir e corrigir, sob pena de se estar a cometer uma asneira grosseira.

Classificar a Ponte de Vilar de Mouros como Ponte Romana alem de ser uma mentira histórica, fica mal quando é proferida por quem é. Não estou a dizer que a culpa é da Srª Presidente ou de qualquer outro vereador, mas que fica mal, fica. E deve-se chamar a atenção ao responsável por este lamentável erro, assim como a correcção da distorção das fotografias era de esperar num trabalho de qualidade, o que não aconteceu.

Sobre a Ponte de Vilar de Mouros (que uns acham romana, outros românica e não é nada disso) deixo-vos com um resumo extraído do site da Direcção Geral de Edifícios e Monumentos Nacionais.

Ponte de Vilar de Mouros

Localização
Viana do Castelo, Caminha, Vilar de Mouros, Lugar da Ponte

Protecção
Monumento Nacional, Dec. 16-06-1910, DG 136 de 23 Junho 1910

Enquadramento
Urbano. Ergue-se na povoação de Vilar de Mouros, ligando as 2 margens do rio Coura e tendo nas proximidades algumas construções e a capela de Nª. Srª. da Piedade.

Descrição
Lançada sobre rio, de tabuleiro formando cavalete e precedido por rampas de acesso, assenta sobre 3 arcos quebrados, sendo o central maior, de aduelas estreitas e compridas, com talha-mar prismático a montante e talhantes a jusante, encimados por olhais de arco pleno, com guardas em cantaria aparelhada e pavimento calcetado com lajedo central separando-o em 2 faixas. A N. criou-se recanto com banco de pedra corrida e alminha com base decorada por volutões invertidos, pequeno nicho, vazio e sem qualquer ornato interior; exteriormente também com volutas e encimado por grande cruz.

Utilização Inicial
Equipamento: Ponte viária

Utilização Actual
Equipamento: Ponte com tráfego rodoviário

Propriedade
Pública: municipal

Época Construção
Séc. 14 / 15 (conjectural)

rquitecto | Construtor | Autor
Desconhecido.

Cronologia
Séc. 14 / 15 - Época provável da construção;
Séc. 18 - construção da alminha;
2004 - vedada ao tráfego pesado, devido a problemas estruturais; a Direcção Regional dos Edifícios e Monumentos do Norte solicitou à Faculdade de Engenharia do Porto uma peritagem à ponte;
2006 - elaboração de projecto de reabilitação da ponte pela DGEMN;
25 Outubro 2007 - as fortes chuvadas deixaram o imóvel parcialmente submerso, prevendo-se que a estrutura fique algo abalada.

Tipologia
Arquitectura civil de equipamento, gótica. Ponte de arco, seguindo o modelo criado pelo grande protótipo regional que foi a ponte de Ponte de Lima.

Características Particulares
O emprego de arcos quebrados com aduelas estreitas e compridas, e de olhais sobre os talha-mares, indica ser obra de finais do séc. 14, inícios do 15 e muito provavelmente impulsionada pela entidade concelhia.

Dados Técnicos
Estrutura mista com aparelho "mixtum vittatum".

Materiais
Granito.

Bibliografia
ARAÚJO, José Rosa de, Caminhos Velhos e Pontes de Viana e Ponte de Lima, Viana do Castelo, 1962; ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de, Alto Minho, Lisboa, 1987;

Intervenção Realizada
DGEMN: 1936 - obras de conservação da ponte; 1960 - Reparação ligeira do pavimento; 1964 - obras de consolidação e conservação; 1977 - limpeza de vegetação; 1979 - trabalhos de conservação; 1984 - trabalhos de conservação; 2000 - consolidação e limpeza de paramentos; iluminação e arranjo da sua envolvente; 2003 - escoramento dos pilares.

Observações
A intensa vegetação e silvedo impede-nos confirmar o número de talha-mares e, portanto, de analisar a verdadeira estrutura da ponte. Visíveis são apenas 3 talha-mares, 2 deles intercalando os arcos e um outro a S. depois do arco.

Brito Ribeiro

ROTA DOS LAGARES DE AZEITE DO RIO ÂNCORA
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