Na ultima Assembleia Municipal a Srª. Presidente da Câmara ofereceu a todos os deputados municipais algumas lembranças, visto estarmos na quadra natalícia.
Uma atitude simpática tanto mais que se tratavam de peças com algum valor simbólico, um livro de um poeta Caminhense, uma peça de louça com o brasão da autarquia e um baralho de cartas de jogar com fotografias de monumentos do Concelho, estampados no verso.
Já ouvi dizer que a ideia é despropositada, que não se põe fotos de monumentos onde antigamente se colocavam fotos de nus, de automóveis, de motos, etc..
Pelo contrário, não vejo que mal vem ao mundo por se divulgar o património desta forma.
No entanto, acho que deviam ter sido mais criteriosos na escolha dos monumentos fotografados e (principalmente) na informação fornecida.
Parece-me também que há um nítido exagero de cruzeiros e capelas, quando há nas mais diversas freguesias muito outro património para fotografar. As pessoas, as casas, a paisagem, o artesanato, as fontes, as alminhas, vestígios arqueológicos, etc..
Estou a lembrar-me da Ponte de Abadim, das muralhas de Caminha, da Casa dos Pittas, da Casa da Torre de Lanhelas, da Estação Arqueológica do Coto da Pena ou da Cividade Âncora-Afife, por exemplo, que foram preteridas.
Foi esta a opção, pois muito bem, está feita, mas podia ser melhorada.
Mas há uma coisa que tenho de referir e corrigir, sob pena de se estar a cometer uma asneira grosseira.
Classificar a Ponte de Vilar de Mouros como Ponte Romana alem de ser uma mentira histórica, fica mal quando é proferida por quem é. Não estou a dizer que a culpa é da Srª Presidente ou de qualquer outro vereador, mas que fica mal, fica. E deve-se chamar a atenção ao responsável por este lamentável erro, assim como a correcção da distorção das fotografias era de esperar num trabalho de qualidade, o que não aconteceu.
Sobre a Ponte de Vilar de Mouros (que uns acham romana, outros românica e não é nada disso) deixo-vos com um resumo extraído do site da Direcção Geral de Edifícios e Monumentos Nacionais.
Ponte de Vilar de Mouros
Localização
Viana do Castelo, Caminha, Vilar de Mouros, Lugar da Ponte
Protecção
Monumento Nacional, Dec. 16-06-1910, DG 136 de 23 Junho 1910
Enquadramento
Urbano. Ergue-se na povoação de Vilar de Mouros, ligando as 2 margens do rio Coura e tendo nas proximidades algumas construções e a capela de Nª. Srª. da Piedade.
Descrição
Lançada sobre rio, de tabuleiro formando cavalete e precedido por rampas de acesso, assenta sobre 3 arcos quebrados, sendo o central maior, de aduelas estreitas e compridas, com talha-mar prismático a montante e talhantes a jusante, encimados por olhais de arco pleno, com guardas em cantaria aparelhada e pavimento calcetado com lajedo central separando-o em 2 faixas. A N. criou-se recanto com banco de pedra corrida e alminha com base decorada por volutões invertidos, pequeno nicho, vazio e sem qualquer ornato interior; exteriormente também com volutas e encimado por grande cruz.
Utilização Inicial
Equipamento: Ponte viária
Utilização Actual
Equipamento: Ponte com tráfego rodoviário
Propriedade
Pública: municipal
Época Construção
Séc. 14 / 15 (conjectural)
rquitecto | Construtor | Autor
Desconhecido.
Cronologia
Séc. 14 / 15 - Época provável da construção;
Séc. 18 - construção da alminha;
2004 - vedada ao tráfego pesado, devido a problemas estruturais; a Direcção Regional dos Edifícios e Monumentos do Norte solicitou à Faculdade de Engenharia do Porto uma peritagem à ponte;
2006 - elaboração de projecto de reabilitação da ponte pela DGEMN;
25 Outubro 2007 - as fortes chuvadas deixaram o imóvel parcialmente submerso, prevendo-se que a estrutura fique algo abalada.
Tipologia
Arquitectura civil de equipamento, gótica. Ponte de arco, seguindo o modelo criado pelo grande protótipo regional que foi a ponte de Ponte de Lima.
Características Particulares
O emprego de arcos quebrados com aduelas estreitas e compridas, e de olhais sobre os talha-mares, indica ser obra de finais do séc. 14, inícios do 15 e muito provavelmente impulsionada pela entidade concelhia.
Dados Técnicos
Estrutura mista com aparelho "mixtum vittatum".
Materiais
Granito.
Bibliografia
ARAÚJO, José Rosa de, Caminhos Velhos e Pontes de Viana e Ponte de Lima, Viana do Castelo, 1962; ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de, Alto Minho, Lisboa, 1987;
Intervenção Realizada
DGEMN: 1936 - obras de conservação da ponte; 1960 - Reparação ligeira do pavimento; 1964 - obras de consolidação e conservação; 1977 - limpeza de vegetação; 1979 - trabalhos de conservação; 1984 - trabalhos de conservação; 2000 - consolidação e limpeza de paramentos; iluminação e arranjo da sua envolvente; 2003 - escoramento dos pilares.
Observações
A intensa vegetação e silvedo impede-nos confirmar o número de talha-mares e, portanto, de analisar a verdadeira estrutura da ponte. Visíveis são apenas 3 talha-mares, 2 deles intercalando os arcos e um outro a S. depois do arco.