Jornal Digital Regional
Nº 370: 29 Dez 07 a 4 Jan 08 (Semanal - Sábados)
Email Assinaturas Ficha Técnica Publicidade 1ª Pág.

AZEVEDO

A MATANÇA DO PORCO

A Matança do Porco constituiu desde sempre nas comunidades rurais, uma forma de convívio partilhada não só pelas famílias, como pelos amigos e vizinhos que a elas se associam, colaborando nesse ritual ancestral de sobrevivência alimentar que dava para o sustento de grande parte do ano.

Porcos no cortelho Aquecendo a água

José Maria Lagoa e Carlos Alves O dono da casa

Preparando o mata-bicho Transportando a carroça para a matança

Casa após casa, as matanças do porco sucedem-se, com os mesmos protagonistas a rodarem entre elas, num espírito de colaboração comunitário, porque imobilizar um animal com 10 ou mais arrobas não é tarefa fácil, a par das consequentes etapas de preparação do reco, até que as carnes estejam devidamente acondicionadas para serem conservadas, cujo último capítulo é o sempre atractivo e deslumbrante fumeiro dos chouriços.

Pimentão para o sangue não coalhar Mata-bicho

Laranjas para pôr no focinho dos porcos Porco sai do cortelho..

...içado para a carroça... ...e atado e imobilizado

Os meses de frio são os mais aconselhados para manter as carnes expostas para dependurar os porcos até que elas arrefeçam e o sangue caia, o que sucede mais rapidamente, sem o inconveniente do aparecimento da varejeira, mesmo que o odor dos ramos de loureiro contribuam para o seu afastamento, os quais também dão paladar às carnes.

Patas presas Faca pronta

Sangue... ...cai para o alguidar

...e permanentemente... ...mexido

Em Azevedo, no lugar do Regueiro, em casa do senhor Carlos Alves, dois porcos de 8 e 10 arrobas, aguardavam a sua hora.

Matança... ...do...

...segundo......porco

D. Arminda

Comprados em Março, foram sendo alimentados com milho, maçãs, levedura, bolotas e outros ingredientes que lhes "apuraram" as carnes, de modo a manterem aquele paladar característico tão apreciado.

Pondo laranja no focinho

Tojo e carqueja... ...para queimar o pelo

Quando a família era mais numerosa, matavam sempre três porcos, possuindo ainda nove vacas e ovelhas, acontecendo que num dos anos, "juntámos 27 pessoas", disse-nos a D. Arminda, a dona da casa, a qual recorda como uma das vezes um dos porcos "deu uma marrada na cancela do cortelho e fugiu para o meio da horta", sendo obrigados a correr atrás dele até o dominarem.

Lavado para que a pele fique mole

Lourar o porco... ...com palha

Noutra ocasião, "parecia que o porco já estava morto em cima da carroça e levantou-se".

Raspando o couro Cortando os calos das unhas

Maçarico também é utilizado Novamente lavado

Intervalo... ...para retemperar forças

José Maria Lagoa, o matador de serviço, já tinha participado em sete matanças e um ano houve em que chegou a matar 17 porcos.

Hortelã das bichas

Novamente lavado... ...e esfregado...

...com faca e palha d'aço Abrindo o porco

Mais um saco de cebolas para as chouriças Cordas e ganchos para pendurar o porco

Desde bem cedo que os participantes na matança se concentraram nesta casa tipicamente rural, localizada junto ao ribeiro que nasce no monte de uma pequena freguesia com cerca de 200 habitantes essencialmente dedicada à agricultura de sobrevivência.

Descascando as cebolas

Tirando a bexiga

Remoção da erveira(esófago) Tripas

No meio desta festa em que se torna cada matança, os antigos saberes das mulheres do campo ficou bem expresso, quando uma das netas de D. Arminda se apresentou com dores de barriga e a avó foi ao campo apanhar hortelã das bichas, "como a minha mãe dizia que fazia bem", a fim de dar à miúda.

Unto Cebolas

Ramos de loureiro Tripas deitadas numa bacia com pano

Colada (coração, língua, rins, figado e pulmões)

Preparando a bexiga com ossos temperados como chouriças de carne

O C@2000 acompanhou todos os passos desta matança, como forma de divulgar e preservar uma tradição em riscos de desaparecer, sendo de referir que noutra aldeia com características semelhantes à de Azevedo -pese embora a projecção mediática que possui-, até ao dia em que realizámos esta reportagem, que houvesse conhecimento, apenas tinha sido feita uma matança.

limpando as tripas

 Entrecosto

Gordura para fazer torresmos Transportando o porco para o pendurar

Através de uma sequência fotográfica devidamente legendada, revelamos uma das tradições mais arreigadas na população portuguesa, acreditando que as personagens cinzentas da União Europeia não terão a ousadia de tentar proibi-la, como já sucede com os aguardenteiros minhotos, funcionando já agora quase em rigorosa clandestinidade, a fim de preservar um produto tão apreciado e genuíno.

Seja esta reportagem uma forma de afrontar esses ventos de leste travestidos de fato e gravata.

Esquartejando o porco

Preparando a pata... ...do porco

Pele para fazer barrigas ou chouriça de massa

Coelhos (Lombinhos/carne mais macia)

Carne partida para mais de 500 chouriças...

Provando o tempero das chouriças

Pimentão

Enchendo as chouriças

Loureiro (no primeiro dia)...lenha seca... ...e chouriços no fumeiro durante um mês

JUNTA DE FREGUESIA DE AZEVEDO

Horário de Atendimento ao Público

4ª Feira - 18H30 / 20H00

ROTA DOS LAGARES DE AZEITE DO RIO ÂNCORA
Autor
Joaquim Vasconcelos
Ambiente
Animação
Cultura
Desporto
Distrito
Educação
Empresas
Freguesias
Galiza
Justiça
Óbitos
Pescas
Política
Roteiro
Tribuna
Turismo
Saúde
Sucessos
MEMÓRIAS
DA
SERRA D'ARGA
Autor
Domingos
Cerejeira