Jornal Digital Regional
Nº 368: 15/21 de Dez 07 (Semanal - Sábados)
Email Assinaturas Ficha Técnica Publicidade 1ª Pág.

Quem salva a Mamôa da Ereira, em Afife?

A Associação de Protecção e Conservação do Ambiente - APCA, perante a situação de absoluta degradação e esquecimento a que foi votada a Mamôa da Ereira, localizada no lugar do Medorro da freguesia de Afife, concelho de Viana do Castelo, vem por este meio denunciar publicamente o estado calamitoso em que se encontra este importante monumento megalítico do Noroeste Peninsular e apelar a quem de direito, em razão do lugar e da matéria, uma rápida intervenção.

Numa visita ao local, conforme nos é aconselhado em alguns roteiros turísticos e de promoção da região, deparamos com um monumento, completamente ao abandono, sendo a vegetação infestante, que o cobre, a sua "única protecção". Trata-se de um cartão de visita da região verdadeiramente lastimável e incompreensível, que no mínimo deveria de envergonhar quem tem a incumbência de tratar do Património Cultural. Debaixo de inúmeros pés da infestante austrália, silvas e mato esconde-se um dos mais importantes monumentos megalíticos funerários de Portugal - A Mamoa da Eireira de Afife, cuja localização a escassos 20 metros da Estrada Nacional n.º 13, deveria constituir um pólo de atracção turística da região e do tão apregoado desenvolvimento sustentável, mas que infelizmente, no momento presente, é a imagem fidedigna da atenção dispensada e da forma como se trata o Património Cultural nas ditas áreas rurais.

Relembramos que este monumento foi objecto de estudo aprofundado entre 1986-1989, por uma equipa liderada pelo Prof. Eduardo Lopes da Silva, que definiu este monumento nos seguintes termos: "A mamôa da Ereira (Afife) apresenta uma arquitectura dolménica que viria a configurar-se como uma estrutura com corredor duplamente indiferenciado, assemelhando-se às áleas cobertas francesas. Na verdade, este monumento apresenta todos os esteios com a mesma altura, com acentuada inclinação para o interior. Trata-se de uma estrutura sem paralelos conhecidos, até hoje, no nosso País".

Na mamôa da Ereira de Afife surgiram lado a lado gravuras e pinturas, salientando-se um esteio gravado e pintado, além de um fragmento de laje só com pinturas, em bom estado de conservação. Sem embargo do grande interesse dos motivos referidos, destaque particular vai para os 6 esteios decorados do dólmen de Afife, um dos quais corresponde a um grande e raro motivo antropomórfico, estilizado. A importância deste monumento é, ainda, reforçada com um conjunto apreciável de pontas de seta encontradas "in situ" no decurso das escavações, assim como outro material lítico e cerâmico com grande relevância arqueológica.

Considerando a importância, deste monumento funerário, da cultura megalítica, no contexto europeu, e a sua óptima localização não será demasiado tempo, os cerca de 20 anos já decorridos, desde a sua escavação, em que ano após ano se vem prometendo a recuperação e musealização do mesmo? Ou será que o estado a que deixaram chegar a Mamôa da Ereira de Afife, tem por objectivo justificar, num futuro próximo, a urbanização da área onde se encontra implantada?

A melhor forma de destruir a cultura ancestral do Povo do Alto Minho é a eliminação, por permissão consciente ou por omissão ou negligência, de qualquer referência às suas raízes históricas e como tal definidoras da sua matriz cultural.

APCA

ROTA DOS LAGARES DE AZEITE DO RIO ÂNCORA
Autor
Joaquim Vasconcelos
Ambiente
Animação
Cultura
Desporto
Distrito
Educação
Empresas
Freguesias
Galiza
Justiça
Óbitos
Pescas
Política
Roteiro
Tribuna
Turismo
Saúde
Sucessos
MEMÓRIAS
DA
SERRA D'ARGA
Autor
Domingos
Cerejeira