Os utentes do Centro de Saúde de Caminha andam desorientados com a irregularidade do serviço de urgência desta unidade de saúde e vêem-se impossibilitados de obter explicações.
Um papel colocado no vidro da porta pela Sub-Região de Saúde, indica que não há urgências entre as 14 e as 20 horas, mas sucede várias vezes que nem de manhã nem à noite este serviço funciona.
Estava previsto que a partir do dia um deste mês entrasse em vigor o novo formato da Unidade de Apoio Familiar -adiado por alegadas dificuldades logísticas-, contemplando a possibilidade de o médico de serviço funcionar por chamada no período nocturno.
Dos 12 médicos em serviço no Centro de Saúde de Caminha e extensão deVila Praia de Âncora, todos tinham pedido dispensa de realizar urgências nocturnas por já terem ultrapassado os 50 anos, antes mesmo da nova proposta ter sido apresentada, conforme nos revelou Fátima Pinto (a única médica que ainda não atingiu essa idade), directora demissionária há mais de um ano e já com despacho ministerial favorável para a sua saída e que apenas assegura serviços urgentes até que venha a ser substituída.
Esta médica manifestou o seu desagrado pela situação gerada no Centro de Saúde de Caminha, designadamente por não ter sido renovado o contrato com uma médica que vinha concedendo apoio às urgências diurnas, além de "não termos sido ouvidos antes de assinado o protocolo entre o Ministério da Saúde e a Câmara de Caminha e, agora, não há recursos humanos", lamenta.
A Região de Saúde de Viana do Castelo, onde tentámos obter esclarecimentos da situação, remeteu-nos para a Administração Regional de Saúde do Norte, sendo-nos referido que as urgências estariam a ser asseguradas "com dois médicos de ambulatório" e reconhecendo a inexistência de "um quadro médico ideal".
Adiantaram-nos que o próprio protocolo estabelecido com a autarquia "apenas entrará em vigor quando estiverem reunidas as condições" para tal, prevendo, no entanto, uma reunião com a directora demissionária, a fim de analisar a situação.