Jornal Digital Regional
Nº 337: 28 Abr a 4 Mai 07 (Semanal - Sábados)
Email Assinaturas Ficha Técnica Publicidade 1ª Pág.


TRIBUNA
Espaço reservado à opinião do leitor


Não deixem morrer o 25 de Abril

Estou de acordo com o Presidente da República, isto não são maneiras de se comemorar o 25 de Abril, todos os anos a mesma treta e depois perguntam à rapaziada qualquer coisa sobre o acontecimento e não sabem nada. Parece impossível, mas foi para isso que D. Afonso Henriques fundou Portugal.

Mas a culpa é dos nossos políticos que não tem artes, nem engenhos para redescobrir o 25 de Abril, de forma mais moderna e inovadora. Os foguetes do costume, o bailarico, os cravos e o discurso sempre igual, sempre repetido, a puxarem ao sentimento dos antifascistas, dos pobrezinhos que foram torturados pela PIDE.

O que me chateia é ver alguns "safados" lerem estas coisas com ar compungido, quando sabemos que, se não houvesse 25 de Abril, eles próprios seriam Pides, legionários e membros da ANP. No entanto, quem quer pode ver, ei-los com ar grave, a falar das liberdades, das democracias, da fraternidade e de outros tantos chavões, que ficam bem em qualquer discurso comemorativo.

Por isso, acho que se devia organizar uma base de dados nacional, com os discursos dos políticos, proferidos nas comemorações do 25 de Abril. Tal como há o vidrão e o papelão, podia haver o "discursão", onde eram depositados os discursos, que seriam reaproveitados nos anos seguintes, por outros políticos.

Poupava-se no papel e no tempo que os presidentes de câmaras, de Juntas e outras instituições, gastariam com estes discursos. Tempo que lhes é pago por todos (deixa-me rir) nós.

Por exemplo, o presidente da Câmara de Cascais, lia o discurso do ano anterior do presidente da Câmara de Reguengos, o presidente de Viseu, lia o discurso do presidente de Sesimbra e por aí adiante. Só o Rui Rio é que não podia ler o do Filipe Meneses, senão ainda dava asneira e pegavam-se ao estalo!

Esta ideia foi-me sugerida pela prática de alguns partidos políticos e por alguns sindicatos, que ciclicamente regressam aos mesmos temas e dizem as coisas sempre da mesma maneira, lidos pelas mesmas pessoas, há mais de vinte anos. E depois ficam admirados por as criancinhas dizerem tantos disparates, quando lhes fazem perguntas sobre o 25 de Abril!

Agora a sério, penso que a evocação deste acontecimento histórico tem sido nitidamente insuficiente, aborrecida e desajustada aos dias de hoje e principalmente às mentalidades actuais.

A continuar assim, dentro de alguns anos, esta data estará enterrada, como está a ser enterrada a guerra colonial, ainda hoje um tabu incompreensível. Como alguém já disse, quem não guarda a memória do passado, não tem futuro.

António Brito Ribeiro

ROTA DOS LAGARES DE AZEITE DO RIO ÂNCORA
Autor
Joaquim Vasconcelos
Ambiente
Animação
Cultura
Desporto
Distrito
Educação
Empresas
Freguesias
Galiza
Justiça
Óbitos
Pescas
Política
Roteiro
Tribuna
Turismo
Saúde
Sucessos
MEMÓRIAS
DA
SERRA D'ARGA
Autor
Domingos
Cerejeira