Jornal Digital Regional
Nº 337: 28 Abr a 4 Mai 07 (Semanal - Sábados)
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VAMOS À SERRA DE ARGA

Caminhar pela serra de Arga é um reencontro com a natureza profunda, mas também uma viagem a pontos nevrálgicos da pastorícia. Do cimo desta serra, que é envolvida por uma série de concelhos (Viana do Castelo, Caminha, Ponte de Lima, Paredes de Coura), vêem-se panoramas soberbos, mas também, muitos cavalos semi selvagens, que deambulam pela serra, alimentando-se simplesmente do pasto que nela se encontra. O gado bovino aparece a uma cota mais baixa, mais próximo das povoações.

A serra de Arga, em face da sua diversidade, apresenta-nos constantes novidades devido a ser um espaço natural humanizado podendo a qualquer momento encontrar os últimos pastores com os seus rebanhos de ovelhas que vão percorrendo a serra, à procura de pasto.

Muitos desses percursos, feitos pelos pastores, já começam a ser abandonados, pois agora não é necessário ir tanto ao cimo da serra, visto que as cabeças de gado reduziram e o pasto passou a encontrar-se mais próximo das povoações.

Quando o número de cabeças de gado era muito numeroso, os pastores tinham de fazer circuitos maiores para encontrar pasto para o gado, pelo que tiveram de construir pequenos abrigos, para atenuar o frio e abrigarem-se. Alguns desses abrigos ainda estão intactos. Tendo em conta o "peso" que o turismo pode ter, podia ser uma mais valia integrá-los em algum circuito de montanha antes que o tojo ou os fetos o envolvam devia ser georeferenciado, pelo menos, para em qualquer momento ser encontrado. Não sei quantos existem, mas são um documento, que nos remete a tempos em que a pastorícia da serra de Arga era uma das grandes riquezas dos que a desbravaram.

Esses abrigos, devido à constituição dos materiais utilizados são quase imperceptíveis na paisagem serrana. De planta circular, muito irregular, apresentam uma rudeza extrema. A construção é grosseira, feita com pedregulhos encastelados e sem o menor afeiçoamento, argamassa ou terra a colmatar as fendas entre eles. Aliás, é perfeitamente compreensível, pois tratavam-se de locais longe de tudo, sendo a sua construção feita com o material existente no local que neste caso era pedra. O seu tamanho é extremamente reduzido, aproximadamente 1,5m de diâmetro por dois e pouco de altura na parte central. No seu interior existe unicamente um assento executado com uma laje irregular. A única abertura para o exterior é uma porta de dimensões reduzidas. As empenas são constituídas por pedras alinhadas e a padieira é uma pequena laje que suporta o resto da cobertura que afunila.

De facto, confirma-se que uma das grandes riquezas da serra de Arga era a pastorícia. Foi entre o isolamento e o desbravar da serra que os seus habitantes tiveram de criar hábitos alimentares, que integravam estas espécies que eram criadas por eles.

Este espaço, com todas as dificuldades e isolamento, deu origem a pratos típicos serranos. É aqui, bem no coração da serra, que encontramos o original sarapatel, ou o cabrito da serra d´Arga, ou aqueles enchidos de porco que acompanhados com broa da serra de Arga nos fazem sentir quase no céu.

Joaquim Vasconcelos

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Joaquim Vasconcelos
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