Jornal Digital Regional
Nº 287: 29 Abr a 5 Mai 06 (Semanal - Sábados)
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Domingo Gastronómico: Truta do Rio Coura
Sabores – 29 e 30 de Abril – Paredes de Coura –
Território com Alma

O Quid Gastronómico dos Acepipes - Domésticos da Casa Grande

Em tempo de "Domingos Gastronómicos" Paredes de Coura "agoa-nos" com a digressão gastronómica dos fidalgos da Quinta do Amparo onde havia "uma cozinha de lajedo e chaminé de barretina, compreendendo lareira, armários, dois fornos em que se podia assar, ao estilo das comunidades conventuais, um boi no espeto". Seguimos com eles nas andanças por Braga e Amarante, nos farnéis preparados para as longas viagens; "um lombo de vinha-d’alhos, que era a primeira maravilha do Minho gastronómico".

Mas são as trutas honrando a velha tradição das águas e regatos do Coura, "há uma ribeira que é a mãe das trutas", que fascinam os Senhores de Romarigães fossem eles o primeiro proprietário da Quinta, o padre Gonçalo da Cunha "deu conta da balsa que as águas ao confluir faziam e surpreendeu, fulgurando suas escamas lantejoiladas, duas boas trutas palmeiras" ou o Senhor de Salvaterra y Moz com os viveiros de trutas – "haveria deleite maior que contemplar as trutas, no deflúvio matutino, com a água do córrego a cair no batedoiro dos seixos, oxigenada da frescura do orvalho e do azul do céu", pergunta Aquilino?

Era assim a Casa Grande de Romarigães inesgotável em produtos de horta e salgadeira, o espigueiro "chapelão de larga aba, soleira de granito tão grande que não haverá maior na frumentosa comarca interamundense, lá está com os seus trinta metros de comprimento lauto e garboso, verdadeiro templo de Ceres" e na adega "não havia pipo, nem pipa que tocasse a vazio".

Um dia, diz Aquilino: "eram horas de jantar e sentaram-se à mesa: caldo de leite com abóbora e feijão vermelho, temperado a orelheira de porco e salpicão, vinho, o palhete e espirrador, das suas parreiras e enforcados".

Mas, também, os "bolinhos de bacalhau sobre o vinagre, o caldo verde, o polho de grão assado no espeto, as talhadas de salpicão, a perna de vitela ou o javali caçado na mata". Na época, nada melhor que ir à tasca do Chacim, em Infesta, comer o "ceote de lampreia do Abade de Mozelos, regado a vinhos dos Arcos".

Na Quinta do Amparo, com os bons ares de Coura, "as rolas nas corutas dos pinheiros", a água "a mais delgada e fria do mundo" o apetite era homérico. E o padre Triteu, capelão dos Senhores de Romarigães, luxurioso e prolixo, que saboreava e deglutia com pragmática, enquanto a comida se esvaziava "no estreito de S. Golão como chamava ao esófago um velho autor da Igreja" mesmo com os malhados a monte, discorria sobre receitas culinárias acalmando fidalgos, homens da escolta e postilhões: "Não há como o arroz de lampreia, se lhe adicionarem uma colher de manteiga de pato"; "uma posta de salmão com salada de alface e rodela de cebola tenra vale um ano de Paraíso"; "perdiz com couve murciana fermentada bate todos os petiscos inventados e por inventar".

O Alto Minho é generoso por essa província além, há de tudo como na botica, diz Aquilino.

Sugestão de fim-de-semana, de umas merecidas mini-férias: uma visita a Paredes de Coura.

Na mastigação do que há de melhor da gastronomia "aquiliana" – A CASA GRANDE DE ROMARIGÃES.

As nossas Receitas

Trutas à Conselheiro

Belas trutas palmeiras, amanhadas e temperadas. Em azeite, fazer uma cebolada com presunto e pimentos, tudo bem picado. Enxugar e passar as trutas por farinha de milho, fritando-as em óleo abundante. Depois de fritas e bem escorridas, mergulhá-las na cebolada previamente perfumada, com vinho branco. Ao empratar cobrir as trutas e as batatas acabadas de cozer com a dita cebolada, às quais se juntam couves galegas salteadas. Finalmente, decorar com nozes, passas, pinhões, ovo cozido e salsa picada.

Formigos de Coura

Fazer uma calda de açúcar à qual se juntam frutos secos (nozes, pinhões e passas). Quando cozidos, juntar miolo de pão, muito bem desfeito em leite, para engrossar. Na parte final, quando quase pronto, juntar Vinho do Porto, gemas de ovo e mel. Sendo um doce típico da época natalícia praticamente generalizou-se como sobremesa durante todo o ano, Deve servir-se frio.

Programa de Animação

Sábado (29 de Abril) – 8,00 às 12,00 horas – Convívio Lúdico-Desportivo de Pesca – Praia Fluvial do Taboão (Inscrição obrigatória na Secretaria da Câmara Municipal até às 17 horas, do dia 28/04– obrigatório licença de pesca).

10 horas - Percurso Pedestre Ecológico / cultural guiado "Trilho das Garças" – Tema: Fauna e flora da Ribeira. Partida junto ao Posto de Turismo

15 horas – Confecção de biscoitos de milho – Museu Regional

15,30 horas – Encontro de Chavelho – Museu Regional

22,00 horas – Cinema "Munique" de Steven Spielberg – Centro Cultural

Domingo (30 de Abril) – 8,00 às 12,00 horas – Convívio Lúdico-Desportivo de Pesca – Praia Fluvial do Taboão (Inscrição obrigatória na Secretaria da Câmara Municipal até às 17 horas, do dia 28/04 – obrigatório licença de pesca).

9,00 horas – Passeio-convívio do Grupo Barriguinhas

12,30 horas – Concertinas, distribuição de lembranças em Restaurantes aderentes

15,00 horas – Actuação do Grupo Folclórico do Alto Coura – Vascões

22,00 horas – Concerto Blind Zero "Confidências 2006" – Centro Cultural

7º Encontro Internacional de Sociedades de Recriação Histórica e na Feira das Tradições – 28 a 30 de Abril - Lindoso

A Câmara Municipal de Ponte da Barca em parceria com a ADERE-Peneda Gerês, o PNPG, a Junta de Freguesia de Lindoso e a Inter-Medieval está a colaborar na organização do 7º Encontro Internacional de Sociedades de Recriação Histórica e na Feira das Tradições que decorrerá no Lindoso nos dias 28 a 30 de Abril entre as 14H e as 20H.

PROGRAMA

Dia 28 de Abril, Sexta-Feira
14h00 – Abertura ao público do 7º Encontro
15h00 – Dia do Torneio Internacional
16h00 – Recriação do quotidiano do Castelo
17h00 – Torneio de Tiro com Arco e demonstração de armas de arremesso
18h00 – Música medieval
20h00 – Encerramento ao público

Dia 29 de Abril, Sábado
14h00 – Abertura ao público do 7º Encontro
15h00 – Mostra de Danças de Corte Medievais e Renascentistas pelo Grupo Danças com História
16h00 – Chegada do Bispo – desfile até ao Castelo e recepção das entidades e dignitários
17h00 – Entrega de prémios e certificados aos participantes
17h30 – Torneio Medieval de Gala (pela Ordem da Cavalaria do Sagrado Portugal)
18h30 – Música céltica e medieval
22h00 – Cortejo medieval nocturno
23h30 – Encerramento ao público
Dia 30 de Abril, Domingo
14h00 – Abertura ao público do 7º Encontro
15h00 – Recriação do quotidiano do Clã Carenque do Calcolítico (pela ARQA)
16h00 – Mostra de Armas do período da ocupação Romana da península Ibérica (pelo Grupo Lusitanis)
17h00 – Mostra de Armas da época da ocupação islâmica da Península Ibérica (pelo Grupo Al-Andaluz)
20h00 – Encerramento do 7 º Encontro


A Galiza e o Norte de Portugal (perspectiva para 2015)

Num Artigo já publicado em 1998 (O Desenvolvimento do Turismo no Norte de Portugal) e tendo como base o "Estudo Prospectivo das Regiões Atlânticas – CEDRE – Bruxelas – Ano 2000", sobretudo, a chamada Dorsal Portuguesa/Galiza, dizíamos o seguinte:

Em matéria de transportes: o eixo Norte /Sul da Dorsal Portuguesa será prolongado a Norte do Porto até à Galiza, de modo a ligar as principais cidades da Galiza, a tornar fluída a cooperação económica entre a Galiza e o Norte de Portugal e a valorizar a complementaridade dos aeroportos de Santiago, Vigo e do Porto (A3 / Auto Pista do Atlântico / Auto Pista de Rias Baixas).

O relacionamento da economia portuária e de transportes marítimos articular-se-à em torno de dois eixos complementares: o estabelecimento de cooperações interportuárias e a promoção de ligações marítimas interregionais (projecto piloto ARCANTEL).

O futuro do mundo rural está intimamente ligado ao da rede urbana e à formação das cidades médias (rodovias, ferrovias, redes de telecomunicações, etc). Voltaríamos assim ao modelo Romano da Urbe e do Ager (cidade e campo), agora, mundo urbano e rural.

Adaptação da procura implica um maior valor acrescentado dos produtos oferecidos, ou seja, uma qualidade mais elevada e uma diversificação (cultura, gastronomia, turismo activo), bem como a possibilidade de os turistas organizarem eles mesmos os seus programas e itinerários (serviços à la carte).

A formação profissional em matéria turística será consideravelmente reforçada dadas as expectativas criadas ao turista e, igualmente, pelas suas exigências culturais.

No domínio das transferências de tecnologias vitivinícolas deve ser mencionado o papel da Conferência Europeia das Regiões Vinícolas (Eixo Atlântico) e Arco Verde.

O atractivo das pequenas e médias cidades deve ser melhorado, sobretudo, do Eixo Atlântico (Porto à Corunha).

O desenvolvimento das ligações aéreas inter-regionais.

A tendência para a desertificação das zonas rurais tem que ser evitada pela aplicação das novas medidas de PAC, que garantem rendimentos mínimos, independentes das quantidades produzidas, desde que possam ser obtidos rendimentos complementares, por exemplo, o Turismo no Espaço Rural, o Turismo da Natureza, as Rotas dos Vinhos, os restaurantes temáticos, as lojas de produtos tradicionais, as empresas de animação turística, o artesanato, os produtos de "quinta", tudo incluído num Produto de Turismo Rural Integrado.

A zona do Norte de Portugal / Galiza não é típica do Turismo de Massas. Encontramos aqui dois tipos de Turismo: um Turismo difuso, respeitante tanto à costa como ao interior (o Alto Minho é um exemplo característico); e um Turismo centrado nas cidades (City Breaks), quer se trate de um Turismo de negócios em desenvolvimento, um Turismo cultural ou religioso.

Os efeitos de polarização de Lisboa, Porto e Vigo são diferentes:

Enquanto a área de influência da aglomeração de Lisboa, cuja população ultrapassa os dois milhões de habitantes, não pára de crescer, nomeadamente, em direcção ao Alentejo e ao centro de Portugal («satelização» das pequenas cidades vizinhas, «aspiração» das populações circundantes), o Porto (1,2 milhões de habitantes) está rodeado de várias cidades médias dinâmicas (Braga, Guimarães, Viana do Castelo, Vila Real, Viseu e Aveiro), que funcionam como contrapeso e impedem o fenómeno de «aspiração» metropolitana; o mesmo se passa com Vigo, cujas cidades limítrofes (Pontevedra / Santiago / Ourense / Corunha), vão impedir igualmente o fenómeno (metropolitano);

O problema mais grave e persistente do Norte de Portugal é o da definição de uma estratégia de internacionalização independente de Lisboa (este problema já não se põe na Galiza por motivo de ser um Governo Autónomo).

As ligações europeias pelo Norte (Valença, Bragança ou Chaves) tornar-se-ão mais importantes a médio prazo do que as que passam por Viseu – Vilar Formoso.

A dorsal portuguesa (de Lisboa ao Porto) será equipada com uma ligação ferroviária moderna de velocidade elevada (TGV). Uma ligação rápida ligará as cidades ocidentais da Galiza ao Porto. As ligações rodoviárias entre a Galiza e o Norte de Portugal serão também melhoradas com a entrada em serviço de pelo menos um eixo de 2 x 2 vias (A3) e, ainda, com a melhoria das rodovias e pontes no rio Minho transfronteiriço.

O desenvolvimento e a diversificação de serviços de alto nível no Porto e em Vigo (funções financeiras e consultadoria) permitirão a sua projecção nas cidades médias do Norte de Portugal e da Galiza.

Já em 2006 teremos que reconhecer o seguinte:

Melhoria significativa das Acessibilidades, sobretudo, na Região Norte de Portugal: Viana – Ponte de Lima (A 27); Ponte de Lima – Ponte da Barca – Arcos de Valdevez (IC 28); Porto - Valença (A 28); Apúlia - Barcelos – Braga (A11); Vila do Conde – Vila Nova de Famalicão – Guimarães – Fafe – Ribeira de Pena – Vila Pouca de Aguiar (A7); Porto – Amarante – Vila Real (A4); Vila Real - Peso da Régua (A23).

A nível dos transportes marítimos – Vigo ocupa hoje um lugar de destaque (comercial, pesca e cruzeiros).

Necessário é que através de Projecto Arcantel os restantes Portos: Leixões, Corunha, Ferrol, Aveiro, Viana do Castelo (entre outros) se especializem e se afirmem nas relações inter-regionais (idem, na Galiza);

Em relação aos transportes aéreos, sobretudo, a partir de 2004, o aeroporto Sá Carneiro afirma-se como o grande aeroporto do Norte de Portugal / Galiza, reclamando desde já o ser considerado como um HUB intercontinental Europeu dirigido, sobretudo, ao Brasil, Estados Unidos e Canadá.

Relativamente ao Mundo Rural a situação é cada vez mais precária (veja-se discurso 25 de Abril do Senhor Presidente da República); a proposta do CEDRE será sempre a mais consentânea.

Idem, em relação à procura assim como à formação profissional (o Núcleo Escolar de Turismo em Viana do Castelo, nível IV, é disso um exemplo).

Idem, em relação às novas tecnologias Vitivinícolas, com uma clara melhoria das Castas e dos Vinhos VQPRD.

O papel relevante das pequenas e médias cidades do Eixo Atlântico mostra-se cada vez mais activo, (veja-se a posição assumida com a Caixa Nova em relação ao AVE / Norte de Portugal – Galiza).

Idem, em relação às ligações aéreas inter-regionais, sobretudo, com a Europa.

Idem, em relação às zonas rurais em que as novas medidas da PAC(QCA 2007/2013 são vitais; sem dúvida, a nossa última possibilidade para evitar a desertificação e a fuga dos recursos humanos para o litoral.

Em relação ao turismo continuamos a afirmar a sua especificidade em termos de procura (Galiza e Norte de Portugal); considerá-los como um só Destino (dois Países) – para quando a EuroRegião (?).

O mesmo direi em relação às Áreas Metropolitanas de Lisboa, Porto e Vigo.

A necessidade urgente da internacionalização do Norte de Portugal e da Galiza - independente de Lisboa e de Madrid

A confirmação das ligações pelo TGV, pelo AVE, assim como das novas pontes e rodovias no Pai Minho.

Idem, na urgência das ligações entre Vigo e Porto (faltam as ferroviárias), dada a concentração nestas duas cidades das funções financeiras e consultadoria já prevista.

Aguardemos que, se em 2006 tal não foi ainda possível, que a visão de 2015 nos traga as prementes melhorias que o CEDRE já projectava para o ano 2000.


Gigantones e Cabeçudos de Viana do Castelo em Steenvoorde – França

De 28 a 30 de Abril a "Viana Festas" leva até França os Gigantones, Cabeçudos e Zés P’reiras que desfilam na Romaria de Nossa Senhora d’Agonia, num total de 21 pessoas, respectivamente, Engº Cruz e Joaquim Ribeiro da Viana Festas (a liderar o grupo), Drª Sameiro (Intérprete), 8 Zés P´reiras e Gaita de Foles do Grupo Folclórico de Viana do Castelo, 6 Cabeçudos (familório) e 4 Gigantones (O Manel e a Maria; o Doutor e a Senhora).

Tudo começou em 2000 quando Viana do Castelo representa Portugal no Colóquio Internacional: "Gigantones, Dragões e Animais Fantásticos na Europa, da Idade Média aos Anos 2000".

A convite de Jean-Pierre DUCASTELLE, Presidente do Conselho Superior de Etnologia da Comunidade Francesa da Bélgica, a Câmara Municipal de Viana do Castelo, a Comissão de Festas de Nossa Senhora d’Agonia e a Região de Turismo do Alto Minho estiveram presentes neste Colóquio Científico Internacional. Motivo da presença: a artista-pintora Eliane Meunier, de Paris, que se apaixona pelos Gigantones, Cabeçudos e Zés P’reiras, que desfilam na romaria de Nossa Senhora d’Agonia.

Informada que já em 1758 na Festa d’Agonia apareceram "dois gaiteiros e dois pretos que tocavam clarim", a História da Romaria conta-nos que só a partir de 1893 é que Zabumbas e Zés Pereiras, assim como os Gigantones e Cabeçudos, entraram na Festa.

Figuras descomunais e grotescas, os Gigantones traem a sua origem remota e popular. Ligados à procissão de "Corpus Christi", os Gigantones têm uma velha tradição na Europa. Aqui, em Viana do Castelo, a costumeira liga-se com idêntica manifestação usada, nos fins do Século, em Santiago de Compostela, onde dançavam em frente ao túmulo do Apóstolo, com tamborileiros a marcar o ritmo.

A família dos Gigantones é formada, actualmente, pelo parolo, o doutor, a vianesa e a senhora.

Depois vem o familório dos Cabeçudos, que levam máscaras e roupas a preceito e representam a filharada, com o pai, mãe, avó e avô.

Reis da festa animam as consagradas revistas da Romaria que se realizam todos os anos, ao meio dia no cenário da Praça da República, ao som de uma centena de bombos que de matreca em riste – bumba que bumba e zabumba – constituem o cortejo mais gárrulo quão espaventoso do imaginário do Alto Minho.

Bem documentada com todos estes elementos, Madame Meunier mostra-os em Ath à Comunidade Científica da organização deste Colóquio, acompanhado das pinturas, o que motivou o Convite, não só para o Colóquio, como para o Desfile dos "nossos" Gigantones.

No final dessa presença, em França, a Câmara Municipal de Viana do Castelo representada pelo Presidente da Assembleia Municipal – Soares Pereira – ofereceu à Maison de Geans dois gigantones da Romaria de Nossa Senhora d’Agonia – o castiço Manel e a fagueira Maria.

Agora em Steenvoorde, mais de 100 gigantones e cabeçudos do Quebec (Canadá), do Brasil, do Burkina Faso, de Inglaterra, Irlanda, Áustria, Espanha e Portugal vão participar na 4ª Ronda Europeia de Gigantones que reunirá, também, diversos Grupos Musicais, Filarmónicas, participando em desfiles e espectáculos.

Desejamos à Viana Festas, os maiores êxitos por Terras Francesas.


Os Maios ... As Maias

O Maio, na sua manifestação simples, é um "home" ou "raparigo" coberto de flores que, seguido de moços ou crianças, em procissão percorria, antigamente, as ruas das nossas vilas ou aldeias.

A Maia, chamada, também, "Rainha do Maio" ou "Rosa do Maio" era uma boneca de palha de centeio, em torno do qual havia danças toda a noite do primeiro dia de Maio; podia ser, por vezes, uma menina de vestido branco coroada com flores, com enfeites diversos, sentada num trono florido e venerada, todo o dia, com danças e cantares. Esta festa (sem dúvida, com reminiscências pagãs), foi proibida várias vezes – como aconteceu em Lisboa no ano de 1402, por Carta Régia de 14 de Agosto, onde se determinava aos Juízes e à Câmara "que impusessem as maiores penalidades a quem cantasse Mayas ou Janeiras e outras coisas contra a ley de Deus...".

No Alto Minho a velha tradição das Maias ou dos Maios mantém-se, sendo que na manhã do 1º dia de Maio as casas das nossas aldeias aparecem todas enfeitadas com o raminho de giestas, surgindo outras ornamentadas com coroas de flores. Com o advento do Cristianismo atribuiu-se a este velho ritual pagão (rito da fertilidade para o novo ciclo da natureza, o triunfo da Primavera, o reverdecer das plantas, o início de um novo ano agrícola – rito da fecundidade prognosticando boas colheitas), um carácter religioso – ligação à Festa da Santa Cruz e, mesmo, ao Corpo de Deus. A lenda, alusiva a esta tradição, que com mais frequência se ouve no Alto Minho, reza assim: Herodes soube que a Sagrada Família, na sua fuga para o Egipto, pernoitaria numa certa aldeia. Para garantir que conseguiria eliminar o Menino, Herodes dispunha-se a mandar matar todas as crianças. Perante a possibilidade de um tão significativo morticínio, foi informado, por um outro "Judas", que tal poderia ser evitado, bastando para isso, que ele próprio colocasse um ramo de giesta florida na casa onde se encontrava a Sagrada Família, constituindo um sinal para que os soldados a procurassem e consumassem o crime... A proposta do "Judas" foi aceite e Herodes tratou de mandar os seus soldados à procura da tal casa. Qual não foi o espanto dos soldados quando, na manhã seguinte, encontraram todas as casas da aldeia com ramos de giesta florida à porta, gorando-se, assim, a possibilidade do Menino Jesus, ser morto.

Daí terá vindo essa tradição de colocar ramos e giestas (ou conjuntamente com outras flores, coroas), nas portas e janelas das casas, na véspera do 1º de Maio. De registar, ainda, que no Alto Minho este costume se estende aos carros de bois, aos automóveis, aos tractores, etc. Em certas localidades, coloca-se o raminho de giesta porque ... o Maio é tolo! Noutras, os rapazes que estão para casar, metem por baixo das portas das casas das moças "de bom comportamento" (sem disso elas se aperceberem) uma "maia de rosas". Às mais levianas põem um ramo de figueira doida, que as faz irritar (haverá nesta tradição alguma ligação com o Mistério de Adão e Eva que é celebrado, também, no 1º de Maio, na Galiza, em Laza / Ourense e em que Adão tem como traje, unicamente, uma folha de figueira – numa possível alusão à sua expulsão do Paraíso?)

Exposições e Concursos de Maios ou Maias

Viana do Castelo

Exposição dos Maios na Praça da República, a partir do dia 01 de Maio, promovida pela Câmara Municipal de Viana do Castelo com o apoio das Juntas de Freguesia.

Ponte de Lima

Exposição dos Maios nos edifícios dos Paços do Concelho e Paço do Marquês - a partir do dia 01 de Maio - organização da Câmara Municipal de Ponte de Lima com o apoio logístico da Delegação de Turismo de Ponte de Lima.

Vila Nova de Cerveira

Exposição dos Maios - Arcada do Solar dos Castros – a partir do dia 28 de Abril - promovida pelo Pelouro do Turismo da Câmara Municipal de Vila Nova de Cerveira com o apoio das Escolas do1º Ciclo EB.

Exposição dos Maios nas sacadas dos edifícios em colaboração com as Juntas de Freguesia e Associações Culturais.

Paredes de Coura

Exposição dos Maios nas sacadas dos edifícios (Centro Cívico da Vila de Paredes de Coura, Museu Regional e Centro Cultural de Paredes de Coura), partir do dia 28 de Abril até 1 de Maio, promovida pela Câmara Municipal de Paredes de Coura com a participação das Juntas de Freguesias e/ou Associações Culturais.

Vila Praia de Âncora

XVII Concurso-Exposição d’as Maias – Delegação de Turismo de Vila Praia de Âncora

O Presidente da RTAM – Dr. Francisco Sampaio - integrará o Júri de Avaliação dos trabalhos apresentados, cuja cerimónia de entrega de Diplomas e Lembranças decorrerá pelas 10,30 horas do dia 1 de Maio

Informação RTAM
ROTA DOS LAGARES DE AZEITE DO RIO ÂNCORA
Autor
Joaquim Vasconcelos
Ambiente
Animação
Cultura
Desporto
Distrito
Educação
Empresas
Freguesias
Galiza
Justiça
Óbitos
Pescas
Política
Roteiro
Tribuna
Turismo
Saúde
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MEMÓRIAS
DA
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Autor
Domingos
Cerejeira