A maioria social-democrata decretou um "black-out" à reunião camarária do passado dia 24 e em breves minutos a sessão foi dada por encerrada pelo secretário, que orientou os trabalhos
Os três vereadores do PSD presentes solidarizaram-se com o seu colega de bancada Bento Chão (ausente do plenário), protestando assim contra a postura da Oposição socialista que na última sessão tinha levantado a questão da alegada viagem até Barcelos do referido edil, com uns amigos, num jipe camarário, a fim de assistirem ao jogo de futebol Gil-Vicente-Benfica, o que foi negado pelo visado.
Júlia Paula leu uma declaração, em que acusou ainda um jornalista (não explicitou qual) que relatou a polémica da semana anterior, de estar em conluio com os socialistas, pelo que ampliou o "voto de silêncio" dos eleitos social-democratas a esse profissional da imprensa.
Nesta sessão, foram retiradas duas propostas da Ordem-do-Dia, por não existir a documentação pertinente, sendo apenas aprovados por unanimidade silenciosa três protocolos de colaboração com escolas.
Jorge Fão, presidente da C. P. Concelhia do PS, comentando a situação inédita, considerou o procedimento de Júlia Paula de "anti-democrático e de falta de diálogo" a que se vem assistindo ao longo destes anos", e "agravamento da conflitualidade" existente actualmente no concelho de Caminha, em que a autarca se encontra "incompatibilizada" com 50% das juntas de freguesia, bem como com "todos aqueles que divergem da sua opinião".
Este ambiente foi patente na última reunião da Assembleia Municipal (AM), em que a maioria social-democrata não deixou passar uma proposta apresentada pela CDU (apoiada pelo PS), com a qual pretendia "terminar com o clima de suspeições que, ultimamente, o Executivo camarário está envolto", disse José Leal.

A CDU queria promover a "acção fiscalizadora da AM sobre o Executivo e preservar o bom nome do município", pedindo a criação de uma comissão tripartida de acompanhamento das averiguações que o Ministério Público deveria realizar, tendo em vista apurar a eventual utilização da viatura municipal para "fins particulares", (…) "transferência de dinheiros públicos da autarquia para a Associação Comercial de Caminha, a fim de liquidar as suas dívidas fiscais" e verificar se o concurso para admissão de trabalhadores com contrato a prazo na área da educação e limpeza de vias "fora um pretexto para um saneamento político e castigar as freguesias que não deram o seu voto maioritário ao PSD", como denunciara o presidente da Junta de Seixas.
(Na próxima edição do C@2000, faremos o relato mais detalhado desta sessão da Assembleia Municipal)