A fraca potência da corrente eléctrica em todo o Vale do Âncora, originando frequentes interrupções do fornecimento, cujo expoente máximo ocorreu em 8 de Julho de 2002, quando a luz faltou durante nove horas, levou as autarquias a acelerar os pedidos de reforço e estabilização da energia, tendo referido mais tarde Júlia Paula, presidente do município, que Vila Praia de Âncora tinha perdido a Bandeira Azul no ano seguinte, devido ao "mau serviço" da EDP.
Esta estrutura estaria situada num ponto estratégico, de modo a receber a energia que os aerogeradores de produção de energia eólica irão introduzir na rede de alta tensão.
A EDP, após estudos feitos, apontou para a freguesia de Âncora a construção da subestação com uma área de meio hectare, um transformador de potência e três linhas de distribuição para a rede, anunciando que a tendência futura será a de ter uma estrutura idêntica em cada concelho, de modo "a melhorar a qualidade dos serviços".
PEDIDA INSTALAÇÃO SUBTERRÂNEA
Mais do que a construção da própria subestação orçada em 2,2 milhões de euros e preparada para entrar em funcionamento em Julho do próximo ano, os habitantes temem as consequências da colocação dos postes e linhas eléctricas sobre casas e terrenos urbanizáveis, pedindo à EDP que opte pela instalação de uma linha subterrânea em toda a extensão.
Um construtor, com um loteamento aprovado para um local, sobre o qual (numa das extremidades do lote) passariam as linhas e seria instalado um dos postes, disse que duvidava que a mentalidade dos compradores admitisse adquirir casa junto de tal estrutura.
EDP DIZ NÃO HAVER RISCOS
Embora da parte da EDP fossem apresentados estudos e valores que comprovariam a inocuidade dos efeitos radioeléctricos e magnéticos das linhas, os moradores e construtores receiam que os seus terrenos se desvalorizem e os loteamentos previstos para a zona venham a registar menor interesse por parte dos compradores.
Um engenheiro electrotécnico que acompanhou os construtores e moradores na contestação ao projecto, recordou que a desvalorização de terrenos atravessados pelas linhas poderia atingir os 100%, perguntando aos responsáveis da EDP se não seria possível encontrar alternativas sem "sobrevoar áreas com capacidade construtiva".
Pediu um "esforço" à empresa exploradora de energia eléctrica, pois "pretendemos ser parte da solução", afirmou.
Os moradores insistiram em que a EDP "não pode colocar uma instalação contra os interesses das pessoas", pedindo que se "pondere o traçado nos últimos 500 metros da linha, na zona habitacional da freguesia", ou que as linhas passem pelo monte, como sugeriu um deles.
"Se não há alternativa, não valia a pena estarmos aqui e a publicar éditos", afirmaram.
A EDP torceu o nariz à hipótese de optar pelas linhas subterrâneas, afirmando que tal só se verifica em "zonas consolidadas" -como é o caso das cidades- e deveriam ser instaladas em toda a sua extensão, por causa das "descargas atmosféricas".
Deu como exemplo o que se passa na rede de toda a região, em que existem 1843 km de linhas aéreas e apenas 50 km estão debaixo de terra.
ÉDITO PODERÁ INDUZIR POPULAÇÃO EM ERRO
A questão dos editais também causou alguma fricção na reunião, quando o referido engenheiro electrotécnico alertou para o erro (?) constante no édito, dado que saiu publicado Vila Praia de Âncora em vez de Âncora, o que poderia levar a população desta freguesia a não se aperceber que a subestação seria aqui instalada.
A EDP recusou qualquer tentativa de manipulação, embora reconhecesse que poderia existir confusão entre as duas freguesias, como acontece por vezes.
No final, comprometeu-se a marcar no terreno o trajecto previsto para a passagem das linhas, de modo a comprovar que "não vão passar por cima de qualquer casa" e que a solução encontrada era a de "menor impacte possível".
Segundo apurámos, os moradores poderão avançar com uma providência cautelar se os seus interesses e receios não forem correspondidos.