|
![]() |
DROGA A BORDO DE "VOADORA" 2000 QUILOS DE COCA TERIAM RENDIDO NARCOS "TRAÍDOS" POR ACIDENTE DE PERCURSO
MARGENS DO RIO MINHO SERVEM DE DESCARGAS
Os 2000 quilos de cocaína, embalada em 80 fardos, apreendidos pela Polícia Marítima da Capitania de Caminha e Polícia Judiciária a bordo de uma lancha rápida que se encontrava atascada a sul do penedio da ilha da Ínsua, na foz do rio Minho, ao princípio da manhã do passado dia 19, renderia uma pequena fortuna aos contrabandistas. A cocaína, com 80% de pureza, chegaria às mãos dos consumidores apenas com 12%, após os "cortes" de que seria alvo, podendo render cerca de 18 milhões de contos (90 milhões de euros) equivalendo a dizer que cada fardo valeria uns 220.000 contos (1 milhão e cem mil euros). LANCHA SEM TRIPULANTES
Recapitulando os acontecimentos já adiantados pelo C@2000 no próprio dia do sucesso, refira-se que como resultado de uma denúncia de um pescado desportivo, o piquete da Polícia Marítima deslocou-se até à ilha da Ínsua, onde deparou com uma lancha voadora sem tripulantes, presa nas rochas que rodeiam o pequeno ilhote. O piquete foi então reforçado com mais elementos desta polícia e contou algum tempo depois com a colaboração da PJ, entretanto posta ao corrente da situação, -sendo notória a azáfama pouco habitual para uma manhã de domingo, junto ao posto da Capitania, situado na foz do rio Minho. TRÊS MOTORES DE 300 CAVALOS
80 fardos de cocaína embrulhados em zarapilheira foram retirados do interior da "voadora" e colocados na Ínsua, de modo a poderem voltar a pô-la a flutuar. Um dos três motores de 300 cavalos que possuía, encontrava-se atascado nas rochas, acabando por ter de ser solto. As duas polícias procederam ainda a verificações em toda a ilha e no interior do forte, no intuito de detectar qualquer indício ou mesmo algum dos traficantes.
A embarcação "topo de gama", sem identificação alguma (apenas possuía dois pavilhões espanhóis no seu interior que pouco significavam), de cor preta, com doze metros de comprimento, três motores Suzuki de 300 cavalos, radar e sistema GPS e aparentando ter sido adquirida recentemente, foi rebocada posteriormente por uma barco da Marinha até à foz do rio Minho, onde atracou num pontão flutuante, tendo sido passada a pente fino pela PJ. Uma segunda planeadora, mais pequena, também rondava as imediações da Ínsua, e terá sido nela que os três traficantes fugiram, recolhidos, logo que avisados da chegada das autoridades marítimas e após terem visto frustrados os seus intentos de safar o barco encalhado. "VOADORA" COM ESTREIA AZARADA É provável que os narco-traficantes tenham demorado algumas horas na tentativa de libertar ar a "voadora" novinha em folha, mas a Polícia Marítima não lhes deu essa possibilidade. Este "acidente" de percurso da "voadora", terá ocorrido quando se dirigia para a costa galega (ou para o rio Minho), depois de efectuar o transbordo dos fardos, a algumas milhas da costa, desde o barco-mãe, eventualmente proveniente da América Latina.
Pelas 15H30, um helicóptero puma da Força Aérea, deslocado da base da Cortegaça, transferiu os fardos envolvidos em redes apropriadas para o transporte de carga por via aérea, desde a Ínsua até junto das instalações militares da Capitania de Caminha, na foz do Minho, sendo de seguida introduzidos em carrinhas da PJ, à guarda da qual ficarão até à sua destruição.
Esta operação foi seguida com expectativa e curiosidade pelos milhares de banhistas que se encontravam nos areais do Camarido -assemelhando-se um tanto àquilo que habitualmente se vê nos filmes de acção-, muitos deles evidenciando satisfação pela apreensão da droga.
A meio da tarde, também compareceram elementos da polícia espanhola, a fim de cruzarem informações com os seus colegas portugueses, na tentativa de descobrir os responsáveis pelo carregamento ilícito, pois tudo apontava para que eles tivessem como base, os clans do país vizinho, como se veio a confirmar. RIO MINHO SERVE DE DESEMBARQUE DE DROGA As polícias de investigação de Portugal e Galiza intensificaram a partir de então as diligências destinadas a esclarecer a apreensão de duas toneladas de cocaína, bem como as fortes movimentações dos narcotraficantes nesta região.
Segundo soubemos, desde princípios de mês que as actividades ilícitas se vêm acentuando e duas dessas embarcações entraram no rio Minho num curto espaço de dias, uma delas, a alta velocidade, pelas onze e meia da noite, do passado dia 6.
A descarga da droga que transportava ocorreu na margem portuguesa, com a maré vaza (equivalendo a dizer que os tripulantes conheciam bem o rio) na freguesia de Campos, Vila Nova de Cerveira, por detrás do campo de futebol, no sítio do Regueirinho, um local recatado e que no passado serviu de depósito de areias, com acessos facilitados para atracagem de barcos e manobra de viaturas em terra. Desde este ponto estratégico, localizado num dos pólos da zona industrial do concelho cerveirense, o carregamento seguiu para Espanha por via terrestre, suspeitando-se que tenha feito "escala", antes de partir. Estas descargas de droga que se têm vindo a suceder, foram provenientes de dois cargueiros estacionados em frente à costa portuguesa, calculando-se que cerca de seis toneladas de cocaína (pertencentes à mesma rede que perdeu os 80 fardos na Ínsua) terão sido desembarcados e escondidos em local até agora seguro. SISTEMA ELECTRÓNICO ORIENTA NAVEGAÇÃO NOCTURNA
Ainda relacionado com a apreensão realizada pela Polícia Marítima e Polícia Judiciária nessa pequena ilha rochosa, foram depois conhecidos pormenores que dão conta do grau de sofisticação dos equipamentos utilizados pelos gangs. A "lancha voadora" com três homens a bordo encalhou nas rochas pelas 2H45 dessa madrugada, na maré alta, devido a terem sido induzidos em erro pelo "balizamento" electrónico colocado previamente na água, o qual permite a orientação de noite, das potentes lanchas navegando a altas velocidades, sem risco de erro, através de ligação a GPS, com que o poderoso pneumático estava equipado. 120/KM HORA Sucedeu que uma dessas "balizas" recolhida do mar, foi levada por alguém (talvez por mero acaso) para o interior do revelim da fortaleza da Ínsua, provocando o "despiste" dos traficantes, que chegaram a atingir perto de 120 km/hora. Impossibilitados de utilizarem outros barcos para recolherem os 80 fardos, os traficantes acabariam por ser resgatados por uma lancha mais pequena, já anteriormente citada. TRAFICANTES CONTROLAVAM DE TERRA Refira-se que toda esta operação foi controlada desde a praia de Moledo, por elementos da rede, na sua maioria galegos, apreensivos com o rumo dos acontecimentos, perante a iminência de perderem parte do "produto" contrabandeado, como veio a suceder. Sabe-se ainda que a lancha (estreada neste desembarque, confirmou-se), foi fabricada por uma empresa da zona industrial do Porriño, e zarpou desde Vila Garcia de Arousa até ao navio-mãe, tendo navegado durante duas horas. Nessa mesma noite, na praia de O Grove, também na Galiza, os traficantes foram forçados a abandonar outra embarcação sem nada no seu interior, após terem sido detectados pela Guarda Civil.
A referida "voadora", encontra-se agora à ordem do Tribunal de Caminha e custodiada pela Polícia Marítima, após ter sido depositada junto ao posto da Foz, sendo visível um rombo no casco, derivado ao embate nas rochas, após se ter despistado. |
|
![]() |