CONCELHO DE CAMINHA



UM MOSAICO DE PAISAGENS

Jornal Digital Regional
Nº 243: 25 Jun a 1 Jul 05 (Semanal - Sábados)

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MIGUEL NOGUEIRA - UM ARQUITECTO DE TRANSIÇÃO

A arqª Maria de Lurdes Carreira, até há algum tempo Chefe de Divisão de Obras e Urbanismo da Câmara Municipal de Caminha, baseou a sua tese de mestrado no trabalho do arquitecto Miguel José Nogueira Júnior, nascido em Seixas do Minho em 1883 e falecido em 1953.

Colaborador do arqº Miguel Ventura Terra, Miguel Nogueira foi definido como um arquitecto de "transição", tendo sido considerado na sua época, como uma das referências da arquitectura portuguesa.

Maria de Lurdes Carreira, embora compelida a abandonar as funções que exercia no município caminhense, aqui criou raízes e amizades, sendo exemplo disso este trabalho que serviu de base ao seu mestrado aprovado por distinção pelo júri que o avaliou.

O C@2000 publica nesta edição um resumo dessa tese de investigação sobre a vida e obra de um seixense, que, seguramente, será uma das referências do Dia da Comunidade Seixense, estamos certos.

A autora aproveita para agradecer a todos os seixenses que colaboraram com ela na recolha de informações e lhe forneceram diversa documentação que permitiram constituir este importante legado histórico da freguesia.

APRESENTAÇÃO

Quis a Providência que nos fosse oferecido, salvo de uma operação de transporte a vazadouro, o espólio de Miguel José Nogueira Júnior, um arquitecto natural de Seixas do Minho - Caminha, colaborador de Ventura Terra nas obras do Templo de Santa Luzia, e falecido em 1953, (viemos a saber depois) sem deixar descendência.

Cedo nos apercebemos da riqueza das peças que nos foram transmitidas e das possíveis leituras teóricas e criticas que propiciam, ou seja, do seu potencial papel como veículo para, a pretexto da figura deste arquitecto (1883- 1953), conhecer a época nos seus aspectos políticos económicos e sociais, a prática artística do seu tempo histórico, os modelos culturais, o ensino, o meio profissional.

Assim, a pretexto, balizamos a nossa investigação nos finais do século XIX e início do século XX, procurando uma leitura histórica de feição sociológica, cruzando aspectos artísticos com o contexto envolvente nas suas diversas vertentes.

Começamos por levar a cabo um levantamento fotográfico das peças do espólio, evitando desta forma o seu difícil e desaconselhável manuseamento, e permitindo a mais fácil seriação segundo parâmetros de divisão temática (biblioteca/documentos profissionais/iconografia/objectos pessoais/documentos biográficos/exercícios académicos/projectos arquitectónicos).

Em simultâneo, aprofundámos as pesquisas bibliográficas no sentido de reunir referências à figura, até então para nós desconhecidas. Reunimos ainda variada documentação colhida em arquivos institucionais e particulares, ajustada às matérias a aprofundar e particularmente à figura de Miguel Nogueira.

Lápide no Túmulo de Miguel José Nogueira Júnior, em Seixas

O facto de ter morrido sem deixar descendência e sem família próxima, dificultou a investigação, alongando-a no tempo e obrigando ao aprofundamento do contexto da infância, procurando aí justificações e pistas para o percurso subsequente que pretendíamos reconstituírem. Deste intuito resultou a reunião de um corpo documental relativo ao fim-de-século em Seixas, que se encontrava disperso e, senão desconhecido pelo menos nunca referenciado.

Em termos metodológicos, esta riqueza de documentação traduziu-se nalgum desconforto, exigindo uma apreciação rigorosa relativamente ao peso a atribuir-lhe e à subsequente transposição para o corpo da Dissertação, tendo-se optado em muitos casos pela apresentação e explanação em apêndice documental. Não quisemos, contudo, deixar de assumir aqui esta documentação, não só pela importância que os factos têm no contexto da infância de Miguel Nogueira, mas também pela expectativa de virem a desencadear futuras investigações nesse campo.

De assinalar também, no corpo da Dissertação, o recurso intencional, abusivo, (?) a citações de textos da época, que à partida se sentem fastidiosos. Justifica-o o facto de entendemos que a linguagem e o tratamento do texto, para além do conteúdo informativo, constituírem um recurso/meio muitas vezes irrecusável, enriquecendo a contextualização. Noutras ocasiões, a transposição prende-se com a consciência de que dificilmente conseguíramos encontrar palavras nossas que tão bem conseguissem representar o que pretendemos transmitir. A exemplo, tentamo-nos mais uma vez a citar, desta vez Saramago em A Jangada de Pedra:

Dificílimo acto é o de escrever, responsabilidade das maiores, basta pensar no extenuante trabalho que será dispor por ordem temporal os acontecimentos, primeiro este, depois aquele, ou, se tal mais convém às necessidades do efeito, o sucesso de hoje posto antes do episódio de ontem, e outras não menos arriscadas acrobacias, o passado como se tivesse sido agora, o presente como um contínuo sem princípio nem fim, mas, por muito que se esforcem os autores, uma habilidade não podem cometer, pôr por escrito, no mesmo tempo, dois casos ao mesmo tempo acontecidos.

Há quem julgue que a dificuldade fica resolvida dividindo a pagina em duas colunas, lado a lado, mas o ardil é ingénuo, porque primeiro se escreveu uma e só depois a outra, sem esquecer que o leitor terá de ler primeiro esta e depois aquela, ou vice-versa, quem está bem são os cantores de ópera [...]

Ninguém definiria melhor os embaraços que sentimos ao longo da formalização do texto da Dissertação.

O corpo teórico do nosso trabalho encontra-se estruturado em três partes reunidas num único volume. Complementa este volume, um outro, relativo a anexos/apêndices, com correspondência às três partes em que se divide o corpo da Dissertação. Mais do que anexos, os elementos que constituem este complemento incluem análises e reflexões, aprofundando dessa forma a informação contida nos documentos apresentados, e apontando perspectivas de trabalho futuro.

A elaboração desta Dissertação não teria sido possível sem a confiança que em nós depositou o senhor Luís Pereira, de Seixas, que acreditou e nos achou dignos da missão de reabilitar a figura do arquitecto esquecido, e sem o entusiasmo contagiante do Sr. Professor Doutor António Baptista Lopes, que nos ensinou o caminho a seguir.

Também a todos os que nos receberam nos arquivos consultados e a quantos nos disponibilizaram informações, o nosso reconhecimento.

A todos os familiares, amigos e colegas que acompanharam a evolução deste trabalho transmitindo-nos o alento que nos permitiu concluí-lo, e especialmente a meu pai pelo seu envolvimento na revisão final do trabalho, e também à minha amiga Irene que tanto se empenhou na emenda dos erros e nos erros das emendas, o nosso profundo e reconhecido agradecimento.

Gostaríamos, por fim, de deixar expressa a nossa especial gratidão ao Sr. Professor Doutor António Cardoso, pela franca disponibilidade e precioso apoio que nos dedicou, escutando-nos e orientando as nossas dúvidas e hesitações, dispensando-nos importantes e oportunos estímulos.

INTRODUÇÃO

Se o último decénio de oitocentos vê nascer um grupo de arquitectos que protagonizará inequivocamente a primeira arquitectura modernista em Portugal - entre eles Luís Cristino da Silva (1896-1976), Carlos Ramos( 1897-1969), Porfírio Pardal Monteiro (1897-1968), Paulino Montez (1897-1988), Cotttinelli Telmo (1897-1948), Jorge Almeida Segurado (1898-1990) e ainda Rogério de Azevedo (1898-1983)- cabe à geração imediatamente anterior, pouco fecunda no que toca ao numero destes habilitados, abrir caminho para tal, rejeitando progressivamente os códigos eclécticos esgotados e assumindo uma atitude já pró/pré - moderna. Aqui situaremos Miguel Nogueira (1883-1953).

Decorrente da nossa formação específica em Arquitectura e da nossa ligação sentimental a Seixas, o primeiro objectivo que traçamos para este estudo foi a investigação e a partilha de um percurso com o qual nos identificávamos. Porém, a evolução do trabalho abriu-nos perspectivas de poder também contribuir, ainda que de forma modesta, para um melhor entendimento deste período da história da nossa arquitectura.

Propusemo-nos, assim, começar por reconstituir o percurso da infância, vital para percebermos o homem que já ninguém lembra, acompanhar depois o seu percurso académico para entender o processo evolutivo da sua prestação como arquitecto sentindo, por fim, a obra.

Infância, Formação e Obra, impor-se-ão como as três etapas estruturantes da nossa abordagem.

Miguel Nogueira nasce em Seixas do Minho, a 30 de Janeiro de 1883.

A exemplo do que sucede pelo país fora, fazem-se aí sentir os efeitos da política fontista. A par de melhoramentos do cais dos rios Minho e Coura, a estrada de macadame, a ponte sobre o Coura e ainda o Caminho de Ferro, novidades que a civilização não dispensa, desencadearão transformações económicas e sociais responsáveis pela desenfreada intensificação dos fluxos migratórios para o Brasil.

É então frequente ser este o destino de muitos, de futuro não garantido, que não obstante a pouca idade para aí partem, salientando-se Manaus como destino prioritário, ainda em franca febre da borracha (aqui é impossível deixar de reler Ferreira de Castro em A Selva, e de imaginar os barqueiros de Seixas transportando seringueiros Rio Madeira acima, e gente de Seixas envolvida nas obras da Opera de Manaus...). É este o rumo de muitos, das relações próximas e até familiares, de Miguel Nogueira, entre eles os Terra (todos os irmãos do arquitecto Ventura Terra), os Costa, e ainda alguns Nogueira. Este poderia ter sido também o seu destino quando aos doze anos se vê órfão por morte de seu pai.

Este cenário da infância de Miguel Nogueira irá marcar a sua formação como homem, bem como a sua futura produção como arquitecto, uma vez que há indícios de que é brasileira a sua primeira clientela (quando ainda estudante)...

Também faremos uma imprescindível aproximação à figura do padrinho, que tomará o lugar do pai, manifestando-se vital para futuro do rapaz. A sua relação próxima com Ventura Terra (é seu cliente) justificará o envolvimento deste arquitecto na infância artística do afilhado, e o ingresso de Miguel Nogueira na Escola de Belas Artes de Lisboa, para aí se formar também como arquitecto.

No âmbito do seu percurso académico foi preocupação nossa entender a conjuntura ligada ao ensino, particularmente ao ensino das artes e sua contextualização internacional bem como conhecer as várias reformas respeitantes ao ensino da Arquitectura e seu reflexo no contexto da produção arquitectónica subsequente.

Também o papel do ensino beauxartista, e a formação complementar através de pensionatos do Estado ou de legados, será abordado.

Percorreremos o trajecto individual de Miguel Nogueira, acompanhando cada prova, cada exame de frequência ou de passagem e ainda o seu percurso em Paris como pensionista do legado Valmor. Abordaremos ainda percursos paralelos para, com mais consistência, o situarmos no contexto académico.

Por fim, a obra proporcionar-nos-á uma abordagem à Lisboa de Ressano Garcia, seus Planos de Melhoramentos e muito concretamente às Avenidas Novas e à Lisboa republicana ensaiando utopias já testadas nos seus bairros económicos, em oposição aos lazeres burgueses dos complexos termais, também eles importados.

Afloraremos o catolicismo republicano, as crises de religiosidade e por fim retomaremos o Brasil, tal como havíamos começado, para introduzir a Arquitectura Moderna Brasileira e a Semana de 22 e seu exemplo para a arquitectura portuguesa de então.

Bairro Social de Alcântara

Traçar o percurso da arquitectura portuguesa, do fim do século XIX ao advento do Moderno, compreendendo os vários aspectos envolvidos, nomeadamente os de índole política, económica, social e cultural, será o objectivo de fundo desta Dissertação.

-Miguel Nogueira nasce em Seixas em 1883, ficando órfão de pai aos 12 anos.

Joaquim José Nogueira, seu padrinho, chama a si a educação do rapaz. É cliente de Ventura Terra e essa relação há-de justificar a aproximação entre Miguel Nogueira e Ventura Terra (a quem MN se há-de referir pela vida fora como "o mestre que guiou a minha infância artística").

- Em 1897 Miguel Nogueira segue para Lisboa para se matricular na Escola de Belas Artes e aí se vir a formar como arquitecto.

- O percurso académico de Miguel Nogueira é pontuado por prestações de qualidade que lhe é reconhecida com a atribuição de prémios, sendo-lhe no ultimo ano atribuída uma bolsa do legado Valmor, para aperfeiçoamento no estrangeiro.

Lançamento da 1ª Pedra do Bairro de Alcântara com a presença de António José de Almeida, Presidente da República

Em 1909 seguirá para Paris com vista a admissão na École Nationale des Beaux Arts.

Regressará passados dois anos, depois duma experiência no atelier Chifflot, conhecido pela linha vanguardista art nouveaux que lhe é atribuída. Esta experiência/ influência será marcante na produção do futuro arquitecto.

Em 1911 Miguel Nogueira é recebido em Lisboa pela imprensa com perspectivas de muito boa prestação futura, sendo também bem acolhido no seio da Sociedade dos Arquitectos Portugueses, o que evidencia um enquadramento social e profissional favorável.

Seguir-se-á uma década de sucessos, bem documentados, divulgados e premiados.

Casa de José Santos (Menino d'Ouro), natural de Seixas / Av. República 23 Lisboa

Destaque para dois Prémios Valmor em Lisboa na zona das Avenidas Novas, nos anos de 1913 e 1916.

Destaque ainda para a integração na equipa que, depois de criado o Ministério do Trabalho e Previdência Social, irá estudar o Regulamento relativo aos novos Bairros Sociais importantes para a " moralização e bem estar das classes laboriosas", envolvendo-se também na concepção de dois desses bairros - o Bairro de Alcântara e o Bairro da Covilhã.

Projecto do Hotel Termal de Chaves, nunca construído

Paralelamente dedica-se a uma outra clientela. Uma classe economicamente bem situada, ou querendo passar por tal, reclama ambientes de luxo e celebração do ócio. Lugar onírico por excelência o Complexo Termal cumprirá este papel. Miguel Nogueira envolver-se-á no projecto para as Termas de Chaves, complexo onde o parque arborizado articula edifícios com diferentes funções, onde não falta o Grande Hotel e o Casino, a par do Balneário e buvette, contando ainda com elevador (idêntico ao de Sta Luzia) de ligação do Grande Hotel a um cais de embarque para passeios no Tâmega.

Esta fase de sucessos atinge o clímax com a Casa Perestrelo d´Orey onde a busca de essência, a linguagem depurada e a adopção de cobertura plana são impressionantes indícios de modernidade.

Contudo, a situação internacional e nacional que caracteriza os anos de 1921 a 1924 e que virá a desencadear o golpe militar de 28 de Maio de 1926, será responsável pelo afastamento de Miguel Nogueira.

Arquitecto prestigiado e celebrado no palco da capital, acabará por abandonar Lisboa em 1925, vindo-se refugiar na terra natal onde o espera um outro sacerdócio - irá dedicar-se ao ensino, (começando por lutar pela elevação da escola de artes e ofícios de Nun´Alvares de Viana do Castelo a Escola Industrial), e à obra do Sagrado Coração de Jesus em Viana do Castelo. Ventura Terra, autor do projecto, morre em 1919 sem deixar pormenorização que permita a implementação do projecto concebido. Para Miguel Nogueira, a dívida de gratidão para com o "Mestre", irá justificar essa missão. Fá-lo-á com o maior respeito pela sua vontade, adoptando-lhe o código e dentro de uma linguagem que há muito deixou de ser a sua …

Essa, mostrá-la-á no túmulo que para si próprio concebe e que denuncia a essência, pureza, verticalidade e equilíbrio do homem simples que foi.

Algumas peças do seu espólio levantam ainda suspeitam quanto à sua revelação como arquitecto moderno inserido outro contexto….matéria que pretendemos vir a aprofundar, oportunamente ….

CONCLUSÃO

Responsável pelas principais subsequentes alterações da paisagem natural, construída, económica e social do território, a política fontista faz sentir os seus efeitos também em Seixas, onde a 30 de Janeiro de 1883 nasce Miguel Nogueira.

No intenso êxodo para o Brasil que à época aí se faz sentir, destino ao qual poucos escapam, não será Miguel Nogueira envolvido. O exemplo de Ventura Terra, (aí também nascido dezassete anos antes), e a sua aproximação profissional aos Nogueira, nomeadamente ao padrinho de Miguel Nogueira a quem caberá a educação do rapaz após a morte do pai, influenciarão o percurso do futuro arquitecto.

Inevitável, o levantamento do fim de século em Seixas, dos vários melhoramentos e seu ritmo de implementação, permitiu avaliar os respectivos reflexos na intensificação da corrente migratória para o Brasil.

Os estudos efectuados, inéditos no que respeita a Seixas, permitiram inventariar e classificar esses fluxos no período entre 1860 e 1900, conduzindo a conclusões relativamente à intensificação do êxodo durante esse período, bem como ao tipo de indivíduos envolvidos, nomeadamente no tocante à idade, sexo e profissão. Os elementos complementares apresentados em ANEXOS, documentam essas conclusões, podendo ser o ponto de partida para o aprofundamento de perspectivas particulares como por exemplo a ligação de gente de Seixas a Manaus, e o seu possível envolvimento, atendendo às suas especificidades profissionais (actividades ligadas à construção civil), em significativas obras como o são o Teatro Amazonas (Opera de Manaus) e o Mercado.

Através deste levantamento de passaportes emitido a gente de Seixas com destino ao Brasil, realizado nos arquivos do Governo Civil de Viana do Castelo foi ainda possível identificar, a par e passo, indivíduos com elos familiares com destacadas personagens, nomeadamente todos os irmãos de Ventura Terra que iríamos encontrar depois francamente envolvidos na construção civil no Rio de Janeiro e em São Paulo. Esta circunstância ajudou-nos a concluir ser então excepcional destino diverso do da emigração, estando o Brasil ainda assim presente nos que ficam. Quer Ventura Terra quer Miguel Nogueira serão poupados a esta experiência. Contudo, quer num quer no outro, o Brasil marcará presença na sua prestação profissional. Também, no encalce dos irmãos Terra, chegamos a Terra Irmão e Cª , firma que constrói, no inicio do século XX os prédios mais importantes de São Paulo, contando-se entre eles edifícios bancários ( Banco Commercio Industria de São Paulo , identificado através de várias fotografias da época de construção ), ricas jóias de architectura e acabamento. Esta iniciativa empresarial levou-nos ainda às prestações paralelas de Joaquim dos Anjos Costa, outro emigrante de Seixas em terras de Vera Cruz que regressado à pátria irá protagonizar em Seixas um retorno entre a jubilação e a inovação. Esta reflexão permitiu-nos, entretanto, a elaboração de um pequeno artigo - Evidencias de retorno? - publicado na Revista do Departamento de Ciências e Técnicas do Património da Faculdade de Letras de 2003, problemática que muito gostaríamos de vir a aprofundar.

A investigação levada a cabo permitiu também, já noutro âmbito, avaliar as repercussões em Seixas, do exemplo de Ventura Terra na formação da geração que se lhe segue. Para além de Miguel Nogueira, foi possível identificar ligações à Escola de Belas Artes de Lisboa de dois dos sobrinhos de Ventura Terra - Domingos Luíz Terra que virá a formar-se arquitecto com franca prestação no Brasil, e Gilberto Renda por sua vez pintor, deixando extensa obra ligada sobretudo à azulejaria ferroviária, quer em Seixas quer pelo país fora. Também José Porto, arquitecto nascido em 1883 em Vilar de Mouros, freguesia contígua a Seixas, poderá ter colhido exemplo no Mestre. Este, outro tema de merecido aprofundamento.

Ainda, relativamente aos condiscípulos de Miguel Nogueira, alunos da escola de Belas Artes de Lisboa, acompanhamos o seu percurso académico, o que permitiu, para além do documentar cada um em particular, o cruzamento das respectivas prestações, possibilitando assim, para circunstâncias semelhantes (mesma idade, mesma origem, mesmo estatuto social), a respectiva avaliação.

O acompanhamento do percurso académico levou-nos também a aprofundar toda a legislação que envolveu o ensino das Belas Artes, as sucessivas reformas implementadas, bem como a sua directa relação com as que envolveram o Ensino Industrial no contexto subjacente ao objectivo de produzir com barateza e perfeição à altura das principais nações civilisadas…

Objecto, admissão, métodos, estudos/aulas, prémios e pensões assumidos pelos sucessivos decretos, são sistematizados a fim de possibilitar a percepção da evolução do ensino da arquitectura ao longo de todo o período anterior à primeira reforma republicana (18 Dezembro de 1911).

Esta abordagem permitiu-nos avaliar o quanto a formação académica foi então responsável pelo atraso na adopção da nova consciência estética anunciada pelas Artes Decorativas. Também a influência da École des Beaux parisiense, nomeadamente na formação dos pensionistas, será progressivamente rejeitada sendo sobretudo fora do ambiente académico que se irão colher frutos de mudança. A comprová-lo, o exemplo, de Miguel Nogueira, para quem a experiência no atelier Chifflot será fundamental na obra futura, obra que numa crescente depuração, anuncia os primórdios do Moderno.

Actor de um percurso que revela uma profunda consciência da missão eminentemente social do arquitecto, fiel ao ideal colectivista de alguns momentos da utopia social nacional, Miguel Nogueira obriga-nos ainda à reflexão sobre o tempo presente e sobre o papel do arquitecto enquanto actor e autor de um projecto de futuro.

Arquitecta Lurdes Carreira


XXX FESTIVAL FOLCLÓRICO DE SEIXAS

O Rancho Folclórico de Seixas vai assinalar o seu XXX Aniversário, com um Festival Folclórico a realizar no próximo dia 2 de Julho, pelas 21H30, no Largo de S. Bento.

A essa hora, iniciar-se-á o desfile etnográfico, seguindo-se a imposição das fitas comemorativas, prevendo-se que pelas 22 horas, os ranchos convidados comecem a actuar por esta ordem:
- Rancho Folclório de Seixas
- Cantares de Carregoso - Viseu
- Os Lusitanos de Marinhais
- Papoilas do Campo de Cela Velha
- Vale Domingues - Águeda
- Quejo Folk - Associación Cultural La Encina - Talayuela - Cáceres


FESTAS DE S. BENTO

Programa

Dia 8
22h - Festival Folclórico (Rancho Folclórico de Reboreda, Dem e Seixas)

Dia 9
9h30 - Entrada dos Bombos de Azevedo
21h30 - Concerto com a Banda da Armada sob a direcção do Maestro Araújo Pereira, actuação do Grupo "Cantares do Minho" e Fogo de Artifício do Pirotécnico Ivo Fernandes .
23h45 - Arraial Minhoto com desgarradas e cantares ao desafio pelo grupo "Cantares do Minho".

Dia 10
9h - Entrada da Banda de Gaitas de Foles de Entienza de Salceda, da Galiza
10h30 - Missa
11h15 - Actuação da banda da Galiza em frente à Capela
12h - Meio Dia de fogo
12h30 - Entrada das Bandas de Riba de Ave e Lanhelas
Tarde e Noite - Concertos e Despique entre as duas Bandas
24h - Fogo de artifício e despedida das Bandas dentro da Capela
01h - Fogo Preso

Dia 11
8h30 - Entrada da Banda de Lanhelas
20h - Despedida da Banda na Capela de S. Bento
21h30 - Noite da Juventude com o Conjunto Roconorte junto ao rio
0h30 - Serenata no Rio Minho com Fogo Aquático

Junta de Freguesia de Seixas

HORÁRIO DE ATENDIMENTO
Expediente

2ª a 6ª Feira : 10H30/12H30 e 2ª 4ª e 5ª das 17H00 / 18H00

Presença dos Membros da Junta
3ª a 6ª: 18H00/19H00

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